Guanabara, a classe precursora do espírito de equipe na vela brasileira

Tenho como sonho um dia poder implementar uma iniciativa para preservar o patrimônio náutico brasileiro… por isso, já pensando em algum dia poder implementá-lo, além do Cadastro de Veleiros Clássicos, decidi pesquisar e escrever artigos sobre diversos assuntos relacionados à vela brasileira, entre eles, os veleiros desenvolvidos no Brasil… é sobre isso que irá encontrar informações no texto abaixo… caso possa colaborar com informações ou registros históricos, entre em contato. O que não podemos deixar acontecer é essa história se perder.

Max Gorissen – Velejador. Escritor.

A história destes veleiros, começa como muitos dos primeiros veleiros brasileiros; num “bate-papo” informal entre amigos.

Os amigos; João Tavares e Walter Heuer.

Sabendo disso, consigo imaginar o dia… que bem poderia ter ocorrido assim: imagine os velejadores João Tavares e Walter Heuer sentados ao entardecer numa mesa na área externa do bar do iate clube do Rio de Janeiro, após uma maravilhosa velejada pela baía de Guanabara, naquele bate-papo gostoso, sim, aquela conversa fiada de velejador que aproveitou o dia para viver ao máximo sua paixão e, com o sol se pondo no horizonte enquanto ainda aquece suas faces, definiram quais seriam as características ideais de um veleiro para se velejar na baía da Guanabara… Provavelmente, João teria dito; “Walter; depois da velejada de hoje, acho que qualquer que fosse o veleiro ideal para se velejar na nossa baía, este deveria reunir pelo menos dois elementos essenciais; ser um monotipo leve e de no máximo 24 pés, com uma bolina móvel e retrátil para poder chegar bem perto da praia. Também não deveria custar muito, sendo seu preço acessível ao velejador “comum” … “Concordo!“, teria dito Walter, complementando; “mas também precisa ter uma relativa comodidade, como uma cabine para pernoite, além de ser bom de mar para aqueles dias de “perrengue” que de repente nos pegam desprevenidos e, já pensando numa regatinha entre amigos, ser veloz“. Cada um agora imaginando como seria o “tal” veleiro ideal, com o firmamento todo alaranjado e com o sol quase tendo desaparecido por trás das montanhas, teriam içado suas taças fazendo um brinde ao novo veleiro.

Como Heuer tinha um irmão chamado Friederich Heuer que era carpinteiro naval e morava em Hamburgo-Alemanha, já no ano de 1935, ele pediu ao irmão para desenhar um veleiro com as características que haviam definido; um veleiro de 24 pés com bolina retrátil, cabinado e confortável para cruzeiros e pernoites na Baía de Guanabara. Como base para o design, pediu ao irmão que utilizasse o projeto de uma Iole Alemã da época que ele havia visto em uma de suas viagens.

Pouco depois, com os planos do novo veleiro prontos, após algumas revisões e modificações, não tardou para que Walter pedisse ao irmão que fabricasse dois veleiros.

Assim, em 1936, com os dois veleiros quase finalizados no estaleiro do irmão, Walter Heuer tirou férias e viajou para a Alemanha, onde iria competir pela classe “O-Jolle”, representando o Brasil como brasileiro naturalizado nas Olimpíadas de 1936 (O-Jolle, ou Olímpico – as regatas da Summer Olympics de Berlim aconteceram no Fiorde de Kiel, entre 4 e 12 de agosto de 1936). Walter Heuer velejou no veleiro de nome Lübeck e terminou na 24ª colocação na classe O-Jolle (Saiba mais clicando aqui).

Com estes dois veleiros, na época chamados de “Sharpies de Cruzeiro 20m²” prontos e nomeados Flanenlob IV e Sênior (e que posteriormente, no Brasil, teriam seus nomes trocados por Itapacis e Itaicis, respectivamente), Heuer importou os veleiros e os trouxe para o Brasil em um navio, ambos chegando em 18 de novembro de 1936.

João Tavares, em uma matéria para a Revista Yachting Brasileiro, relata sobre a chegada dos veleiros e a primeira navegada; “No dia 18 de novembro de 1936 chegaram os dois primeiros « guanabaras» e eu estava tão ansioso que fui vê-los ainda no convés do navio e fiquei pressuroso de experimentá-lo. Assim, no dia 1º de janeiro de 1937 o «Frauenlob II» iniciou sua primeira excursão fora da barra, rumo ao Sul, pela costa, até onde desse o tempo de umas férias rápidas, possivelmente até Santos. Por motivo de força maior eu não podia ausentar-me naquele dia, mas combinamos que os companheiros, valentes e experimentados marinheiros, dobrariam os quartos até eu poder juntar-me a eles no meio do caminho. Assim, nas primeiras horas do dia 1.º, o «Frauenlob II» tendo o Heuer como comandante e o Cory e o Zep como tripulantes; saiu barra afora; no dia 4 pela manhã, por especial camaradagem do Comandante do Correio Aéreo Naval, Capitão de Corveta Antonio Azevedo de Castro Lima (Mangaba), hoje Sr. Coronel da FAB, embarquei num «Waco» meio aleijado, a fim de correr a rota do «Frauenlob Il» e ao sul de Angra dos Reis avistamos o «paquete». Fazendo um vôo «razé», como dizem os franceses, amerissamos e acostamos à praia da ilha Gibóia. Fui recebido no seio da tripulação com muito entusiasmo e prosseguimos viagem até Parati, onde empreendemos regresso, por escassez de tempo. Retornamos por dentro da restinga da Marambaia e, sem incidentes, chegamos ao farol de Mangaratiba, onde passamos o resto do dia e ao entardecer içamos ancora. Fizemo-nos ao largo, para bordejar, mas o bordejo estava tão a geito que entramos umas 12 milhas a dentro e de noite; coisa que eu considero, no «guanabara», uma temeridade, porém o nosso comandante era bastante experiente e um pouco de aventura sempre e do agrado do veleiro, que gosta de uma pontinha de perigo. Ao amanhecer, tinhamos as ilhas Tijucas por bombordo e prosseguimos nos nossos bordejos para cruzarmos o Arpoador às 3 da tarde e fundearmos no Y.C.B. às 5,30 horas, no dia 8 de janeiro de 1937. Estava finda a nossa «vueltita» e estavam também comprovadas a resistência e «boa andadura» do guanabara. Nosso passeio tinha por fim animar os veleiros a construirem «guanabaras» e fazer uma numerosa classe. Felizmente os esforços foram coroados do melhor êxito e apraz-me ver hoje o belo número de guanabaras em movimento de regatas e excursões. Naturalmente a nossa iniciativa contou sempre com muitos animadores, incansáveis trabalhadores da vela nacional, entre os quais se destaca o nosso amigo Dr. Pimentel Duarte, nome de relêvo no nobre esporte.

Com estes dois veleiros singrando às águas da Guanabara, somado ao sucesso da singradura relatada acima, a Escola Naval do Rio de Janeiro, encomendou ao Estaleiro Quaresma (João Quaresma) de Niterói, com base nos planos fornecidos por Walter Heuer, a construção de outros três veleiros desta classe, até então conhecidas por “Sharpies de Cruzeiro 20m²”. Os veleiros construídos são o “Marreco G-3″, o “Mergulhão G-4″ e o “Gaivota G-5″.

Com mais três veleiros navegando, o Comandante Alberto dos Santos Franco sugeriu um novo nome para esta classe de veleiros: Classe Guanabara, nome que foi prontamente aceito.

Nos anos seguinte, com regatas disputadas em São Paulo, no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, a classe se desenvolveu rapidamente e a construção de veleiros aumentou com pedidos de novos veleiros sendo distribuídos pelos diversos estaleiros, como, por exemplo, o Estaleiro Quaresma já mencionado, à Fábrica de Vagões Santa Mathilde (em Petrópolis – RJ, pertencente a José Candido Pimentel Duarte, onde se construíram 15 veleiros da Classe Guanabara), ao Estaleiro Manuel Vareta no Espírito Santo, ao Estaleiro Roberto Funck (Veleiros do Sul), ao Estaleiro do Arsenal da Marinha na Ilha das Cobras – RJ, entre outros.

Segundo a AVCG – Associação de Veleiros de Classe Guanabara (fundada em 30/01/1946 a 1967), organizada com a ajuda de associados do Iate Clube Brasileiro, como Karl Boddener e Carlos Reis (avô do nosso grande escritor e jornalista da vela Murillo Novaes), existiram mais de cem unidades das quais, pelo menos seis foram construídos em Miami – FL – USA, duas na Argentina e duas em Portugal.

Segundo pesquisa e documento montado pelo Sr. Luiz Justo e que pode ser consultado no final deste artigo, foram construídas ao todo 101 unidades, com o primeiro veleiro “Brasileiro” sendo construído em 1938, o Marreco, e o último em 1965, o Bruma II. Contudo, durante minha pesquisa, descobri que outros veleiros foram construídos depois de 1965 (provavelmente este foi o ano em que o Sr. Justo fez a pesquisa e montou o documento que me foi fornecido pelo Sr. Tiago, atual proprietário do veleiro Bruma II, e que disponibilizo ao final deste artigo), sendo o último veleiro aparentemente construído em 1970, pelo Sr. Casemiro Durajski, no Estaleiro Veleiros do Sul (Roberto Funk), e chamado Mimbora.

Os “Guanabaras”, muito marinheiros e bastante competitivos, principalmente depois que ao seu plano velico foi acrescido de uma genoa e um balão ou spinnaker (também existe relato da adição de trapézios para navegadas entre o Rio de Janeiro e Angra dos Reis), revelaram-se também ótimos barcos para regatas de percurso dentro da baía que lhes deu o nome.

Tamanho sucesso, fez com que se tornassem os pioneiros no Brasil na formação do “espírito de equipe“, tão importante nos barcos de Oceano, para os quais a classe foi um grande celeiro de tripulações (“espírito de equipe”, designação usada também no título deste artigo, foi cunhada pela FEVERJ na sua página dos veleiros da Classe Guanabara).

Páginas extraídas do livro “A História do Iate clube do Rio de Janeiro – Helio Barroso”. Todos os direitos reservados – Proibida sua reprodução.

Artigo incrível sobre o “IV Campeonato de Vela Brasileiro de 1949” incluindo as matérias do RIO DE JANEIRO e de SÃO PAULO das classes Sharpie 12m², Iole Olímpica, Guanabara, Snipe e Classe Iole 20m²“. Revista Yachting Brasileiro No. 53 de março de 1949. Todos os direitos reservados – Proibida sua reprodução.

Artigo na Revista Yachting Brasileiro No. 66 de abril de 1950 – 1ª Regata da Classe Guanabara na temporada de 1950 – de Fernando Staeblein – Todos os direitos reservados – Proibida sua reprodução.

Artigo na Revista Yachting Brasileiro No. 41 de março de 1948 – 1ª Regata da Classe Guanabara na temporada de 1950 – de Fernando Staeblein – Todos os direitos reservados – Proibida sua reprodução.

Notícias na Revista Yachting Brasileiro No. 47 de setembro de 1948 – Notícias da Classe Guanabara – Todos os direitos reservados – Proibida sua reprodução.

Notícias na Revista Yachting Brasileiro No. 75 de janeiro de 1951 – Notícias da Classe Guanabara – Todos os direitos reservados – Proibida sua reprodução.

Artigo sobre o “V Campeonato Brasileiro de Vela – Rio e São Paulo” – Revista Yachting Brasileiro No. 79 de maio de 1951 – Todos os direitos reservados – Proibida sua reprodução.

Artigo sobre o “Cruzando a lagoa dos Patos de Guanabara” – Revista Yachting Brasileiro No. 84 de outubro de 1951 – Todos os direitos reservados – Proibida sua reprodução.

Foi realizada a 23 de setembro de 1951 uma Regata Interclubes, cujos resultados da Classe GUANABARA, foram os seguintes:: Na classe A, venceu “Curiola“, seguido por “Itaicis“, ambos do ICB; na classe B venceu “Jaburú“, do asp. N. Santos da Escola Naval; na classe C vitoriou-se “Pirulito“, de P. Felows, do ICB, seguido de “Osna“, de J. Faria, do CIC.

Período de Produção no Brasil: 1938 (Marreco) a 1965 (Bruma II) – Existe um relato de que o último teria sido o Mimbora, construído em 1970 por Casemiro Durajski no Estaleiro Veleiros do Sul (Roberto Funk).
Classe: Guanabara, a partir de 1939 (originalmente eram conhecidos como Sharpies de Cruzeiro 20m²)
Armação/ tipo: Sloop
Projetista/ projeto: Friederich Heuer em 1936/ Modelo de uma Iole Alemã adaptada às condições da Baía da Guanabara.
Desenho: N/D
Material do casco: Madeira. Com o uso da Peroba do Campo na quilha, roda de proa, carro, cavernas, cavernas intermediárias, paus de canto, dormentes, vaus, garfo (suporte do mastro) e barrotes; do Cedro no convés, forro da cabine, paneiros, vaus da cabine, arranjos internos e do Cedro ou Pinho na construção do mastro e retranca.
Categoria: Aguas interiores com possibilidade de uso em mar aberto
Motorização: Nenhuma (motor de popa se adaptado um suporte à popa)
Tripulantes/ pernoite: 6 e 4
Comprimento: 24’ pés ou 7,20 m
Linha d’água: 6,66 m
Boca: 2,36 m
Calado: 0,30 m com bolina levantada e 1,476 m com bolina abaixada
Área velica (Mestra e Genoa): 17,5 m² – A classe permitia os seguintes tipos de velas: vela de estai de capa com 2,2 m², bujarrona com 4,8 m², vela de estai com 8 m², paraquedas (como era chamado o Balão) com 38 m², genoa com 17 m² e grande com 17,5 m² e 5 talas.
Área velica (Balão): 38 m²
Deslocamento: 1.200 Kg
Tanque de água: N/D

Veleiros Guanabara competindo durante a 44ª Semana de Vela de Ilhabela de 2017 – Foto: Max Gorissen

Lista dos desenhos fornecidos pela Associação de Veleiros da Classe Guanabara (Rio de Janeiro) nos anos 50 e reproduzidos abaixo:

  • Folha 1 – Plano de mastreação e Velame
  • Folha 2 – Perfil – Secções – Diagonais e linhas de prova e d’água
  • Folha 3 – Sobre-quilha e secções da quilha
  • Folha 4 – Secções e tabelas de quotas
  • Folha 5 – Arranjos de construção e Plano de convés
  • Folha 6 – Plano de mastreação – cruzetas e vergonteas
  • Folha 7 – Diversos detalhes
  • Folha 8 – Velame
  • Folha 9 – Carro e arranjo da cabine
  • Folha 10 – Ferragens
  • Folha 11 – Ferragens
  • Folha 12 – Ferragens

Para referência, encontrei este exemplo de materiais utilizados na construção do veleiro Guanay e que foram adaptados pelo Sr. F. Lavrador em 1949 para o veleiro, na época, de propriedade do Senhor Kark H. Boddener:

Peroba do Campo:

  • Quilha
  • Roda de proa
  • Carro
  • Cavernas
  • Cavernas intermediárias
  • Paus de canto
  • Dormentes
  • Vaus
  • Garfo – suporte do mastro
  • Barrotes

Cedro:

  • Convés
  • Fôrro da cabine
  • Paneiros
  • Vaus da cabine
  • Arranjos internos

Cedro ou Pinho:

  • Mastro
  • Retranca

Os Guanabaras são barcos pesados para os padrões modernos, o que faz que acelere lentamente, porém também demoram em perder velocidade.

São veleiros que orçam muito bem por características da relação casco, quilha e leme e que velejam muito bem com ventos entre 8 e 12 nós. Abaixo disso, fica lento e acima começa a pedir rizo. Em função de ser um barco de bolina, ainda que profunda, ele não prima pela estabilidade.

Anda muito bem no través folgado.

O leme é pesado, sendo este uma lâmina de aço com aproximadamente 35 Kg.

Por outro lado, os Guanabaras, com tripulação completa (pelo menos 2 na escora), veleja muito bem em ventos fortes (acima de 15 nos).

O casco é de madeira, projetado para navegação em alto mar.

O cockpit é todo aberto e a tripulação senta-se na lateral do deck, sobre uns banquinhos ripados.

O fundo do cockpit se comunica direto com o porão. Não é estanque. De forma que toda a água que embarca pelo cockpit vai parar no porão interno. Por isso, é necessária uma bomba de porão manual no cockpit. Dois bujões, no ponto baixo do porão, um de cada lado da quilha, permitem esvaziar o porão quando em seco.

Possui uma cana de leme em forma de “V” (chamada de “garfo”) para permitir ao timoneiro ficar na escora, porém, esta ocupa muito espaço, o que diminui o conforto e capacidade do cockpit.

Dentro, cabem quatro pessoas dormindo.

Não tem banheiro, nem nenhuma instalação elétrica.

Aos lados da portinhola da cabine, dois armários guardam os “trecos”.

Na proa, uma caixa de madeira recebe a âncora, com acesso pela gaiúta de proa.

As vigias são todas fixas, com requadros em bronze externamente e madeira internamente.

Todo o casco e cavernas são visíveis desde dentro, sem nenhuma forração além dos paineiros.

Na popa, sob o deck, tem espaço para bujão de gasolina, escada de abordagem, boia circular, defensas, etc.

Todas as adriças se ajustam no pé do mastro, com somente uma única catraca no centro do banco do cockpit que permite acionar, alternadamente, as escotas e o cabo da bolina.

O mastro é de pinho de riga maciço com trilho para garrunchos. Obéns e estais são de cabo de aço 1/4″ com esticadores de bronze maciço.

No topo do mastro, uma “Martingala” sustenta o fracionamento do estaiamento.

Na popa um esticador de cabos regula o stay de popa.

A retranca é de cedro naval maciço também com trilho para garrunchos. A esteira se regula na própria retranca com redução por cabo de aço.

O pau de spinaker é de pinho de riga maciço.

O traveller original é um simples trilho de bronze sobre o qual corre em seco a base do moitão da escota da grande.

As velas podiam ser das cores branca e/ ou vermelhas.

Nas velas brancas, o numeral era feito de pano preto e, nas velas vermelhas, o numeral era feito de pano branco.

Os numerais e a letra G (Guanabara – código da classe: GUA) costurados na vela tinham medidas de 0,24 m por 0,39 m.

A classe permitia os seguintes tipos de velas:

  • Vela de estai de capa com 2,2 m²
  • Bujarrona com 4,8 m²
  • Vela de estai com 8 m²
  • Paraquedas (como era chamado o Balão) com 38 m²
  • Genoa com 17 m²
  • Grande com 17,5 m² e 5 talas

O Sr. Conrado García Ferrés, na época (2009), proprietário do veleiro Itacibá II, me enviou uma série de fotos (proibida sua reprodução e autoria acrescentada às fotos) do exterior e do interior deste veleiro e que apresento aqui para demonstrar os detalhes de um veleiro da Classe Guanabara:

Como mencionado acima, em 1946, foi fundada a AVCG – Associação de Veleiros de Classe Guanabara (1946 a 1967) com a ajuda de José Candido Pimentel Duarte, Jethro Prado, Fernando Labrador, Aníbal Petersen, Abílio José Ferreira, Carlos Murillo Reis, entre outros.

Na época da sua fundação, existiam no Rio de Janeiro um total de 40 destes veleiros e suas várias flotilhas, chamadas de Guanabaras, passaram a fazer parte da Associação. São estas:

  • Flotilha 1: Iate Clube Brasileiro
  • Flotilha 2: Grêmio de Vela da Escola Naval
  • Flotilha 3: Iate Clube do Rio de Janeiro
  • Flotilha 4: Clube de Regatas Guanabara
  • Flotilha 5: Iate Clube Carioca (Iate Clube Jardim Guanabara)
  • Flotilha 6: Clube dos Jangadeiros
  • Flotilha 7: Clube Veleiros do Sul

Os Guanabaras foram construídos por vários estaleiros e, a medida que vou descobrindo quais foram, os relaciono abaixo:

Matéria na Revista Yachting Brasileiro No. 44 de junho de 1948 – “Bate Papo – Como nasceu o Guanabara” – por João Tavares – Proibida reprodução. Todos os direitos reservados

Notícias da Classe Guanabara na Revista Yachting Brasileiro No. 48 de outubro de 1948 – Todos os direitos reservados – Proibida sua reprodução.

Duas matérias na Revista Yachting Brasileiro – “Rumo a Jurubatuba” e “Grande Purga Interestadual” – Proibida reprodução. Todos os direitos reservados

Cópia de artigo extraído da revista Yachting Brasileiro No. 183 de janeiro de 1960 escrito por Henrique Schmidlin intitulado “De Paranaguá ao Rio de Janeiro em Guanabara” – Todos os direitos reservados – Copyright de seus autores/ publicações.

Matéria “O Guanabara está entrando no mar – Chegou a hora da nostalgia” – Revista Vela e Motor – Ano I – No 3 – maio de 1977. Todos os direitos reservados. Proibida sua reprodução.

Revista Náutica – “A volta de um clássico” por Gilberto Ungaretti – Proibida reprodução. Todos os direitos reservados.
Nome originalAnoNumeralOutros nomes
Frauenlob IV1936G-1Itapacis
Sênior1936G-2Itaicis
Marreco1938G-3Gven
Mergulhão1938G-4
Gaivota1938G-5
Jaburu1941G-6
Jacamim1941G-7
Guará1942G-8
Grazina1938G-9Mengo, Serenella
Vanadis1940G-10Jurujuba, Nirvana, Branquinho, Nuvem Branca
Curiola1940G-11Marília
Osna1941G-12Comemoran
UbirajaraG-13Fail, Bandit
Meia NoiteG-14
WarsoG-15Vagabundo
Xerem1945G-16
Gaibú1948G-17Bem Bom
GipsyG-18Xinxin, Sea Vien
Lafayette1945G-19Meu e Teu, Tihany, Traquejado
Araucan1945G-20Zumbi
Manola1946G-21Ondina, Respingo
ArpegeG-22Miracatu, Sassarico, Danubio
Santa MathildeG-23Malu
PampulhaG-24Chavantes, Santa Mathilda, Enxuto, Angela, Sansão
Do Viana1945G-25São Felipe, Baruma, Bolero, Palmir
CorinaG-26Ayesha II
Tequila – Este número estava vago por desistência de Flávio Dale de Curitiba, PR – iria para Paranaguá (?)G-27
Grude1948G-28Zarpa, Carinho
PoraquêG-29Tirano
PompomG-30Béa, Papaco
CasablancaG-31Batuta, Tainan
Rigel1938G-32Lula Bay
MoonlightG-33
Lycata1947G-34Garôa, Don Juan
ArauáG-35Aruá
PirolitoG-36Alouette, Coringa, Samba
TuricumG-37Suissa(?), Tuita
TiragemG-38
AndurôG-39Bem Bom
G-40
Shaun1949G-41
G-42
G-43
G-44
Yeda1946G-45
G-46
G-47
G-48
G-49
Aloha1948G-50Guararujá ?
G-51
G-52
Toro1951G-53Mara ?
G-54
Mandarim IIG-55
Alcatraz1945 ?G-56
Guanay1949G-57
G-58
G-59
G-60
G-61
Meia LuaG-62
G-63
G-64
G-65
Trabuzana1954G-66
G-67
BoateG-68
G-69
G-70
G-71
Jaçanã1954G-72
G-73
Alcatraz1954G-74
G-75
Brekele1953G-76
LevadoG-77
IbisG-78
G-79
G-80
PokonG-81
MeteorG-82
MaraG-83
AtlantisG-84
G-85
G-86
G-87
G-88
Umuarama1960G-89
G-90
G-91
AquariusG-92Albacora ?
ShangaiG-93
G-94
G-95
RippleG-96
Itacibá II1947G-97
MolineseG-98
G-99
Bit BitG-100Trabuzana
Bruma II1964/65G-101

Veleiros da Classe Guanabara que encontrei o nome mas não consigo relacionar com um dos numerais ou nomes acima. Se puder ajudar a relacionar os veleiros, entre em contato:

NomeAnoNumeralOutros nomes
Abraão1968Fideri
Arisco
CaprichoDjali II
Embaré
Espírito Pirata1950Orca IV, Fênix (2025)
Favorito
Hawaii
Mimbora1970
Motim
Nazaré1954Xucro, Bonanza-A e Nirvan
Nudd1963
Pato Preto
Pernalonga
Pirata
Suiço
Velaris1961
Veterano1947

O Guanabara de nome Arisco pertenceu ao meu avô Octávio Baptista Figueira nos anos 40, notem que a imagem (abaixo) dele é do Iate Clube do Rio de Janeiro e não havia nenhum veleiro ancorado na enseada de Botafogo, ela está completamente vazia.

O Guanabara de nome Arisco com Octávio Baptista Figueira nos anos 40 – Iate Clube do Rio de Janeiro – Enviada por: Roberto Clément Figueira, em 27/03/2010:

Sou proprietário de um veleiro e apaixonado pela classe Guanabara.
Comprei um há três anos no limite de não ter mais condições de recuperação.
Assim, estou praticamente fazendo um barco novo; desde trocar metade do convés, paredes da cabine, um terço da quilha, mais da metade das cavernas, o tabuado das obras vivas na proa, junto à quilha, uma nova caixa de bolina, novo cockpit, enfim uma baita reforma.
Gostei muito de como ficou o Itacibá II, os atuais proprietários estão de parabéns. Hoje moro em Florianópolis, mas meu Guanabara ainda está em Porto Alegre onde morava. Na região conheci outros Guanabara que posso citar a seguir:
O mais íntegro de todos – MIMBORA de Bruno Steiger, construído (se não me engano) pelo Roberto Funck no Bairro Tristeza, Rua Armindo Barbedo onde tinha um estaleiro. Este veleiro foi encomendado pelo Breno Caldas, dono do Correio do Povo na época.
Outros Guanabara, além dos citados no texto do site são o ALOHA, que foi reformado pelo Pedro que trabalhava na Marina Lessa, o PATO PRETO, de propriedade do Derli (o veleiro está na Marina Lessa e o proprietário trabalha no Iate Clube Guaíba), o PIRATA que é um Guanabara um pouco diferente, mais comprido (alteraram a planta, mas é um Guanabara) e do qual retiraram a caixa de bolina e colocaram um patilhão. Tem o PERNALONGA que está (ou estava) apodrecendo no arroio Itapuã, o HAWAII e o FIDERI que estão no Rio Grande Yatch Club, em Rio Grande.
Ouvi uma história sobre um Guanabara que certa vez ia (se não me engano) de São Lourenço a Tapes e capotou com umas quatro ou cinco pessoas dentro, que morreram neste acidente. Diz que este Guanabara está deitado de lado em um quintal em São Lourenço, mas ainda inteiro.
Outro Guanabara que deve estar em Porto Alegre é o UMUARAMA que foi doado ao Pão dos Pobres para que fosse reformado pelos alunos de carpintaria de lá.
Outro Guanabara que me recordo é do STEPENWOLFF (não sei se é esta a grafia correta) do Capitão Centauro, que escreve para a revista velejar e meio ambiente.
Por fim, o meu Guanabara, que estava em Tapes, seu nome foi XUCRO e BONANZA-A. Creio eu que nenhum era o nome original, assim renomeei a embarcação: NAZARÉ. Provavelmente estará navegando pelas baías de Florianópolis daqui há alguns meses e terei o prazer de relatar como foi a reforma com detalhes e fotos.
Histórias interessantes sobre Guanabara são encontradas na página http://www.popa.com.br, inclusive da Copa Brisa, uma regata só de Guanabara, saíam do Veleiros do Sul, iam ao farolete da Ilha do Barba Negra na Lagoa dos Patos, farolete das desertas e retorno.
Como disse sou um apaixonado e quero mais, se alguém conhecer minha embarcação e souber algo sobre sua história, quem construiu, seu ano de construção, onde, histórias e fotos de outros Guanabara, ficaria superfeliz em compartilhar.

Ouvi uma história sobre um Guanabara que certa vez ia (se não me engano) de São Lourenço a Tapes e capotou com umas quatro ou cinco pessoas dentro, que morreram neste acidente. Dizem que este Guanabara está deitado de lado em um quintal em São Lourenço, mas ainda inteiro.
Na época, existia a Copa Brisa, uma regata só de Guanabara, que saíam do Veleiros do Sul, iam ao farolete da Ilha do Barba Negra na Lagoa dos Patos, farolete das desertas e retorno.

Buenas companheiros, é um prazer poder compartilhar com vocês um assunto extremamente prazeroso: falar de veleiros antigos, especialmente nossos Guanabaras! Já não me lembro o que disse sobre minha embarcação naquele e-mail que enviei para o Max, assim se for repetitivo por favor ignorem.
Vamos lá, estou curiosíssimo para saber quem construiu meu Guanabara, onde e quando, não sei. Era originalmente todo de cedro com a quilha e as cavernas de louro. O convés e a cabine são de tábuas com calafeto, característica esta que sugeriu ao Conrado que o meu é ainda mais antigo que a maioria. Ele é semelhante ao Umuarama, Atlantis e Nirvana, cujas fotos aparecem no http://www.popa.com.br (tem um texto ilustrado com fotos bem bacana de uma viagem Porto Alegre-Rio Grande-Porto Alegre).

O “Itacibá” foi construído no Estaleiro “Varetas” em 1946, propriedade do Mestre Manoel Rodrigues, em Vitória, ES. No mesmo estaleiro foi construído o Guanabara “Bruma” do Comandante Justus, hoje no ICB de Niterói, Baia de São Francisco.
O “Itacibá” teve sua caixa de bolina modificada em 1958, deixando de ser tipo “meia lua” e passando a ser tipo “patilhão bolina” com 1,70m de calado com ela abaixo. Esta solução, além de baixar o CG da bolina, limpou a cabine, deixando a caixa de bolina bem baixa e servindo como mesa. Ela não ultrapassa a altura dos beliches.
Dentro, cabem quatro pessoas dormindo. Não tem banheiro nem nenhuma instalação elétrica. Aos lados da portinhola da cabine, dois armários guardam os trecos. Na proa uma caixa de madeira recebe a âncora, com acesso pela gaiúta de proa. As vigias são todas fixas, com requadros em bronze externamente e madeira internamente.
Todo o casco e cavernas são visíveis desde dentro, sem nenhuma forração além dos paineiros.
Sob os paineiros da cabine enchi de garrafas Pet para ajudar na flutuação em caso de capotagem. Sob os paineros do cockpit e na proa coloquei flutuadores de Optimist com o mesmo objetivo.
O fundo do cockpit se comunica direto com o porão. Não é estanque. De forma que toda a água que embarca pelo cockpit vai parar no porão interno. Para isso temos uma bomba de porão manual no cockpit. Dois bujões, no ponto baixo do porão, um de cada lado da quilha, permitem esvaziar o porão quando em seco. O cockpit é todo aberto e a tripulação senta-se na lateral do deck, sobre uns banquinhos ripados.
Não há guarda-mancebo no barco.
Originalmente todas as adriças se manobravam no pé do mastro. Eu desviei a adriça da grande e da buja para o teto da cabine com acesso desde o cockpit.
Originalmente tinha somente uma única catraca no centro do banco do cockpit que permite acionar alternadamente, as escotas e o cabo da bolina. Eu comprei duas catracas de bonze maciço em um desmanche em San Isidro, Buenos Aires, e coloquei nas bases existentes em cada bordo. Agora temos 3 catracas de bronze, com suas manicacas originais.
Originalmente tinha uma cana de timão em forma de “V” para permitir o timoneiro ficar na escora. Porém ocupava um espaço enorme, diminuindo o conforto e capacidade do cockpit. Coloquei uma cana reta com extensão “Spinlock” e ficou bem mais espaçoso e comodo. Com a cana em “V” era impossível manobrar quando alguém tinha que acionar o motor de popa.
O mastro é de Pinho de Riga maciço com trilho para garrunchos. Obéns e stais em cabo de aço 1/4″ com esticadores de bronze maciço. No topo, uma “Martingala” sustenta o fracionamento do estaiamento. Na popa um esticador de cabos regula o stay de popa.
A retranca é de Cedro naval maciço também com trilho para garrunchos. A esteira se regula na própria retranca com demultiplicador de cabo de aço.
O pau de spinaker é de Pinho de Riga maciço.
O traveller original era um simples trilho de bronze sobre o qual corria em seco a base do moitão da escota da grande, com o qual sob pressão não corria devidamente. Troquei por um traveller de trilho de alumínio com carrinho sobre roletes e agora funciona fácil.
Na popa, sob o deck tem espaço para bujão de gasolina, escada de abordagem, boia circular, defensas, etc.

Olá, fui proprietário durante alguns anos de um Guanabara e gostaria de dar algumas informações a respeito deste formidável veleiro.
Não obstante seja um projeto muito antigo, nos finais dos anos 70, Bruce Farr, um conhecido projetista lançou o “revolucionário” na época J 24, um barco muito similar ao Guanabara. Li no depoimento constante no texto a respeito do barco o desconhecimento de seu desempenho com o “balão”. Posso garantir é espetacular. Fizemos uma perna de popa na famosa Regata da Escola Naval (Baia da Guanabara) inteira com o Edu Penido e Marcos Soares e seu 470 (campeões olímpicos) a 10 metros atrás de nosso barco de uma boia a outra. Estávamos os 5 tripulantes na popa, meia bolina e com genoa.
O Guanabara é um barco escola fantástico. Nos anos 70 fizemos regatas com quase 20 barcos Guanabaras, divididos em 3 categorias, A, B e C.
Lembro dos seguintes barcos: Serenella G-9, Ayesha G-26, Nuvem Branca G-10, Traquejado, Trabuzana, Albacora, Meia Noite, Brequelé, entre outros.
O maior feito de um Guanabara em regatas pelo que me lembro, foi com o próprio Serenella que conquistou uma fita azul numa regata com vários barcos oceano de volta de Paquetá/ YCRJ, quando chegamos duas horas na frente do segundo lugar, um barco oceano de quase 40 pés preparado para regatas.

Você (Max Gorissen) me perguntava como veleja o Itacibá. Ainda tenho velejado pouco com ele, apenas uns dois meses antes de pará-lo para restauração e algumas semanas depois de restaurado. Posso dizer que é um barco pesado para os padrões modernos, na ordem dos 1000 Kg para 24. Isso faz que acelere lentamente, porém também demora em perder velocidade. Meu ponto de comparação é com meu antigo Microtonner Seaside, BRA 179, que sem dúvida era muito mais ágil e rápido. O Itacibá orça muito bem até os 40º de WA. Com ventos entre 8 y 12 nós é quando anda melhor. Abaixo disso fica lento e acima começa a pedir uma mão de rizo. Em função de ser um barco de bolina, ainda que profunda, ele não prima pela estabilidade. Anda muito bem no través folgado, nos 120/130º de WA. Ainda não levantei o spi, para avaliá-lo no popa. O leme é pesado, ele mesmo é uma lâmina de aço com seus 30/35 Kg. Na entrada da rajada tem que segurar a cana com as duas mãos para que o barco não entre no vento. Isto talvez ocorra porque velejo com a buja. Possivelmente colocando o genoa fique mais equilibrado. Na Represa não tem ondas como para avaliar o comportamento marinheiro, porém quando encontro alguma esteira de lancheiro, corta as marolas sem se inteirar. O peso e o fundo em V ajudam para isto. Como não tenho GPS não tenho medido velocidades.

Pelo que tenho entendido a Associação de veleiros da Classe Guanabara disponibilizava os desenhos dos barcos, entregando cada jogo de plantas com um numeral específico.

História do veleiro ITACIBÁ II, Guanabara 24, Numeral G-97:

Construído artesanalmente em cedro naval pelo Mestre Manoel Rodrigues em 1946, na Praia de Suá, baia de Vitória, Vitória, ES.
1946-49: Estaleiro Varetas. Vitória, ES.
1949-59: Edson Nicoll. Iate Clube Icaraí, Niterói, RJ.
1959-2002: Karl. H. Boddener. Iate Clube Brasileiro, Niterói, RJ.
2002-2008: Cassiano Monteiro Neto. Iate Clube Brasileiro, Niterói, RJ.
Março 2008 em diante: Conrado García Ferrés, Yacht Club Paulista, Guarapiranga, São Paulo, SP.
Restaurado em 2009 por Luiz Domingues (YCP).

Max! Boa tarde! Sobre o Guanabara: no nosso clube RGYC, foi construído o “Motim“, feito pelo carpinteiro naval Acir. Foi todo feito em Peroba rosa. Pesadíssimo. Era do Sr. Waldir Fonseca.
Em Pelotas, havia o “super” Guanabara de nome Capricho do Chico Caruccio. Este, ao contrário do anterior, era todo aliviado. Cedro rosa no casco e deck de compensado fino. Foi o primeiro Guanabara com cockpit estanque. Vendido depois para o Sr. Henrique José Vieira da Fonseca com nome de Djali II. Acho que hoje está no Museu de Rio Grande.
Em Pelotas há alguns ainda ativos.
Havia também o do Prof. Wander. Cujo nome não me recordo agora… e o Guanabara de nome “Embaré” do Prof. Wander. Construção tradicional.
Outra história interessante é a do veleiro Guanabara de nome “Mimbora“, encomendado ao estaleiro do Roberto Funck que, na época, estava com pouco serviço, pelo Sr. Breno Caldas do Jornal Correio do Povo (também dono do veleiro Aventura, um Finisterre 38). Assim que o Roberto entregou o veleiro, este foi enviado ao Haras do Breno e colocado em um galão onde permaneceu por muitos anos “sem nunca ter visto água” até ser vendido como parte da maça falida do jornal.
Aproveitando, o veleiro de nome Aventura, é um projeto de muito sucesso do escritório naval norte americano Sparkman & Stephens, construído a partir do desenho número 1054, também conhecido por Finisterre (nome do primeiro barco construído), um yawl centerboard de 38′ 8″ pés. Foi construído em Porto Alegre entre 1955 e 1957 pelo engenheiro naval alemão Robert Funk, todo em madeira (como Cedro Rosa e Cabreúva), inclusive os mastros, para o jornalista Breno Caldas.

Itaciba II – Foto enviada por José Guilherme Clementi Charles

Uma correção no texto, os Guanabaras com tripulação completa, com pelo menos 2 na escora, veleja muito bem em ventos fortes (acima de 15 nos). Na foto acima, na semana de vela de 2014, velejávamos com ventos de até 25 nós na rajada e o barco respondeu super bem.

Fotos do Guanabara “Favorito”, construído na década de 50 pelo Sr. Ralph Hauer no estaleiro Pinguim de Augusto Wiemers em Curitiba, e que realizou, junto com seu amigo e navegador Henrique Schmidlin, a travessia Paranaguá Rio de Janeiro, conforme reportado na revista Yachting Brasileiro No. 183 de janeiro de 1960 (ver cópia do artigo em “Matérias da época” neste texto). Anos depois Ralph Hauer contratou o mesmo estaleiro para construir o ketch Bystra (Queche Bermuda – Ithurbide de 43 pés construído em 1967).

Várias fotos do veleiro Guanabara “Favorito”, ainda no Estaleiro Pinguim, de Augusto Wiemers em Curitiba – Fotos: Ralph Hauer – Fotos enviada por: Ronaldo Assumpção

O veleiro Bruma II, foi originalmente o veleiro que participou como “Irene” em rede nacional no programa “A grande família” na TV Globo. Contudo, o Bruma II foi substituído nas cenas finais da novela por um veleiro da Classe Karioca, o veleiro Aragem.

O veleiro Bruma II navegando durante cena de 2013 do programa da TV Globo “A grande família” onde “atuou” com o nome “Irene”. Foto: TV Globo. Todos os direitos reservados. Proibida sua reprodução.
O veleiro Bruma II em cena de 2013 do programa da TV Globo “A grande família” onde “atuou” com o nome “Irene”. Foto extraída de vídeo: TV Globo. Todos os direitos reservados. Proibida sua reprodução.

Sobre a novela: Tipicamente brasileira, a família Silva mora em um subúrbio na Zona Norte do Rio de Janeiro, convive com suas diferenças e ajuda uns aos outros a contornar as situações mais inusitadas.
Emissora original: TV Globo
Primeiro episódio: 29 de março de 2001 (Brasil)
Episódio final: 11 de setembro de 2014
Criadores: Vianinha, Cláudio Paiva, Armando Costa, Oduvaldo Vianna Filho
Gêneros: Comédia, Infantil, Humor, Sitcom
Idioma: Português

Curiosidade: Originalmente, o veleiro Bruma II, um Classe Guanabara, foi usado na filmagem da novela, contudo, como o pessoal não cuidou muito bem do veleiro durante a filmagem, o Sr. Luiz Justo, seu proprietário, não deixou que fosse mais usado. Como o veleiro iria ser usado ainda nas filmagens finais, tiveram de conseguir um veleiro às pressas e “mascará-lo” de “Irene”. O veleiro usado foi o Classe Karioca Aragem que foi adesivado para ficar parecido com o Bruma (foto). Conforme informação de Tiago Gava.

Este é um trabalho que iniciei quando era editor da SailBrasil.com.br e, desde aquela época, em diferentes momentos, várias pessoas entraram em contato comigo, passaram informações enquanto batíamos um papo, contaram “causos” ocorridos com eles e ajudaram com informações, materiais, histórias, fotos e depoimentos que ajudaram a compor este trabalho e a quem quero agradecer:

  • Roberto Clément Figueira
  • Hellen José Florez Rocha
  • Conrado García Ferrés
  • Francisco Luiz Silva do SPYC (com edições da Revista Yachting Brasileiro)
  • Omar Sfair
  • Raymond Grantham
  • José Guilherme Clementi Charles
  • Sr. Luiz Justo
  • Torben Grael
  • Marcos Soares
  • Tiago Gava – Veleiro Classe Guanabara Bruma II
  • Lucca Modenesi – Veleiro Classe Karioca Thalassa
  • Renato Martins – Veleiro Classe Guanabara Itacibá
  • Ronaldo Assumpção
  • Murillo Novaes – por Instagram e informações em seu livro “Vela Esportiva Brasileira

Espero que tenha gostado pois, cada embarcação clássica tem uma história única para contar e que pode servir de referência e consulta para historiadores, pessoas e instituições interessadas, antigos e novos proprietários e o público em geral, promovendo assim a rica e as intrigantes histórias associadas a esses clássicos e preservando e aumentando assim seu significado cultural para as gerações futuras.

Bons ventos!

Max Gorissen
Velejador. Escritor.


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