Igarassu

Especificações

  • Ano de fabricação: 1977
  • Outros nomes:
  • Modelo: Escuna – Cópia fiel da escuna Old Flory, que correu uma Capetown-Rio e era baseada nas escunas portuguesas que iam a New Foundland Banks atrás de bacalhau. Usou-se o projeto do dinamarquês Slaaby Larsen.
  • Estaleiro: Eberhard Fischer – Estaleiro Praia da Luz
  • Armação/ Tipo: Mastreação como nas escunas clássicas, consiste de velas de carangueja e gurupés com bujas.
  • Material do casco: Madeira Peroba do Campo com mastros de freijó. As cavernas são laminadas em até 12 folhas. Todas as peças como vaus, hastilhas, escantilhões, etc também construídas ou laminadas pelo estaleiro.
  • Categoria: Oceano
  • Motorização:
  • Tripulantes:
  • Numeral:
  • Comprimento: 65,62 pés ou 20 m
  • Linha d’água:
  • Boca: 4,70 m
  • Calado:
  • Área velica (Mestra e Genoa): 200 m²
  • Área velica (Balão): N/D
  • Deslocamento: 28.000 Kg
  • Projeto: do dinamarquês Slaaby Larsen
  • Proprietários: Raul Luis de Carvalho (1977 – Rio de Janeiro – Foi ele que se dispôs a montar o estaleiro apenas para dar a Fischer as condições de lá construir sua escuna Igarassu)
  • Observações:

A história deste barco, deste trágico mal-entendido foi a seguinte.

O comodoro do Iate Clube do Rio de Janeiro (Sr.Fontoura?) mostrou ao Fischer uma vista lateral de uma escuna dinamarquesa usada por práticos, famosas por serem muito marinheiras, e perguntou se ele podia construir um barco semelhante.

Bem, fazer esta pergunta ao Fischer, arquiteto naval alemão com diploma “summa cum laude”, é a mesma coisa que pedir a Picasso para lhe pintar um quadro no estilo Rembrandt; ele diria para que se dirigisse a um estudante de arte que treina copiando os velhos mestres.

Mas o Fischer pediu um tempo para pensar e depois fez a seguinte oferta: fazer o barco em cima da linha d’agua igualzinho ao desenho fornecido mas, abaixo d’água, bem diferente, garantindo que ia navegar muito melhor. Negócio fechado; mãos a obra lá em Niterói.

O casco do veleiro é uma obra de arte em carpintaria naval, com cavernas laminadas e tabuado de ripas quadradas, chanfradas e coladas com Cascophen uma à outra.

Quando o cliente foi ver o veleiro pela primeira vez, o que ocorre normalmente só na hora de definir os arranjos internos, levou aquele susto e sofreu uma profunda decepção: onde colocar aquele sofá confortável em frente ao bar? E as várias cabines para o proprietário e seus hospedes?

A pesada escuna dinamarquesa original tinha cavernas em ‘U’ profundas, criando o espaço para aquele salão com pé direito, cabines, e com o motor e bombas escondidas no porão que o cliente esperava. No barco construído por Fisher, com um deslocamento muito menor, até o motor ficava pela metade acima do piso e, como acomodação, só uns bancos laterais corridos. O “encomendante” nunca mais foi ver a obra, nem compareceu ao batismo e lançamento. Uma história de tão triste e trágica que é até cômica!

RegataPosição
° lugar
Escuna Igarassu no estaleiro do Fisher. Foto do acervo pessoal de Claus L.Kiep
Escuna Igarassu no estaleiro do Fisher. Foto do acervo pessoal de Claus L.Kiep
Escuna Igarassu no estaleiro do Fisher. Foto do acervo pessoal de Claus L.Kiep
Escuna Igarassu no estaleiro do Fisher – arranjo do deck e cabine. Foto do acervo pessoal de Claus L.Kiep
Escuna Igarassu no estaleiro do Fisher – vista do espelho de popa. Foto do acervo pessoal de Claus L.Kiep
Escuna Igarassu – Projeto de Slaaby Larsen e construído por Eberhard Fisher em 1977. Desenho divulgado na revista Vela e motor de abril de 1977.
Escuna Igarassu – Projeto de Slaaby Larsen e construído por Eberhard Fisher em 1977 – Foto: Mário Pereira Filho na revista Vela e motor de abril de 1977.
Escuna Igarassu – Projeto de Slaaby Larsen e construído por Eberhard Fisher no Estaleiro da Praia da Luz em 1977 – Fotos: Mário Pereira Filho na revista Vela e motor de abril de 1977

Artigo “Com amor e talento” de Mário Pereira Filho na revista Vela e Motor No. 2 de abril de 1977. Todos os direitos reservados. Proibida sua reprodução.

Tenho como sonho um dia poder implementar uma iniciativa para preservar o patrimônio náutico brasileiro… por isso, já pensando em algum dia poder implementá-lo, além do Cadastro de Veleiros Clássicos, decidi pesquisar e escrever artigos sobre diversos assuntos relacionados à vela brasileira, entre eles, os veleiros desenvolvidos no Brasil… é sobre isso que irá encontrar informações no texto abaixo… caso possa colaborar com informações ou registros históricos, entre em contato. O que não podemos deixar acontecer é essa história se perder.

Max Gorissen – Velejador. Escritor.


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