Arquivo fotográfico da história da vela brasileira

Como “historiador”, escritor, e amante da vela brasileira e da sua história, sempre tive dificuldade em encontrar fotografias ou materiais que “comprovem” ou “ilustrem” um determinado momento da história.

Uma fotografia, na sua forma mais simples, é uma imagem capturada por uma câmera como um único registro daquele tempo e lugar específicos, constituindo um registro fotográfico visual de algo, e criando uma memória singular no tempo.

Assim, imagens fotográficas podem “funcionar” como auxiliares da memória, substitutos da observação direta, vislumbres de vidas passadas, registro de lugares esquecidos, ou até, cópias confiáveis ​​de circunstâncias ou de eventos do cotidiano.

As fotografias podem também nos ajudam a moldar nossa compreensão da cultura, da história e da identidade das “pessoas”, dos “lugares” ou dos “objetos” que aparecem nelas.

Por isso, a fotografia é uma ferramenta de documentação precisa e objetiva, criando uma conexão inextricável com o mundo real, já que o filme registra “sem prejuízo”, o que está diante da lente da câmera. É, para o “historiador”, uma comprovação “factual” de um relato escrito, verbal ou de uma teoria.

Meu pai, Maximilian Immo Gorissen, faleceu aos 84 anos no ano de 2017 e, pouco tempo depois, enquanto olhava alguns álbuns com fotos da família, encontrei um álbum com dois veleiros estampados em sua capa.

Capa do álbum de fotos. Foto: Max Gorissen

Ao abri-lo, encontrei uma série de fotografias, tiradas nos anos 1950 e 1960, que exibiam meu pai velejando em regatas de veleiros da Classe 505 na Austrália, e em um veleiro de madeira chamado “So-Dee“, durante a regata Mackinac Race de julho de 1959 nos USA.

Eu sabia que meu pai velejara durante sua juventude, contudo, nunca havia visto uma foto de suas velejadas.

As fotos, além de constituírem um registro visual de uma época da vela, mesmo que da vela internacional, por meu pai ter também descrito atrás de cada foto o que aconteceu no momento em que a foto foi tirada, ato típico das gerações anteriores, fez com que este álbum passasse a ser também um registro escrito da história, do que aconteceu com as pessoas, reconhecidas por seus nomes, e com os veleiros, que participaram. Um registro único de uma época!

Interessado em fazer um registro mais completo daquela regata Mackinac de 1959, tentei em vão obter mais informações, inclusive por meio de uma consulta direta ao Chicago Yacht Club.

Contudo, como já esperava, ninguém soube me dizer quais foram os veleiros, suas posições de chegada, as condições de tempo e nem mesmo “anedotas” ou curiosidades daquela regata específica. Tudo que sabiam era qual foi o veleiro vencedor. Nem quem ficou com o segundo lugar sabiam!

É uma pena: acredito que a grande maioria das pessoas que participaram da regata já devam ter falecido, o que dificulta a coleta de informações. Infelizmente, ele nunca me contou sua história naquela regata. Assim, basicamente, o registro fotográfico e escrito atrás de cada foto de meu pai, é tudo que resta “disponível” no momento sobre aquela regata. Quem sabe, alguém algum dia encontre mais informações de outros participantes “abandonadas” em uma estante da sala de casa ou num baú na garagem … mas encontrar não é suficiente, para que seja útil, precisa divulgar o que encontrou para que a história não se perca.

Se você tiver a Edição Número 5 (março 2019 a agosto 2019) da revista SailBrasil Magazine, poderá ler o artigo completo, ver todas as belas fotos que meu pai tirou e saber o resultado … de qualquer maneira, reproduzo abaixo algumas fotos, incluíndo a parte de trás, para que tenha uma idéia:

Todas as fotos acima foram tiradas por Maximilian Immo Gorissen e fazem parte do acervo da família Gorissen. Todos os direitos reservados. Proibida sua reprodução sem permissão.

Quem me conhece, sabe que tenho como sonho um dia poder implementar uma iniciativa para preservar o patrimônio náutico brasileiro … um centro de registro, restauração, preservação, guarda adequada e uso contínuo das embarcações clássicas brasileiras, em especial os veleiros.

Cada velejador, clube de vela, evento náutico ou embarcação clássica, para citar alguns, tem uma história, muitas vezes única, para contar.

Descobrir e registrar essa história, além da sua apresentação para uma leitura prazerosa, serve de referência e consulta para historiadores, pessoas e instituições interessadas, antigos e novos proprietários de embarcações e o público em geral, promovendo a divulgação da rica e das intrigantes histórias associadas a vela brasileira, e preservando e aumentando assim seu significado cultural para as gerações futuras.

Álbuns de fotos antigas de família, slides, revistas, folhetos, planos, peças, medalhas, entre outros... tudo é registro e serve para comprovar uma informação. Foto: Max Gorissen
Álbuns de fotos antigas de família, slides, revistas, folhetos, planos, peças, medalhas, entre outros… tudo é registro e serve para comprovar uma informação. Foto: Max Gorissen

Para desenvolver meus textos e artigos sobre a vela e os veleiros brasileiros, busco constantemente informações e registros sobre o que aconteceu, sobre fatos vividos e, essencialmente, sobre a história de determinado assunto… muitas vezes, encontro registros e informações em diversos níveis de especificidade, mas não necessariamente encontro fotografias que sirvam para comprovar a informação.

Não porque não existam, mas porque não tenho acesso a elas. Isso porque, algumas se perderam com o tempo, outras, devido a tecnologia da época ou a maneira como foram armazenadas, estão desgastadas e são difíceis de “visualizar no detalhe” e, ainda, encontro algumas que foram digitalizadas, mas em baixa resolução ou com partes faltantes (recortadas), o que impede seu uso e sua “leitura” adequada. Estas últimas, na sua maioria, possuem também o problema da falta de autoria.

Contudo, a grande maioria das fotografias estão na verdade “esquecidas” em álbuns de fotografias de famílias, estas sim, “perdidas” para sempre, em alguma prateleira empoeirada.

São essas as fotografias que procuro e que gostaria que toda pessoa que esteja lendo este texto, faça o favor de resgatar e, não importa o formato ou como, se for de seu interesse compartir, de alguma maneira, as faça chegar a mim para que possa continuar a registrar e relatar a história da vela brasileira.

A história da vela brasileira é muito rica e virtuosa, mas está morrendo e desaparecendo aos poucos junto com seus protagonistas… gostaria e trato de mudar isso!

Por este motivo, se tiver alguma “prova” de registro da história da vela ou dos seus participantes, envie para mim (entre em Contato).

Podem ser impressões fotográficas, folhas de contato, negativos, cartas, cartões de visita, pôsteres, brochuras, programas, diários, pedaços de papel, fitas cassete, cadernos, recortes de revista ou de jornal e, até mesmo, algum tipo de material efêmero, como uma taça, uma medalha ou uma simples peça de um veleiro, e que possa ser coletado e usado como evidência de um momento esquecido da história da vela brasileira. Além disso, um simples relato, uma lembrança que, por sua relevância, provoque um aprofundamento no assunto e até uma pesquisa completa, são sempre bem vindos!

É claro, preciso saber a quem pertenceu ou pertence e quem enviou, para fazer o registro histórico e dar a devida autoria.

O próximo registro histórico pode estar em algo que você sabe ou possui, e nem sabe de sua importância! … importância não necessariamente no sentido financeiro, mas para esclarecer um momento da história da vela brasileira!

Aguardo seu contato!

Bons ventos!

Velejador. Escritor. Editor. Construtor de veleiros de madeira.

Max Gorissen – Velejador. Escritor.

Tenho como sonho um dia poder implementar uma iniciativa para preservar o patrimônio náutico brasileiro… por isso, já pensando em algum dia poder implementá-lo, além do Cadastro de Veleiros Clássicos, decidi pesquisar e escrever artigos sobre diversos assuntos relacionados à vela brasileira, entre eles, os veleiros desenvolvidos no Brasil… é sobre isso que irá encontrar informações no texto abaixo… caso possa colaborar com informações ou registros históricos, entre em contato. O que não podemos deixar acontecer é essa história se perder.


Descubra mais sobre Max Gorissen

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.