Reflexões sobre o uso de mídias sociais

Se você quiser ler sobre o que escrevo, adquirir meus livros e revistas ou, simplesmente, “bater um papo” sobre vela e veleiros, acesse meu site www.maxgorissen.com ou entre em contato comigo através da página “Contato” do site.

Quando criei o site “SailBrasil” em 2008 e meu site pessoal “Max Gorissen” em 2024, já sabia que a maneira de encontrar velejadores para além da minha comunidade local era através do uso das mídias sociais. Então, decidi postar “um pouco mais” (nunca fui muito de postar) no Facebook e no Instagram.

Na época, essas plataformas me pareciam valiosas, porque me ajudavam a conectar com muitas outras pessoas que tinham interesses semelhantes; a vela e os veleiros.

No processo, fiz novas amizades e aprendi muito com as postagens diárias delas. Ao mesmo tempo, à medida que o alcance do meu perfil crescia, meu envolvimento nas mídias sociais também crescia. Eu passava cada vez mais tempo navegando, comentando e dando “like” nas fotos de outras pessoas. E mesmo quando não estava em um dos aplicativos, minha mente voltava para eles, pensando; “Quem será que comentou desde a última vez que verifiquei?“.

Foi então que percebi que as mídias sociais estavam dominando meus pensamentos e exigindo mais do meu tempo.

Então, prometi a mim mesmo diminuir o seu uso limitando meu acesso para apenas durante o dia e não à noite, quando estava com a família… como você deve concluir, não funcionou… acessava o Instagram e depois de um tempo navegando, acessava o Facebook… uma atitude “tola”, já que os dois pertencem ao mesmo dono e, hoje, quando se posta em um, este automaticamente replica o mesmo post no outro. Ou seja, quando você navega no Instagram e no Facebook, você vê duas vezes a mesma coisa, os mesmos posts, só o que muda é a propaganda que te obrigam a assistir, que é diferente!

Ao me dar conta disso, entendi de que o Facebook e o Instagram estavam cada vez mais “controlando” a minha experiência. Não é segredo de que essas empresas projetam suas plataformas para serem o mais viciantes possível e que, mesmo acreditando ser uma pessoa “razoável, estável ​​e equilibrada”, como a grande maioria das pessoas, me vi absorvido pelas redes sociais.

Foi assim que deduzi que a leitura rápida e as reações instantâneas que essas plataformas promovem não deixam espaço para reflexão dentro dos próprios aplicativos. Se você não responder instantaneamente, a postagem desaparecerá do seu feed, provavelmente, para nunca mais ser vista.

Apesar de que, até o momento em que escrevo, ainda ser possível procurar manualmente aquela foto que você gostou na página do autor, com que frequência fazemos isso? Na realidade, 99% das vezes usamos o aplicativo da maneira como ele foi projetado: como uma rolagem infinita, alimentando reações instintivas movidas pela emoção.

Mas; e as trocas de informações com outras pessoas? Elas não são valiosas? Quando comecei a usar as redes sociais, eu tinha plena consciência do benefício de me relacionar com pessoas, contudo, o ponto crucial que eu não entendia era que a plataforma pela qual nos comunicamos afeta a maneira como recebemos a comunicação. Isso fica claro no caso do Facebook e do Instagram, ao ler os comentários que as pessoas fazem. Tirando as pessoas que curtem o que você divulga porque gostam do conteúdo ou da foto, ou os comentários são pejorativos, ou, fica claro que, em vez de dedicar um tempo para refletir sobre o que escrevi, repetem o que outros disseram sobre o assunto. O efeito disso, do pensamento de grupo, é impedir a reflexão profunda e a conexão significativa com o autor, permitindo que a polarização e o partidarismo se intensifiquem.

Além disso, quem me conhece sabe que gosto de escrever e, o que percebi, é que as pessoas que davam “like” nos meus posts não clicavam no link para ler meus textos. Davam like com base nas fotos! No Instagram, o link é transformado em “texto” e é impossível clicar nele, o que faz com esta mídia social, para meu objetivo, que é divulgar meus textos e minhas ideias, não possua nenhuma utilidade. No Facebook, apesar de disponibilizarem no post um link para o artigo, apenas 1% das visitas diárias no artigo no meu site MaxGorissen.com provinham do post divulgado nesse aplicativo. E o mais curioso; quando vem do Facebook, o tempo de permanência no artigo era de menos de 30 segundos, ou seja, o click no link do post era apenas para ver se existiam outras fotos e não para ler o que tenho a dizer.

Além disso, reparei de que, o objetivo original de se usar as mídias sociais, que era conectar pessoas aos seus entes queridos, a amigos distantes ou ainda, a pessoas que possuem os mesmos interesses, hoje, é só sobre coleta de dados e monetização da atividade dos usuários.

Com o tempo, a maioria dos meus feeds ficou repleta de uma publicidade irritante, narcisismo descarado e posturas de “nós contra eles”… especialmente, de muita disputa e radicalismo político que não me interessa! Isso me irrita toda vez que vejo… por isso, depois de um longo período de reflexão, decidi que vou diminuir minhas visitas e o uso das redes sociais. Não vou deixar de usá-las pois, as pessoas de que gosto e os grupos que me interessam, ainda acreditam que a “vida” precisa ser vivida e divulgada nelas e não quero excluí-las da minha vida.

Mas, como para mim a vida é muito rica e cheia de oportunidades para ser gasta olhando para nossas telas, vou restringir meu tempo dispensado nelas. Isso porque, para mim, a liberdade não está em seguir a multidão; liberdade é a capacidade de dizer “Não, obrigado” a tentações nocivas, independentemente do que os outros pensem.

Assim, se eu não der um “like” de imediato no seu post, não fique chateado… eventualmente, abrirei os aplicativos e darei uma olhada e, se o algoritmo achar que seu post pode me interessar (infelizmente é ele que decide) e o apresentar no meu feed, se for algo interessante e único, certamente darei meu “like”.

Por outro lado, as mídias sociais também “abriram” meus olhos novamente para a realidade. Hoje, vejo o futuro dos meus livros e revistas como produtos físicos e tangíveis no mundo real, ou seja, impressos. Por isso, retirei a “Livraria virtual” do meu site pessoal, onde era possível comprar meus livros e revistas em formato de e-book (todos que compraram um dos meus livros ou revistas digitais receberam por e-mail uma cópia em pdf para poder ler quando quiser).

Também, me vejo construindo veleiros de madeira de maneira manual e artesanal, em um pequeno estaleiro … quem sabe ….

Então, o que “restringir meu uso de mídias sociais” significa?

Exatamente isso… estou restringindo minhas visitas, postagens e interações às páginas do Instagram e do Facebook a partir de hoje. Vou postar este texto em ambas mídias e também no LinkedIn, não para receber um like, mas para que as pessoas conheçam e entendam minha motivação e intenção, e deixarei meus posts anteriores para sua referência futura, mas não voltarei com frequência para responder a novos comentários ou a mensagens diretas, nem para publicar “assiduamente” qualquer conteúdo novo por lá.

Se você quiser ler sobre o que escrevo, adquirir meus livros e revistas ou, simplesmente, “bater um papo” sobre vela e veleiros, acesse meu site www.maxgorissen.com ou entre em contato comigo através da página “Contato” do site.

Espero que entenda minha decisão.

Bons ventos!

Velejador. Escritor.


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