Tenho como sonho um dia poder implementar uma iniciativa para preservar o patrimônio náutico brasileiro… por isso, já pensando em algum dia poder implementá-lo, além do Cadastro de Veleiros Clássicos, decidi pesquisar e escrever artigos sobre diversos assuntos relacionados à vela brasileira, entre eles, os veleiros desenvolvidos no Brasil… é sobre isso que irá encontrar informações no texto abaixo… caso possa colaborar com informações ou registros históricos, entre em contato. O que não podemos deixar acontecer é essa história se perder.
Max Gorissen – Velejador. Escritor.
O veleiro da classe Dragon (Dragão) é considerado internacionalmente o monotipo de quilha mais importante do mundo. Existem associações de classe em 30 países ao redor do globo e mais de 1.400 barcos registrados e navegando ativamente. Os velejadores variam de medalhistas olímpicos a entusiastas da vela em clubes, com idades entre 8 e 85 anos, mas todos descobrem que, de maneiras diferentes, o Dragon proporciona um tipo de experiência de vela que lhes agrada. O Dragon mantém essa posição praticamente desde sua concepção, em 1929. Mais de noventa anos de sucesso e nenhum sinal de que isso vá mudar.1

O Projeto
No final da década de 1920, a vela era um esporte popular, mas praticado principalmente em iates grandes e caros. A situação econômica na Europa e no mundo era desfavorável e havia necessidade de um barco barato, especialmente para jovens velejadores.
Em 1928, o Iate Clube Real de Gotemburgo (GKSS – Royal Gothenburg Yacht Club), na Suécia, lançou um concurso de design para um veleiro de cruzeiro acessível, que fosse “relativamente rápido, externamente atraente e navegável”.

Johan Anker, já um eminente projetista de iates e vencedor, naquele ano, de uma medalha de ouro olímpica na classe de 6 metros, foi o vencedor e seu projeto monotipo, baseado na regra dos 20 metros quadrados, foi aprovado naquele ano pelo Iate Clube Real de Gotemburgo, pelo Iate Clube Real Dinamarquês e pelo Iate Clube Real Norueguês.
Um dos motivos para o sucesso do Dragon é sua ênfase paradoxal na tradição e na renovação. Embora o formato do casco tenha permanecido o mesmo por mais de 90 anos (embora agora medido com um pouco mais de cuidado), o mastro e o cockpit passaram por mudanças cuidadosas. O barco original tinha beliches em uma cabine e um mastro 40 cm mais à ré do que é hoje.
Na década de 1940, a maioria dos Dragons era usados em regatas e não para cruzeiros e, uma genoa maior e um spinnaker foram introduzidos, além da remoção das acomodações.2

O desenvolvimento da classe Dragon
Os primeiros veleiros baseados no projeto de Johan Anker de 1928 foram construídos na Suécia e na Noruega em 1929 pelo estaleiro sueco Hjalmar Johanssons båtvarv, em Gotemburgo. Em 1929, Hjalmar Johansson foi contratado pela Sociedade Real de Vela de Gotemburgo (Göteborgs Kungliga Segelsällskap – GKSS) para construir os três primeiros Dragons (DS 1, DS 2 e DS 3), lançados ao mar na sede da GKSS.

Muitas classes de veleiros desapareceram durante a Segunda Guerra Mundial e, em 1946, Peter Lunde, um dos melhores velejadores noruegueses da classe Dragon, viajou para Londres com o objetivo de promover novas classes de regata internacionais. Ele levou consigo a permissão da família Anker para usar os desenhos internacionalmente, desde que fossem aprovados pela IYRU (atual World Sailing). A classe Dragon recebeu o status olímpico naquele ano.
Desde o início, os barcos possuíam as características que mantiveram a classe. São muito elegantes e sempre atraem a atenção. São barcos interessantes e tecnicamente gratificantes de velejar.
O aprimoramento continuou, mas sempre cuidadosamente controlado e de forma a minimizar a discriminação contra barcos mais antigos, que sempre podem ser modernizados.
Em 1971, foram introduzidos mastros de metal e, em 1973, a construção em fibra de vidro. Em 1975, o spinnaker foi ampliado e seu formato aprimorado.
Mudanças mais recentes têm se concentrado nos controles das velas e do mastro, frequentemente utilizando novas fibras nos cabos. A classe, no entanto, permaneceu fiel às velas de Dacron, principalmente para manter os custos baixos. A introdução da construção em fibra de vidro reforçada (GRP) foi conduzida com muita cautela, sob a liderança de Borge Borresen, na época o maior construtor da classe. Mais recentemente, a competição entre os construtores levou a um rigoroso controle de qualidade e, consequentemente, à produção de barcos extremamente bem construídos e duráveis.3
Hoje, a classe Dragon está ativa em 30 países em cinco continentes, com mais de 1.400 barcos registrados e muitos outros usados para passeios diurnos ou cruzeiros.
O Campeonato Mundial é realizado em anos ímpares e o Campeonato Europeu, anualmente. A Gold Cup, realizada anualmente em alguns países europeus específicos, é única, pois todas as seis regatas contam para a classificação, sem descarte.
A tripulação de três ou quatro pessoas forma uma unidade coesa, sem a necessidade de contratar velejadores mais pesados. As regras da classe garantem competições equilibradas, e a facilidade de transporte torna a competição internacional acessível a todos os orçamentos.
Mastros e velas são facilmente ajustáveis durante as regatas, permitindo que uma tripulação experiente otimize o barco para quaisquer condições.
As regatas da classe Dragon não são vencidas apenas com força bruta. A filosofia de design da classe Dragon a tornou uma classe onde regatas extremamente disputadas são a norma e onde as vitórias dependem do domínio da tripulação sobre as condições e a tática do percurso.
O Brasil nas Olimpíada de Helsinque 1952
A classe Dragon se difundiu muito rápido desde seus primórdios na Escandinávia. Frotas de clubes foram estabelecidas em diversos países europeus em poucos anos, e a competição internacional teve início com a doação da Taça de Ouro Dragon pela Conferência do Clyde Yacht Club em 1937.
O internacionalismo da classe foi reforçado pela doação francesa da Taça Virginie Heriot para o Campeonato Europeu em 1948 e, sobretudo, pela inclusão do Dragon nos Jogos Olímpicos no mesmo ano, onde permaneceu até 1972.
O Brasil participou pela primeira vez de uma olimpíada em veleiros da classe Dragon nos Jogos Olímpicos de Helsinque em 1952.
Como no Brasil não existiam disponíveis veleiros da classe, os velejadores brasileiros utilizaram 5 veleiros da Classe Internacional 5 metros, todos importados pela companhia T.Janer em 1948, para treinar e competir na seletiva da classe. As regatas se realizaram na Represa Billings em São Paulo.
O livro “Soprando as Velas – YCSA 70 anos” relata a aventura que foi participar dessa Olimpíada (texto copiado das páginas 46 e 47): “Como os 5 Metros só existiam na repesa Billings, seus proprietários queriam disputar o pré-olímpico entre si. Mas Mariano Ferraz, velejador da Guarapiranga pelo Yacht Ciub Paulista e na época presidente da Federação Paulista de Vela e Motor, conhecia bem a habilidade dos atletas do YCSA e exigiu que pelo menos uma equipe da Guarapiranga também concorresse à vaga olímpica. Mais acostumados a correr de Sharpie e lole Olímpica, Putz, Peter Mangels e Francisco Isoldi (o “Nini”), formaram o trio da Guarapiranga nas eliminatórias. Seriam sete regatas com troca de barcos. Mas nem foi preciso tudo isso. Velejando nos barcos dos rivais da Billings, a equipe do YCSA venceu quatro regatas consecutivas e liquidou o pré-olímpico por antecedência. Putz estava classificado para ir à sua segunda olimpíada, dessa vez com mais dois companheiros que integravam a tripulação. A ida até a distante Helsinque foi uma aventura inacreditável para os dias de hoje. Os três foram primeiro para Estocolmo, na Suécia, onde estava à espera deles o Dragon “Escapade”, com o qual disputariam a olimpíada na Finlândia. Após três semanas repintando e polindo o casco, eles começaram a treinar. Como não tinham dinheiro para despachar o veleiro em um navio, o plano era enfrentar o traiçoeiro Mar Báltico e velejar até Helsinque. Poucos dias antes da viagem, foram convidados a participar das eliminatórias suecas. Depois das regatas, em um jantar com autoridades do país, Putz sentou-se ao lado do ministro da Marinha e contou a ele que havia visto um submarino em uma das velejadas noturnas da equipe brasileira. O ministro ficou pálido. Como a Marinha da Suécia não tinha submarino algum, só poderia ser um espião soviético. Pois era exatamente aquele mar que os esperava. Com apenas uma bússola e 24 cartas náuticas a bordo, eles tiveram que navegar cerca de 216 milhas náuticas (400 quilómetros) guiando-se por centenas de pontos de referência. Foram três dias e três noites velejando, com direito a uma tempestade no meio do trajeto que quase derrubou o mastro do Dragon, o que os teria deixado à deriva no mar, já que o barco não possuía motor. Mas eles conseguiram chegar a um porto na Finlândia, onde um navio da Marinha os rebocou até Helsinque, para que pudessem competir na olimpíada. Putz, Nini e Mangels terminaram os jogos orgulhosos, em sétimo lugar. Estavam exaustos, mas com a sensação do dever mais do que cumprido após tamanha saga no mar. Animados com a aventura no Mar Báltico, na volta ao Brasil os três deixaram a Sharpie e a lole para se dedicar a uma classe em franca ascensão, que assim como a Dragon, também era para três tripulantes: o Lightining, que nos anos seguintes trouxe inúmeras vitórias para o YCSA em campeonatos paulistas, brasileiros e mundiais”.


O Dragon “Escapade” (a esquerda) na Suécia, pronto para a viagem até a Finlândia. Á dieita, foto feita por Francisco “Nini” Isoldi, enquanto ele, Peter Mangels (em primeiro plano) e “Putz” Richter (tirando a foto) navegavam as 216 milhas náuticas que os velvaria a Helsinque para disputar a Olimpíada de 1952. Fotos: extraídas do livro “Soprando as Velas – YCSA 70 anos”.
A equipe brasileira, composta pelos velejadores Francisco Isoldi (YCSA), Peter Mangels e Wolfgang Edgard “Putz“ Richter velejando no veleiro chamado Escapade, acumulou 2.884 pontos ao longo das sete regatas, o que os colocou em 7º lugar entre as 17 nações participantes. A medalha de ouro foi conquistada pela equipe norueguesa Thor Thorvaldsen, Haakon Barfod e Sigve Lie a bordo do veleiro de nome Pan.
A classe Dragon no Brasil
Além da aventura que foi participar da Olimpíada de Helsinque de 1952, relatada em detalhes acima, identifiquei que o primeiro Dragon brasileiro, o Linie, chegou ao Brasil antes mesmo da referida Olimpíada, em novembro de 1950, importado por Flávio Simões Lopes.
Em relato à Revista Yachting Brasileiro No. 73 de novembro de 1950, Djalma Silveira Ferreira, escreve que, apesar de Flávio procurar um barco para cruzeiros em águas interiores, influenciado pelo entusiasmo pelos Dragons demostrado em conversas com Sr.Preben Schmidt e Margreth, durante uma viagem a Óslo no navio da marinha “Almirante Saldanha”, o Guarda-Marinha Flávio Simões Lopes, ao desembarcar junto com Djalma Silveira Ferreira (ambos faziam parte da guarnição do Almirante Saldanha na XI Viagem de Instrução e Representação), imediatamente foram visitar o Royal Norwegian Yacht Squadron, em Drenningen, para comprar um veleiro dessa classe.
Em contato com o Sr. Finn Roer, broker da empresa norueguesa “Batservice”, no dia 14/09/1950, fecharam a compra do veleiro que viria a se chamar “Linie“, antigo “Resolute” DN 159, construído com madeiras “Oregon pine”, velas de algodão egípcio e estaiamento moderno e lançado em 1947 pelo estaleiro Kolbjornsvik Verft & Slipp, Arendal na Noruega.

Roberto Rocha Azevedo, comentou, “nos Jogos Pan Americanos de 1963 em São Paulo, eu fazia parte da comissão organizadora junto com o Paul F. Buckup, então Presidente da FPV, e nos reuníamos no DEFE na Água Branca com o Major Sylvio de Magalhães Padilha, que presidia o comitê organizador. Tínhamos definidas as 5 classes: Snipe, Finn, Flying Dutchman (que ficariam na sede do YCSA); enquanto os Star e Lightning ficariam no CCSP. Para nossa surpresa, apareceram 3 Países inscritos na Classe Dragon: Argentina, Canadá e Estados Unidos. Só que pelo regulamento dos Jogos Pan Americanos qualquer classe teria de ter pelo menos 4 barcos na disputa. Então, recorremos a um antigo Dragon de antes da II Guerra que estava na Billings (Linie) junto com a Flotilha de 5mRI, compramos velas novas e formamos uma tripulação com Frederico Krueder, Hartwig Hellner e eu como tripulantes, viabilizando assim a participação da classe Dragon no evento“.
A Argentina venceu na Classe Dragon dos Jogos Panamericanos de 1963, com Canadá em segundo, os Estados Unidos em terceiro e o Brasil ficou com o quarto lugar.
A história agora se confunde com a história individual dos veleiros, que pode ser lida clicando no nome do veleiro na tabela abaixo.
Veleiros Brasileiros conhecidos
No Brasil, dois veleiros da classe Dragon foram importados e você pode ler sua história clicando no seu nome na tabela abaixo.
Especificações

- Ano do projeto: 1928
- Material construtivo: Madeira e, a partir de 1973, também em fibra de vidro.
- Armação: Sloop
- Modelo: Dragon
- Tripulantes: 3
- Comprimento: 29’ ou 8,90 m
- Linha d’água (m): 5,7 m
- Boca (m): 1,95 m
- Calado (m): 1,20 m
- Área velica (m²): 27,7 m² (16m² de mestra + 11,7 m² de genoa) e 23,6 m² de spinnaker
- Deslocamento (Kg): 1.700
- Projetista: Johan August Anker

Planos
O Dragon, desenhado por Johan Anker em 1929 para o Royal Gothemburg Yacht Club da Suécia, ainda hoje é uma classe muito popular nos países escandinavos.
Site da International Dragon Class Association: https://internationaldragonsailing.net/
Os primeiros veleiros forram construídos em com o método de construção chamado Carvel-planking (derivado do português “caravela”), onde as tábuas (ao contrário da construção em clinker) são unidas topo a topo. Isso confere ao casco uma superfície lisa. Foi somente nas décadas de 1980 e 1990 que o processo de moldagem a frio (Cold Moulding), mais moderno, e o método de construção em tiras (Strip planking) se consolidaram.


Os primeiros veleiros4
Alemanha – 1930
O primeiro Dragon na Alemanha, D G 1, foi construído em 1930 por W.v. Hacht em Hamburgo. Como o arquivo de iates da DSV foi perdido na guerra, sabe-se muito pouco sobre os Dragons alemães dos anos anteriores à guerra. Por exemplo, o D G 8 de 1938 é o único outro Dragon que se pode presumir hoje que também veio de W.v. Hacht. A partir de 1932, o estaleiro B. Wielke de Kiel foi adicionado, e a partir de 1934 o estaleiro F. Mello de Hamburgo, sendo que somente a Mello construiu pelo menos 16 Dragons nos anos anteriores à guerra, incluindo o D G 2. Como resultado, os Dragons são construídos em mais de 30 estaleiros na Alemanha.
Dinamarca, 1931
Na Dinamarca, o estaleiro Broderna Andersen construiu o primeiro Dragon dinamarquês em 1931. No final da década de 1930, mais 10 estaleiros seguiram o exemplo, incluindo o Børresen em Vjele, em 1935. Após a guerra, uma dúzia de estaleiros dinamarqueses começou a construir Dragons, incluindo o Pedersen & Thuesen em 1952.
Suíça – 1935
Na Suíça, os Dragons são construídos desde meados da década de 1930 pelo Yachtwerft Portier AG e Boesch, ambos no Lago de Zurique, Furer Bootbau AG, no Lago Thun, e Bootswerft Rohn AG, no Lago Biel. Após a guerra, juntaram-se os estaleiros Stäheli & Tschumper, o estaleiro Müller AG no Lago Thun e o estaleiro Wirz AG no Lago de Constança.
No auge do Dragon com status olímpico (até 1972), 22% da produção mundial de Dragons era construída na Suíça. Em 2003, mais de 250 Dragons haviam sido produzidos por estaleiros sediados na Suíça. Os estaleiros Müller e Wirz constroem barcos extraordinariamente belos, verdadeiras “peças de mobiliário”, por assim dizer. No entanto, ambos não captaram a transformação do Dragon de uma peça de mobiliário para um barco de regata, ou seja, a orientação consistente e intransigente em termos de peso e layout para a vela de regata.
Holanda – 1935
Na Holanda, Van de Staadt lançou o primeiro Dragon holandês em 1935. O estaleiro holandês mais conhecido na construção de Dragons atualmente, Doomernik, construiu o primeiro Dragon em 1996.
Inglaterra – 1936
Em 1936, McGruer & Co Ltd. e Alexander Robertson construíram os primeiros Dragons britânicos na Escócia. Mais de uma dúzia de outros estaleiros Dragon na Grã-Bretanha seguiram o exemplo nas décadas seguintes. A Petticrows, agora o estaleiro mais famoso do Reino Unido, construiu seu primeiro Dragon em 1988.
Bélgica – 1937
Na Bélgica, o primeiro Dragon belga foi construído em 1937 pelo Chantier naval de Kuypers.
EUA e Canadá – 1949
Os primeiros Dragons individuais foram construídos nos EUA no final da década de 1940. Os estaleiros americanos e canadenses não produziram em grande escala até as décadas de 1960 e 1970.
Finlândia – 1947
O estaleiro finlandês Valkon Laiva Oy lançou seu primeiro Dragon em 1947.
França – 1950
Na França, a costa atlântica ao redor de Arcachon e La Rochelle estava se tornando um reduto do Dragon. O primeiro Dragon francês foi construído em 1950 pelo Chantier G. Bonnin frères em Arcachon.
Austrália – 1950
O primeiro Dragon australiano foi construído em 1950 pela J. J. Savage & sons Pty. Ltd. em Melbourne.
Áustria – 1963
O primeiro Dragon só chegou à Áustria em 1954. A partir de 1963, os construtores navais Haitzinger, no Lago Attersee, e Johann Ratz, no Lago Wolfgang, construíram Dragons para os marinheiros da região de Salzkammergut.
Estaleiros que ainda constróem Dragons
Petticrows
Há mais de 30 anos, a Petticrows constrói e desenvolve veleiros da classe Dragon. Até hoje, mais de 800 Dragons foram produzidos no estaleiro. A produção de Dragons pela Petticrows foi idealizada pelo bicampeão olímpico Poul Richard Hoj-Jensen e, desde 2005, está sob a orientação do experiente construtor naval e ex-campeão mundial de Dragon e vencedor da Gold Cup, Tim Tavinor.
Em 2021, a Petticrows mudou-se para Cascais, Portugal, uma vila com uma rica história no mundo da vela da classe Dragon. Portugal possui uma longa e bem-sucedida tradição marítima, o lar ideal para um novo capítulo na história da Petticrows.
Site: https://petticrows.com/
Matérias da época
Revista Yachting Brasileiro No. 73 de novembro de 1950 – Proibida reprodução. Todos os direitos reservados.
Vídeos
Depoimentos e contribuições para esta matéria
Roberto Rocha Azevedo por Facebook em 09/01/2026
Max, nos Jogos Pan Americanos de 1963 em São Paulo, eu fazia parte da comissão organizadora junto com o Paul F. Buckup, então Presidente da FPV, e nos reuníamos no DEFE na Água Branca com o Major Sylvio de Magalhães Padilha, que presidia o comitê organizador. Tínhamos definidas as 5 classes: Snipe, Finn, Flying Dutchman (que ficariam na sede do YCSA); enquanto os Star e Lightning ficariam no CCSP.
Para nossa surpresa, apareceram 3 Países inscritos na Classe Dragon: Argentina, Canadá e Estados Unidos. Só que pelo regulamento dos Jogos Pan Americanos qualquer classe teria de ter pelo menos 4 barcos na disputa. Então, recorremos a um antigo Dragon de antes da II Guerra que estava na Billings junto com a Flotilha de 5mRI, compramos velas novas e formamos uma tripulação com Frederico Krueder, Hartwig Hellner e eu como tripulantes, viabilizando assim a participação da classe Dragon no evento.
Rafael Terentin no WhatsApp em 09/01/2026
Max, boa noite! Fantástica a matéria, havia um hiato na história do Linie – que era o Resolute. Bem explicado agora.
Te mando o material que tenho, hoje o Linie está passando por uma senhora reforma para chegar aos 80.




“Um pouco da história do Linie e a Família Schidt” em texto escrito por Erik Schmidt fornecido por Rafael Terentin.

Marcelo Chade por Facebook em 09/01/2026
Meu pai, Nelson Chade, teve um Dragon na Billings e depois um 5m.
Inclusive o 5m, de nome Jutusa (Sjutusa), foi a minha primeira velejada na vida (2 meses de vida)! Comecei em grande estilo. Um “italiano” o abonou e foi o ultimo dono. Pelo que eu soube, ficou um bom tempo no Flório (nada de novo!).

Sobre os Dragons, existiram dois no Brasil, um branco (que foi do meu pai na Billings – Linie) e um amarelo (Chinook) que se perdeu podre no YCSA. Quem teve, provavelmente, o Dragon do YCSA foi a família dos Stegmann. Peter me falou sobre ele.

Andreas “Andy” Dierberger por Whatsapp em 11/01/2026
Bom dia Max, satisfação em falar e logo mais encontrar.
Prazer em contar a história do Chinook, veleiro integralmente restaurado em 1989, grande aprendizado!
Aprecio a magnífica região da Baia da Ilha Grande desde os anos 90.
Inicialmente nele, mais tarde no Chestnut Tree 45 pés, 1965, Sangermani. Um dia apareceu o bermuda racer Phil Rhodes Frøya II, 1968, 50 pés. Surgiu o Classe Brasil Barracuda e agora um 5.5m int. (Hansa)
O Chinnok finalizou, está pronto e deveria velejar. Veja as fotos:
Chinook sendo restaurado no estaleiro do Sr. “Andy” Dierberger em Barra Bonita – SP – Fotos de 2025, enviadas por “Andy” Dierberger em 11/01/2026.
Links e referências bibliográficos e informativa
- Revista Yachting World, edição de fevereiro de 1953. Site: https://www.yachtingworld.com/
- Site The Dragon – Internatinal Dragon Association – https://internationaldragonsailing.net/the-dragon/
- Helsinki 1952 Sailing dragon mixed Results – https://www.olympics.com/en/olympic-games/helsinki-1952/results/sailing/dragon-mixed
- Dragon Shipyards – Marcus Oppitz, Gregor Berz, Garlef Baum
- Livro “Soprando as Velas – YCSA 70 anos. Site: https://ycsa.com.br/
Agradecimentos
- Francisco Luiz Silva do SPYC (com edições da Revista Yachting Brasileiro)
Espero que tenha gostado pois, cada embarcação clássica tem uma história única para contar e que pode servir de referência e consulta para historiadores, pessoas e instituições interessadas, antigos e novos proprietários e o público em geral, promovendo assim a rica e as intrigantes histórias associadas a esses clássicos e preservando e aumentando assim seu significado cultural para as gerações futuras.
Bons ventos!
Max Gorissen
Velejador. Escritor.
Notas de Rodapé (também incluídas no texto acima em Links e referências bibliográficos e informativa)
- Sobre o Dragon – Site The Dragon – Internatinal Dragon Association – https://internationaldragonsailing.net/the-dragon/ ↩︎
- Site The Dragon – Internatinal Dragon Association – https://internationaldragonsailing.net/the-dragon/ ↩︎
- Site The Dragon – Internatinal Dragon Association – https://internationaldragonsailing.net/the-dragon/ ↩︎
- Dragon Shipyards – Marcus Oppitz, Gregor Berz, Garlef Baum ↩︎
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