Uma classe de veleiros com um K de Carioca

Tenho como sonho um dia poder implementar uma iniciativa para preservar o patrimônio náutico brasileiro… por isso, já pensando em algum dia poder implementá-lo, além do Cadastro de Veleiros Clássicos, decidi pesquisar e escrever artigos sobre diversos assuntos relacionados à vela brasileira, entre eles, os veleiros desenvolvidos no Brasil… é sobre isso que irá encontrar informações no texto abaixo… caso possa colaborar com informações ou registros históricos, entre em contato. O que não podemos deixar acontecer é essa história se perder.

Max Gorissen – Velejador. Escritor.

Os primeiros veleiros da Classe Carioca, ou Karioca, como também são conhecidos, foram construídos em 1941, no Rio de Janeiro, a partir dos planos do veleiro desenvolvido por Ernst Retzlaff, na Alemanha, em 1938, e importados em 1939 (ou 40) por Harry Boll e João Tavares (o veterano “Fubá”) do ICRJ.

Ambos haviam lido sobre as grandes qualidades de navegação deste veleiro em uma revista especializada alemã e acharam que seria o barco ideal para realizar cruzeiros com pernoite pela baía da Guanabara.

O modelo de Retzlaff veiculado na revista, havia chamado a atenção dos velejadores da época pois, em apenas um ano e meio de produção, este jollenkreuzer (iole de cruzeiro), foi destaque nas regatas europeias atingindo nesse período o número de mais de 45 veleiros construídos, apesar deste número ser composto por diferentes modelos, mas com as mesmas especificações e características.

De posse dos planos originais, Harry Boll, com a ajuda de um amigo engenheiro naval, introduziu algumas modificações ao projeto para adaptá-lo às condições de nossas águas e, sobretudo, dar-lhe linhas mais ao gosto do brasileiro. A primeira modificação foi o aumento do comprimento do convés em 20 cm, passando de 6,50 m para 6,70 m, contudo, sem alterar a estrutura das obras vivas do casco, mantendo assim o mesmo comprimento da linha d’água original e eliminando sua proa reta. Além da modificação da roda de proa (os 20 cm), as três primeiras seções da mesma, foram alteradas acima da linha de flutuação para atender ao aumento.

De início, três veleiros foram construídos no Brasil já em 1941, sendo o “Bruma K-1-3″, construído com base nos planos originais de Ernst Retzlaff, e o “Hanseat K-1-1″ e o “Sudoeste K-1-2″, com base no projeto modificado por Harry Boll e que daria origem à Classe Carioca.

Veleiros Classe Carioca: Bruma K-1-3, Sudoeste K-1-2 e Hanseat – As duas primeiras fotos foram extraídas do artigo “A Classe Carioca” de Eduardo de Carvalho na Revista Yachting Brasileiro de 1945 – Todos os direitos reservados – Proibida sua reprodução. Hanseat: Autor desconhecido.

Vale acrescentar, que a modificação acima descrita, segundo Eduardo de Carvalho (proprietário do Sudoeste), que escreveu sobre “A Classe Carioca” na Revista Yachting Brasileiro No. 10, de agosto de 1945; “em nada prejudicou o equilíbrio do barco, pois o iate “BRUMA”, único iate construído nos moldes originais, vem competindo em regatas em igualdade de condições com as demais unidades da classe“.

O Bruma e o Sudoeste, uma vez terminados, iniciaram as suas atividades esportivas inscrevendo-se nas regatas destinadas aos veleiros de cruzeiros. O Hanseat, lançado em 6 de setembro de 1941, ficou impedido de navegar devido ao estado de guerra com a Alemanha.

Com o Bruma e o Sudoeste competindo, Eduardo de Carvalho escreveu no mesmo artigo da Revista Yachting; “Uma regata apenas foi suficiente para que ficassem evidenciadas as boas qualidades dos dois estreantes, tanto assim que a Federação Metropolitana de Vela e Motor classificou-os, imediatamente, com a denominação de Classe “CARIOCA”, embora fossem apenas dois os monotipos em atividade no momento. À visão dos então dirigentes da Federação devemos, em grande parte, o desenvolvimento da classe, pois endossando com aquela medida as ótimas qualidades do barco, fez do mesmo a melhor propaganda que os seus adeptos poderiam desejar“.

Plano construtivo da Classe Monotipo Carioca – Confederação Brasileiro de Vela e Motor – Rio de Janeiro – 1941

Com esse “endosso”, não tardaram a surgir novos interessados em adquirir um destes veleiros e, como consequência, novas unidades do “K” foram construídas e lançadas á água, como o Tinho, o Chouri, o Pompom e o Sandy, todos construídos como o Sudoeste, com base nos planos modificados, no “Estaleiro de José Rodrigues Mathias”. Também foram construídos na mesma época o Taipú e Marreco II, provavelmente, no Estaleiro do ICRJ (confirmar).

Importante destacar que o sucesso da classe “K” foi promovida e incentivada pelo Estaleiro do ICRJ (Iate Clube do Rio de Janeiro) que, tendo como foco na época a construção naval, especialmente de “barcos a vela”, com o endosso confirmando pela Federação Metropolitana de Vela e Motor, decidiu começar a produzir os veleiros da Classe Carioca em série, recebendo de imediato pedidos de mais de 30 interessados. Em poucos anos, a classe já teria mais de 40 veleiros competindo na baía da Guanabara.

Como se pode ver nas belíssimas fotos de época obtidas de um post no Instagram da Classe Carioca (infelizmente, somente algumas possuem referência ao(s) autor(es). Se souber, favor informar), em poucos anos, a classe já teria mais de 40 veleiros competindo na baía da Guanabara.

A letra “K” (Código da Classe: KAR), usada nas suas velas, foi adotada posteriormente e é o “emblema da classe” da Associação de Veleiros da Classe Carioca (classe já desativada), fundada em novembro de 1946 na cidade do Rio de Janeiro, letra que figura na vela grande (mestra) dos veleiros juntamente com os numerais.

Com relação aos números nas velas, olhando as fotos antigas, perceberá de que existe a designação na vela mestra composta pela letra “K” e mais dois números separados por um hífen. Isso porque, na época, aqui no Brasil, o critério adotado pela Federação Metropolitana do Rio de Janeiro incluía um algarismo designativo do clube ao qual o veleiro pertencia, seguido do número de ordem do barco no clube ou de sua construção. Por exemplo, o veleiro “Trio” possuía o numeral K-6-1, pois o seis era o número do Clube de Regatas Guanabara e o um se referia ao seu número de construção (se ler a ficha do veleiro Trio, lerá que originalmente este se chamava Hanseat e foi o primeiro veleiro da classe registrado com o número K-1-1, sendo o um, neste caso, o número do ICRJ).

Pelo que parece, o último Carioca construído de que se tem conhecimento foi o Blitz, de Rafael Lorenz, todo cavilhado, sem parafusos ou pregos (não consegui identificar o ano).

O último campeonato “oficial” da classe ocorreu em 1988 tendo o Humpapa, como seu ultimo campeão.

Novembro de 1947 – Campeonato Metropolitano de Vela de 1947 (9 a 30 de novembro de 1947), corrido no Rio de Janeiro. Na classe Carioca, o iate “Caimbé“, comandado por Hugo Castro Faria, venceu pela terceira vez, o que o tornava desde logo campeão carioca de sua classe, independentemente da quarta e última regata. De fato, o “Caimbre”, com a guarnição que já é bem conhecida, pelas constantes vitórias que tem conquistado, conseguiu demonstrar mais uma vez sua grande forma, pois os outros concorrentes nada puderam fazer. O “Coral“, comandado por Zepp Wóhrle, foi o vencedor da quarta regata. A tripulação deste iate está combinando bem e tem tido boa atuação, o que por certo, com a sua evolução, dará grande trabalho a Hugo Castro Faria e Carlos Abbenseth.

Veleiro Caimbé – Artigo sobre o Campeonato Metropolitano de Vela de 1947 (9 a 30 de novembro de 1947) no RJ – Foto: Paulo Miniz no Revista Yachting Brasileiro No. 39 de janeiro de 1948. Todos os direitos reservados – Proibida sua reprodução.

Junho de 1948 – Rumo a Jurubaiba – A segunda regata-excursão promovida pelo late Clube do Rio de Janeiro – Jurubaiba, a encantadora ilhota, um dos últimos recantos virgens da Guanabara, foi o ponto de reunião de grande número de barcos. Partindo no sábado 19 de junho de 1948, os iatistas gozaram as delícias de uma noite de lua cheia em boa camaradagem, não faltando mesmo a clássica fogueira e os cantos acompanhados ao violão. Domingo pela manhã, foram todos acordados pelos apitos da “Jamanta” e, após o café, o Diretor de Vela do ICRJ começou a chamada dos vencedores aos quais entregou curiosos prêmios, tirados de dentro de um enorme saco, em meio à alegria dos presentes. Finalmente, as 14 horas do domingo, partiram todos os barcos de volta aos seus Clubes, ansiosos pela próxima regata-excursão que será provavelmente em agosto próximo. Na Classe Carioca (também participaram as classes Star, Sharpie 12m², Hagen-Sharpie, Snipe e Guanabara), o 1° lugar ficou com o veleiro “Coral“, do comandante Otávio Botafogo (trecho extraído da revista Yachting Brasileiro No. 45 de julho de 1948 – Todos os direitos reservados.)

Imagem retirada do livro de vela de Maria Elisabeth Laboriau, patrocinado e coordenado pelo Comandante Peter Dirk Siemsen – Velas do Brasil (Ed. Catedral das Letras, 2010) e que, acredito, “reflete” maravilhosamente bem o ambiente da época. Será esta a regata Rumo a Jurubaiba? Infelizmente, não identifiquei o nome do autor da foto. Se souber, me avise para poder dar a devida autoria.

Aparentemente, a classe Carioca se expandiu nos anos 50 já que, na edição No. 73 de janeiro de 1950 da Revista Yachting Brasileiro, foi veiculada a notícia de que Associação de Veleiros da Classe Carioca havia recebido do Sr. Ernani Marinho, residente no estado de Alagoas, uma carta que solicitava o envio das plantas completas (desenhos construtivos) do “Carioca”, pois pretendia construir o primeiro barco dessa classe naquele Estado (não se sabe se foi construído – alguém pode ajudar?). Juntamente com o pedido, o Sr. Ernani Marinho remeteu a importância Cr$ 200,00, estipulada para a venda das plantas.

Na época a Associação disse que “Acreditamos que a Alagoas, outros Estados seguirão, interessados pela construção deste monotipo, cujas ‘performances’ na baia de Guanabara, como iate de cruzeiro e de regata, são plenamente satisfatórias. Sendo assim, não está longe o dia em que se possa cogitar da organização do 1° Campeonato Brasileiro de Cariocas”.

Matéria na Revista Yachting Brasileiro No. 70 de agosto de 1950. Todos os direitos reservados – Proibida sua reprodução.

Notícias na Revista Yachting Brasileiro No. 75 de janeiro de 1951 – Todos os direitos reservados – Proibida sua reprodução.

Notícias na Revista Yachting Brasileiro No. 80 de junho de 1951 – Todos os direitos reservados – Proibida sua reprodução.

Foi realizada no dia 23 de setembro de 1951 na Baía da Guanabara no Rio de Janeiro, a Regata Inter-clubes, com os seguintes resultados para a Classe Carioca: Na classe “A”, venceu o veleiro “Zagar” de C. Apenset, do ICRJ, tendo em segundo “Hobby“, de W. Almeida do ICB; na classe B, ganhou “Neblina“, de L. C. Almeida do ICRJ, seguido por “Pinguim“, de Evaldo Carneiro da Cunha, do mesmo clube.

Ano do projeto: 1938
Período de Produção no Brasil: 1941 a ?
Modelo: Jollenkreuzer – Iole de cruzeiro
Classe: Classe Carioca ou Karioca – o emblema da classe é a letra “K” (Código da Classe: KAR)
Estaleiros: Vários (veja abaixo)
Armação/ Tipo: Grande “full batten” de valuma aluada, sem estai de popa, sendo a genoa entalhada num mastro fino chamado de pau de buja.
Material do casco: Madeira
Categoria: Águas interiores
Motorização: nenhuma
Tripulantes: 3 em regata e capacidade máxima para 5 pessoas
Comprimento: 22 pés ou 6,70 m
Linha d’água: 0,55 m (popa) e 0,67 m (proa)
Boca: 2,06 m
Borda livre: 0,55 na popa e 0,67 na proa
Calado: 0,18 sem bolina e 1,08 com bolina
Área velica (Mestra e Genoa): Mestra 12 m², buja 4,45 m², genoa 7,68 m² – Altura do mastro: 7,68m (a partir do convés) com vela mestra de 10 talas.
Área vélica (Balão): 11,63 m²
Deslocamento: 680 kg (mínimo estabelecido pela Classe)
Projeto: Ernst Retzlaff – Alemanha – 1938
Classe Olímpica: Não

Estes são os planos da Classe Monotipo Carioca aprovados pela Confederação Brasileiro de Vela e Motor – Rio de Janeiro no ano de 1941:

Plano construtivo com destaque da cabine e interior da Classe Monotipo Carioca – Confederação Brasileiro de Vela e Motor – Rio de Janeiro – 1941
Plano construtivo da Classe Monotipo Carioca – Confederação Brasileiro de Vela e Motor – Rio de Janeiro – 1941
Linhas do casco da Classe Monotipo Carioca – Confederação Brasileiro de Vela e Motor – Rio de Janeiro – 1941
Plano de mastreação e velame da Classe Carioca – Confederação Brasileiro de Vela e Motor – Rio de Janeiro – 1941.
  • Associação de Veleiros da Classe Carioca (desativada) foi fundada em novembro de 1946 na cidade do Rio de Janeiro.
Veleiro Jacuí - julho de 1948 - Foto: Paulo Muniz
Veleiro Jacuí – julho de 1948 – Foto: Paulo Muniz

Construiu em 1941 um dos três primeiros veleiros, o Sudoeste e, a partir de 1942, os veleiros Tinho, Chouri, Pompom e Sandy.

Em 1942, devido ao seu foco na construção naval, especialmente de “barcos a vela”, o ICRJ contribuiu para o sucesso da classe ao decidir iniciar a produção em “série” dos veleiros da Classe Carioca, tendo na época recebido pedidos de mais de 30 interessados.

Espirito Santo – mestre carpinteiro naval Manoel da Rocha Rodrigues, mais conhecido como Manuel Vareta. Construiu o veleiro Aragem em 1965.

Anúncio de Venda do veleiro Jacuí na Revista Yachting Brasileiro No 69 de julho de 1950 – Proibida sua Reprodução. Todos os direitos reservados

Veleiros Carioca/ Karioca conhecidos 

OBS: se souber de outros, informe o nome, numeral, proprietário, local e qualquer foto ou informação complementar para que possa incluí-lo na lista!

Nome originalAnoNumeralOutros nomes
AlohaK-11Neblina
Aragem 1965K-41
Balisa
Barlovento
Blitz
BrisaK-35
Bruma1941K-3
Caimbé1947
Carioca
Chouri1942
CirrusK-26
Clementine
Coral1947
Esfinge
FelícioK-17
GarôaK-36
Hanseat1941K-1Gabiola, Trio e Arpoador
HobbyK-18
HumpapaK-48
Jacuí K-6
La Paloma
Mahalo IIK-33
MalandroK-15
Maringá K-25
Marreco II1942K-29
Neblina
Ogum
OuriçadoK-31
PinguimK-20
Pinocchio
Pompom1942
Sandy1942K-7
SenaK-41
Sereno
Sinval
SirocoK-42
Sudoeste1941K-2
Taipú1942
Thalassa1954K-30
Tinho1942
Uiará
Vida MansaK-21
Zagar
Parte da matéria “Classe Carioca – Velejando nos limites da tradição” (veja abaixo) – Revista Vela e Motor – Ano II – No. 24 de março de 1979. Todos os direitos reservados. Proibida sua reprodução.

Páginas extraídas do livro “A História do Iate clube do Rio de Janeiro – Helio Barroso”. Todos os direitos reservados – Proibida sua reprodução.

Artigo sobre a Classe Carioca na Revista Yachting Brasileiro No. 73 de janeiro de 1950. Todos os direitos reservados – Proibida sua reprodução.

Matéria na Revista Yachting Brasileiro de 1945Todos os direitos reservados – Proibida sua reprodução.

O Documento “A História do Thalassa – Classe Carioca” de 14 de março de 2024 acima, me foi fornecido por seu autor, o Sr.Lucca Modenesi, em 05/08/2025. Proibida sua reprodução. Todos os direitos garantidos ao autor.

Matéria “Classe Carioca – Velejando nos limites da tradição” – Revista Vela e Motor – Ano II – No. 24 de março de 1979. Todos os direitos reservados. Proibida sua reprodução.

Barquinho

A capa do disco da Maysa, um clássico de 1961, tinha a cantora e os músicos no deck do veleiro Aragem, onde “O barquinho”, música do mestre Roberto Menescal em parceria com Ronaldo Bôscoli, um dos símbolos da bossa nova, dava nome ao álbum.

Letra de “O Barquinho”, de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli – Faixa nº 1

Dia de luz
Festa de sol
E um barquinho a deslizar
No macio azul do mar
Tudo é verão e o amor se faz
Num barquinho pelo mar
Que desliza sem parar
Sem intenção nossa canção
Vai saindo desse mar e o sol
Beija o barco e luz
Dias tão azuis
Volta do mar desmaia o sol
E o barquinho a deslizar
E a vontade de cantar
Céu tão azul ilhas do sul
E o barquinho coração
Deslizando na canção
Tudo isso é paz tudo isso traz
Uma calma de verão e então
O barquinho vai
A tardinha cai
O barquinho vai

Informações extraídas do site de origem: Rio em Disco

O veleiro Aragem, participou como “Irene” em rede nacional no programa “A grande família” na TV Globo.

O veleiro Aragem navegando durante cena de setembro de 2013 do programa da TV Globo “A grande família” onde “atuou” com o nome “Irene”. Foto: TV Globo. Todos os direitos reservados. Proibida sua reprodução.

Sobre a novela: Tipicamente brasileira, a família Silva mora em um subúrbio na Zona Norte do Rio de Janeiro, convive com suas diferenças e ajuda uns aos outros a contornar as situações mais inusitadas.
Emissora original: TV Globo
Primeiro episódio: 29 de março de 2001 (Brasil)
Episódio final: 11 de setembro de 2014
Criadores: Vianinha, Cláudio Paiva, Armando Costa, Oduvaldo Vianna Filho
Gêneros: Comédia, Infantil, Humor, Sitcom
Idioma: Português

Curiosidade: Originalmente, o veleiro Bruma II, um Classe Guanabara, foi usado na filmagem da novela, contudo, como o pessoal não cuidou muito bem do veleiro durante a filmagem, o Sr. Luiz Justo, seu proprietário, não deixou que fosse mais usado. Como o veleiro iria ser usado ainda nas filmagens finais, tiveram de conseguir um veleiro às pressas e “mascará-lo” de “Irene”, adesivando para ficar parecido com o Bruma (foto). Conforme informação de Tiago Gava.

Foto: O Aragem foi envelopado com vinil para tornar-se o Irene, barco do Lineu no seriado da TV Globo “A Grande Família”. Na foto acima, tirando o adesivo, dá para ver a cor e o nome original.

A história do Aragem por Marcos Temporal

O Aragem foi encomendado pelo “carioquista” do ICRJ, o Sr.Carlos Gomes, sendo construído no Espirito Santo, em 1965, pelo famoso mestre carpinteiro naval Manoel da Rocha Rodrigues, mais conhecido como Manuel Vareta.

A partir daí, esperamos reconstruir a saga com as contribuições dos amigos e proprietários que se sucederam, como o Gilberto Chaudon e Carlos Schuler.

Suas dimensões básicas (ainda a serem confirmadas) são:

  • Comprimento total: 6,70 m
  • Boca: 2,06 m
  • Altura do mastro: 7,68 m (a partir do convés)
  • Peso do casco: 680 kg (mínimo estabelecido pela Classe)
  • Área vélica: 15 m² (medidas retas dos triangulos da grande e buja, sem o balão)
  • Tripulação: 3 em regata e capacidade máxima de 5 pessoas

O pai do Peter Boll foi quem trouxe o projeto para o Brasil. Era o Carioca “Trio” numeral K-6-1. Seis era o número do CR Guanabara e do ICRJ era 1.

Links e referências bibliográfica e informativa

Este é um trabalho que iniciei quando era editor da SailBrasil.com.br e, desde aquela época, em diferentes momentos, várias pessoas entraram em contato comigo, passaram informações enquanto batíamos um papo, contaram “causos” ocorridos com eles e ajudaram com informações, materiais, histórias, fotos e depoimentos que ajudaram a compor este trabalho e a quem quero agradecer:

  • Marcos Temporal – blog do Aragem
  • Walcles Figueiredo Alencar Osorio
  • Lucca Modenesi (Veleiro Thalassa)
  • Francisco Luiz Silva do SPYC (com edições da Revista Yachting Brasileiro)

Espero que tenha gostado pois, cada embarcação clássica tem uma história única para contar e que pode servir de referência e consulta para historiadores, pessoas e instituições interessadas, antigos e novos proprietários e o público em geral, promovendo assim a rica e as intrigantes histórias associadas a esses clássicos e preservando e aumentando assim seu significado cultural para as gerações futuras.

Bons ventos!

Max Gorissen
Velejador. Escritor.


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