Barracuda

  • Ano de Fabricação: 1954
  • Outros nomes: Vagamundo, Flegon
  • Modelo: Classe Brasil
  • Estaleiro: Estaleiro Arataca – Florianópolis – SC
  • Material construtivo: Madeira
  • Armação: Sloop
  • Propulsão: Em 1975: Volvo Penta diesel de 25 HP
  • Tripulantes/ Passageiros:
  • Numeral: BL 40
  • Comprimento: 40’ ou 12,50 m
  • Design No.:
  • Linha d’água (m): 8,42 m
  • Boca (m): 3,06 m
  • Calado (m): 1,80 m
  • Área velica (m²): 64,1 m²
  • Deslocamento (Kg): 10.000 kg
  • Projetista: Sparkman & Stephens
  • Proprietários conhecidos: Paulo Ferraz (1954), representante da Brookes & Gatehouse (Rio de Janeiro), Global Transportes. Empresa de Transporte Marítimo de propriedade de Capitão de Mar-e -Guerra reformado, (Clube Guanabara – RJ – ? a 1974), Sergio Aguiar e João Valiante (1974 a 1981 – mudaram o nome para Vagamundo – Iate Clube de Rio de Janeiro – veja relato abaixo em “Depoimentos”), dois engenheiros alemães que trabalhavam na empresa KWU na Usina Nuclear de Angra dos Reis – RJ (1981-?), …, João (ficava no Bracuhy-RJ – mudou o nome para Flegon), Paulo Neto e Luiz Fernando (Flegon – ficava no Guarujá-SP), João Andreas “Andy” Dierberger (mudou o nome para Barracuda – em 2026 fica atracado no Engenho em Paraty-RJ).
  • Observações:

Max, valiosa pesquisa!
O Flegon existe e restauramos.
Pesquisas indicaram que era o Barracuda, BL 40.
Assim o denominamos.

O veleiro Barracuda (BL 40) estava ancorado em poita do Iate Clube Guanabara próximo ao Morro da Viúva na Enseada de Botafogo no Rio de janeiro. Era pintado em cor azul clara e era lindo. Foi paixão à primeira vista. Indo para o trabalho estacionava o carro sobre a calçada próximo ao Morro da Viúva e ficava admirando-o.

Não tinha experiencia anterior na vela, mas comprava todos os livros disponíveis e os estudava com afinco (havia pouca literatura a respeito no Brasil e a maioria era em francês e alguns em inglês adquiridos na Livraria Leonardo da Vinci no Edifício Marquês do Herval no Centro do Rio de Janeiro).

Procuramos seu proprietário (Creio que Global Transportes. Empresa de Transporte Marítimo de propriedade de Capitão de Mar-e -Guerra reformado) que informou que queria vende-lo, enviando-o para pequeno estaleiro em São Gonçalo/ Niterói, supostamente para reformá-lo.

O Barracuda apesar de ter sido construído no Estaleiro Arataca com tudo que havia de melhor em materiais e equipamentos da época (seu dono, Paulo Ferraz era armador e proprietário do Estaleiro Mauá, fundado pelo Barão de Mauá), estava em péssimo estado, com seu motor a gasolina tendo se transformado num monte de ferrugem, estava cheio de água doce e em local que não tinha condições de tirá-lo da água.

Barracuda ou Vagamundo. Foto: Sergio G L Aguiar

Eu e meu concunhado, João Valiante, acertamos sua compra e o rebocamos para o Iate Clube do Rio de Janeiro, onde o colocamos em seco.

Seu estado geral era lamentável. Soubemos que, quando ainda de propriedade de Paulo Ferraz, tinha encalhado na Praia do Arpoador e foi vendido para o representante da Brookes & Gatehouse (B&G) no Rio de Janeiro que o reclassificou para navegação costeira e passou a utilizá-lo principalmente para eventos sociais, especialmente em poita no ICRJ onde era conhecido por Jacques Poita.

Não foi uma recuperação fácil. Demorou mais de 1 ano. Parte da popa estava podre, as tabuas do costado afastadas das cavernas e seus parafusos de fixação inutilizados por eletrolise. A parte inferior da quilha na parte que era em madeira (peroba do campo) estava comprometida por gusano (teredo) e teve que ser substituída. Retiramos o mastro, revisamos todas as ferragens e o estaiamento, substituindo tudo o que não estivesse em perfeitas condições.

Refizemos todo seu interior utilizando parte do seu projeto original, mas melhorando suas acomodações para utilização como em embarcação de lazer em alto mar, com material de salvatagem adequado, incluindo balsa salva vidas.

Substituímos seu antigo motor a gasolina por um novo Volvo Penta diesel de 25 HP, além de todos seus comandos e instrumentos de navegação B&G e instalamos nova bussola na sua roda de leme.

Em sua reforma contei com a colaboração de muitos amigos, especialmente meu cunhado Gerald Bemberg que doou livros e equipamentos, Urbano Pedral Sampaio que trabalhou comigo em vários finais de semana, Alexandre Levi e, através do Alexandre, as sugestões do Construtor Naval Eberhard Fischer (que na época estava construindo o veleiro Escândalo), além de experientes carpinteiro navais espanhóis que trabalhavam no ICRJ.

Placa comemorativa. Foto: Sergio G L Aguiar

A solução encontrada para a estrutura foi simples e muito trabalhosa: retiramos todo o calafeto (havia três camadas superpostas que geravam grande esforço para fora na estrutura e refizemos a fixação do taboado nas cavernas com rebites de cobre (dois por tabua por caverna), recalafetando todo o veleiro.

Para reclassificá-lo para navegação oceânica tivemos de mudar seu nome já que havia outros Barracuda em outros portos do Brasil.

O nome escolhido foi Vagamundo e a nova pintura foi preto com linha d’água branca e uma faixa branca próximo ao convés. As ferragens originais em bronze foram polidas (a manutenção era bastante cara, exigindo um marinheiro em tempo integral, mas o resultado era belíssimo).

Ficou conosco desde aproximadamente 1974 até 1981 quando, infelizmente, tivemos que vende-lo para dois engenheiros alemães que trabalhavam na empresa KWU na Usina Nuclear de Angra dos Reis.

Enquanto esteve conosco foi utilizado intensamente, velejávamos todos os finais de semana no Rio e em Angra dos Reis, onde passávamos prolongadas férias a bordo.

Não participamos de regatas já que à época ele não era mais competitivo, mas lembro de uma regata Rio-Angra para barcos clássicos, onde recebemos uma pequena placa comemorativa.

Saiba tudo sobre a história destes veleiros e sua classe no Brasil lendo o artigo: Um Brasil de classe única

RegataPosição
Rio-Angra para barcos clássicos?° lugar com Sergio G L Aguiar
Barracuda ou Vagamundo. Foto: Sergio G L Aguiar

Classe Brasil Barracuda. Fotos: João Andreas Dierberger em 2025

Barracuda no Estaleiro Pier 26 no Guarujá durante reforma de fevereiro a maio de 2017. Fotos: Max Gorissen

Barracuda na Marina do Engenho em 16/12/ 2024. Atrás, veleiro Froya II. Fotos: Max Gorissen

Classe Brasil Barracuda. Vídeo: João Andreas Dierberger em 2025

Tenho como sonho um dia poder implementar uma iniciativa para preservar o patrimônio náutico brasileiro… por isso, já pensando em algum dia poder implementá-lo, além do Cadastro de Veleiros Clássicos, decidi pesquisar e escrever artigos sobre diversos assuntos relacionados à vela brasileira, entre eles, os veleiros desenvolvidos no Brasil… é sobre isso que irá encontrar informações no texto abaixo… caso possa colaborar com informações ou registros históricos, entre em contato. O que não podemos deixar acontecer é essa história se perder.

Max Gorissen – Velejador. Escritor.


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