Antonia

Especificações

  • Ano de fabricação: 1983
  • Outros nomes: Zeus, Milo (já com 150 pés)
  • Modelo: Classe Antonia
  • Estaleiro: Interamericana Construções Navais Ltda sob supervisão de Plínio Froner, em Porto Alegre, na margem do rio Gravataí.
  • Armação/ Tipo: Ketch Marconi, com sistema roller furling acionado por catracas elétricas com opção manual. Área vélica de 560 m². A altura do mastro acima do convés é de 37m, enquanto o de mezena tem 27m.
  • Material do casco: Madeira: inteiramente construído em mogno de Rondônia, tem apenas a sua sobrequilha em freijó coberto por um véu de fibra de vidro. As cavernas e anteparas são em madeira moldada e apenas uma pequena parte do barco utilizou o compensado naval de cedro. Seu casco tem 5cm de espessura, em cinco camadas coladas com um novo produto da Ciba Geigy, o XR-1109. Toda a decoração interna do Antonia foi realizada pela loja Antoine, de Antoine Rulhe, de Ipanema, no Rio de Janeiro, e os móveis foram encomendados em Teresópolis.
  • Categoria: Oceano
  • Motorização: dois motores GM 6-71 M com 285HP cada; dois hélices de passo controlável.
  • Tripulantes: até 9 pessoas (tripulação e pessoal de serviço)
  • Numeral:
  • Comprimento: 131,5′ pés ou 40 m
  • Linha d’água: 33 m
  • Boca: 7,46 m
  • Calado: 3,75 m
  • Área velica (Mestra e Genoa): 560 m²
  • Área velica (Balão): N/D
  • Deslocamento: 140.000 Kg
  • Projeto: Jay Benford (USA).
  • Proprietários: Armando Vazzoni Filho (mandou construir em 1980, ficando pronto em 1983), Angus Robertson (1983 – levou para os USA), outros dois donos, Grupo Israelense (2005, passando por uma extensa reforma e voltando ao mar em 2012)… desde então o veleiro faz charters no mediterrâneo.
  • Observações: O Antonia foi o primeiro de uma série de quatro barcos a serem produzidos (foram?) pelo estaleiro Interamericana e, em 1982, o maior barco em madeira moldada do mundo com seus 40 metros de comprimento. O projeto teve início em 1980 quando a Interamericana (de Armando Vazzoni Filho) resolveu construir uma série de cinco grandes iates para cruzeiros oceânicos, destinados à exportação. Para o projeto, além de Roberto Barros “Cabinho” e Plínio Froner, foi contratada a assessoria de construção a um dos mais conceituados e profundos conhecedores de madeira moldada do mundo, John Guzzwell, famoso não só pela qualidade de seus barcos como por ter feito sozinho uma viagem em volta ao mundo no Trekka, de apenas 6,10 m.

Max, o Antônia foi exportado para USA e foi visto em Miami com outro nome fazem uns dez anos. O Engenheiro Gabriel Dias acompanhou e inspecionou a obra em POA e depois o embarcou no Navio em Rio Grande para ir para os USA. Dos 4 veleiros previstos, só um foi construído.

O Antonia, um megaiate de 140 pés de comprimento total (LOA), foi a maior embarcação construída em madeira e epóxi na época. O barco foi destaque na capa de uma edição da revista britânica “Show Boats”. Personalidades renomadas do mundo náutico, como o construtor de barcos britânico John Guzzwell e o arquiteto naval David Pedrick, famoso por sua atuação na America’s Cup, atuaram como consultores durante a construção.

O dia em que Antonia foi virada. Sou a pessoa que aparece mais à esquerda na foto de cima. A foto de baixo, mostra a estrutura já montada e nivelada, pronta para receber o revestimento laminado.

Eu tinha voltado da Polinésia e escrevi o livro “Do Rio à Polinésia“, publicado pelas Edições Marítimas, do Jacques Mille. O livro foi um sucesso. O milionário que comprou o projeto do Antonia era um leigo, mas era um gênio dos negócios. Ele me convidou para orienta-lo e eu fui encarregado para formar uma equipe técnica. Fui eu que recomendei o estaleiro Barco Sul do Plinio Froener!

Infelizmente essa foi uma história triste. O milionário, quando o barco estava quase pronto, sofreu um problema financeiro, ficou doente e morreu. O barco foi vendido ainda inacabado para um inglês e então não sei o que aconteceu com ele. Sei que foi rebocado até os Estados Unidos onde deve ter sido finalizado, porém, desde então, não sei mais nada sobre ele.

Trecho de texto extraído do livro “Quando o Mar Canta – Vida, obras e aventuras de um dos maiores construtores navais do Brasil” de Marco Antônio Milani (para comprar clique aqui) e enviado por Xavier: “A construção do Veleiro Antonia empregou Thierry Stump logo após a sua travessia do Atlântico, dando início a uma carreira que teria como ponto alto o Paratii II. Antonia, à época, reuniu boa parte dos grandes artífices da construção naval no Brasil, mas foi interrompida precocemente devido a problemas do armador com a Justiça. Thierry foi desligado do projeto pouco antes da bancarrota, mas decidi que seria justo descobrir o destino daquele barco. Ninguém que eu contatei sabia do paradeiro do veleiro até que cheguei a Jay Benford, seu principal projetista. Jay informou que o barco fora comprado por um britânico, que contratou David Pendrick para finalizar o projeto e o rebatizou como Zeus. Buscas por estas palavras chaves levavam à história de um veleiro chamado Milo, de aparência muito diferente e com casco medindo 150 pés, ao invés dos 131originais do Antonia. Não pareciam o mesmo barco, mas um detalhe me chamou a atenção: Milo possui um casco de madeiras nobres brasileiras e a casaria em alumínio. Achei bastante incomum e resolvi apresentar as fotos do Milo para Thierry e Jay que me confirmaram. A popa havia sido cortada e estendida, o projeto completamente alterado. Desde seu comprador inicial, Angus Robertson, o barco passou por outro dono e outro refit e passou anos abandonado sem que voltasse a navegar. Só em 2005, ele foi arrematado por um grupo israelense e passou por uma nova reforma até voltar ao mar em 2012. Desde então, ele faz charters pelo Mediterrâneo” (Copyright Marco Antônio Milani. Todos os direitos reservados. Proibida sua reprodução).

O Marco Milani escreveu uma bibliografia do Thierry Stump bastante realista. Lógico que posso dizer de carteirinha por acompanhar toda a trajetória.

O Antônia envolveu também o Gabi da North Sails; o Thierry me conta que o convidou para uma reunião no escritório do armador, pois já conhecia seu talento em mastreação e velas.

RegataPosição
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Antonia – Projeto do ketch de 131 pés construído em Porto Alegre no ano de 1983. Projeto de Jay Benford (USA) – Benford Design Group. Todos os direitos reservados. Proibida sua reprodução.
Antonia – Projeto do ketch de 131 pés construído em Porto Alegre no ano de 1983. Projeto de Jay Benford (USA) – Benford Design Group. Todos os direitos reservados. Proibida sua reprodução.
Antonia – Projeto do ketch de 131 pés construído em Porto Alegre no ano de 1983. Projeto de Jay Benford (USA). Desenho reproduzido da Revista Vela & Motor – Ano V – No. 57 de dezembro de 1981. Todos os direitos reservados. Proibida sua reprodução.
O dia em que Antonia foi virada. A foto de abaixo mostra a estrutura já montada e nivelada, pronta para receber o revestimento laminado. Eu, Roberto Barros, sou a pessoa que aparece mais à esquerda na foto de cima. Fotos: Roberto Barros. Todos os direitos reservados. Proibida sua reprodução.

Artigo “No RS, o maior madeira moldada do mundo” na Revista Vela & Motor – Ano V – No. 57 de dezembro de 1981. Todos os direitos reservados. Proibida sua reprodução.

Artigo “Antonia em fase final” na Revista Vela & Motor – Ano VI – No. 65 de agosto de 1982. Todos os direitos reservados. Proibida sua reprodução.

Segundo Marco Antônio Milani (veja depoimento acima e seu Instagram), após consulta com seu projetista original, Jay Benford, este é o Antonia depois de ser aumentado para 150 pés e adicionada uma nova super-estrutura. Foto: Boat International. (2026)

Tenho como sonho um dia poder implementar uma iniciativa para preservar o patrimônio náutico brasileiro… por isso, já pensando em algum dia poder implementá-lo, além do Cadastro de Veleiros Clássicos, decidi pesquisar e escrever artigos sobre diversos assuntos relacionados à vela brasileira, entre eles, os veleiros desenvolvidos no Brasil… é sobre isso que irá encontrar informações no texto abaixo… caso possa colaborar com informações ou registros históricos, entre em contato. O que não podemos deixar acontecer é essa história se perder.

Max Gorissen – Velejador. Escritor.


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2 comentários sobre “Antonia

  1. Bom dia Gustavo, Obrigado! Não sabia da participação do Roberto Barros “Cabinho” e fui atrás de mais informações no Facebook dele onde encontrei umas fotos fantásticas que ele tirou do Antonia e mais informações do seu envolvimento no projeto. Já incluí na matéria e vou entrar em contato com ele para que possa complementar com o que achar relevante. Valeu! Abraço.

  2. Olá. Estranho não haver na matéria o nome do Cabinho, que participou em algum momento da construção como consultor…

    Gustavo Pacheco +55 21 99963-0470

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