Temos a obrigação de sempre criar coisas novas e interessantes que avancem a civilização

 

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É na pureza e na simplicidade que está a beleza do projeto.

Leio muitos artigos nos quais empresas se vangloriam de contratar grandes consultorias ou consultores para ajudá-las a desenvolver e a formular sua estratégia. A grande maioria – podemos ler nas entrelinhas – paga fortunas e gasta muito tempo para acabar fazendo mais do mesmo, porém com um “selo de garantia” que pode ser usado para justificar novos investimentos e a aprovação de novos budgets.

Leiam um artigo que escrevi em junho de 2010: Empresas estão comprometidas em preservar os problemas iniciais que as criaram.

Se você contrata uma consultoria para receber um plano que, na realidade, é mais daquilo que você já faz, eu pergunto: por quê? Por que gastar todo esse dinheiro e esse tempo?

Me entristece ver empresários que simplesmente aceitam que copiem ou repliquem planos anteriores, com novos indicadores de sucesso ou padrões de investimento, porque, no final das contas, eles estão gastando dinheiro dos clientes, funcionários e investidores para nada.

Acredito que temos, nesta vida, a obrigação de sempre criar coisas novas e interessantes que façam avançar e evoluir nossa civilização. E quem melhor do que as empresas para contribuir com tal evolução? Então, quando você apenas copia e/ou replica aquilo que já existe, você está, a meu ver, regredindo, em vez de evoluir.

Sei que as empresas têm limitações, principalmente de pessoas que não gostam de mudanças. Não gostam de riscos. Querem e procuram sempre mais do mesmo.

Eu, ao contrário, do que mais gosto é receber um briefing que é quase um papel em branco para formular a estratégia de uma empresa: apenas uma ideia do mercado ou do cliente que se pretende atender e do tipo de produto que se deseja fornecer (sem a limitação dos altos investimentos anteriores que precisam ser recuperados). É nessa simplicidade que está a beleza do projeto e a inteligência do cliente. Ele me deixa completamente livre para criar.

Devo enfatizar: gosto muito da simplicidade. Há clientes interessados em ver detalhes que chegam a projeções esmiuçadas de números de custos, faturamento e obrigações que só servem para empresas contábeis. Eles querem se perder nos complicados detalhes de planos, projeções financeiras, projeções mercadológicas, entre outros, quando a simplicidade da descrição do conceito é tudo de que precisamos. Não percebem que, na realidade, é necessário buscar a pureza. A simplicidade.

Esses clientes também costumam querer a aprovação de várias pessoas, que vão opinar e agregar mais complexidade ao plano. Assim, ao concluir o trabalho, eles ganham um “Frankenstein”, todo remendado. Remendado, mas complexo: do jeitinho que seus funcionários esperam que seja um plano – aquele que assegura permanência e garantia de emprego.

Não gosto disto. Não é para o que sou contratado. Não é honesto. Perde-se a pureza.
Quando sou contratado para um trabalho, meu papel no processo é o de interpretar “os desejos do cliente”, filtrados pelo meu entendimento. Não tenho tempo para entender todos os desejos, frustrações, paparicações e manias que gostariam que fossem incluídos no projeto.

É meu papel direcioná-lo ao caminho certo… Do meu ponto de vista, pessoas que fazem exatamente o que o cliente deseja são desonestas. Cada um de nós tem uma obrigação na vida – não importa se é homem ou mulher, consultor, jornalista, médico, político –, a de melhorar o nível de qualquer coisa que venhamos a fazer. Viemos ao mundo para melhorar nossa sociedade, para aperfeiçoar nossa espécie. Se não for assim, nossa existência será em vão.

Algumas pessoas acham que é mais fácil fazer dinheiro apenas dizendo “sim” e “puxando o saco”, mas isso é inaceitável. Moralmente inaceitável. A beleza está em trazer tudo e todos ao maior patamar de qualidade e evolução possível. A beleza está em questionar. Buscar alternativas. Encontrar tendências. Simplificar. E se manter puro nas ideias.

E para aqueles que não conseguem entender a pureza e a necessidade de realizar mudanças em suas companhias, menciono abaixo algumas mudanças que afetaram e até mesmo arrasaram certos setores. São conceitos puros, simples; complexos apenas em sua tecnologia:

  • O Spotify faliu as gravadoras;
  • O Netflix faliu as locadoras;
  • O booking pela internet complicou a vida das agências de turismo;
  • O Google eliminou diversas indústrias, entre elas as Páginas Amarelas e as enciclopédias;
  • O Airbnb está complicando a vida dos hotéis;
  • O WhatsApp está complicando a vida das operadoras de telefonia;
  • As mídias sociais estão complicando a vida dos veículos de comunicação;
  • O Uber está complicando os taxistas e locadoras de carros;
  • Os smartphones acabaram com as revelações fotográficas e com as câmaras amadoras, entre outros tantos produtos;
  • O Waze acabou com os guias de ruas e com os aparelhos de GPS;
  • O YouTube está complicando a vida das redes de televisão e dos canais abertos;
  • O Facebook está complicando a vida dos portais de conteúdo e jornais;
  • O banco on-line inutilizou as agências bancárias.

Paro por aqui, pois a lista não tem fim.

Desde o início dos anos 2000, tenho dito às pessoas que me consultam que, em algum lugar, consciente ou inconscientemente, alguém está, neste exato momento, desenvolvendo algo que irá tornar sua empresa ou seu produto obsoleto. Portanto, olhe para sua empresa, produto ou serviço e avalie se ele se encaixa na tendência apresentada acima. Se a resposta for positiva, questione o compromisso de continuar fazendo o mesmo e analise de que outras maneiras sua empresa pode se renovar, para sobreviver em um mercado transformado pela tecnologia. É assim que se inova, que se identificam novas tendências e se sobrevive. Mas mantenha sempre a simplicidade e a pureza!

Para os que buscam a complexidade, temos de “desmaterializar” a estratégia de todos os relatórios, análises, números etc. que tiram sua pureza. Quanto menos materialização, mais inteligência e pureza de conceitos, e maior a chance de encontrar saídas para a sobrevivência de sua organização.

A beleza da pureza é atemporal. É atual. Quando você a identifica, não quer mudar nada.
Para encontrá-la, acredito, é preciso começar simplesmente com um papel e um lápis. Sem softwares ou processos, pois estes na realidade cerceiam sua criatividade, já que induzem suas ideias a se adaptarem ao cérebro e à criatividade de quem criou tal programa ou processo.

Com um pedaço de papel e um lápis, você é livre: ao contrário do que ocorre quando emprega um computador ou um processo pré-definido, com esses instrumentos simples ninguém limita como você os usa ou o que você cria.

Para finalizar este artigo e enfatizar o motivo pelo qual o escrevi, quero frisar que, como pessoas, temos a obrigação de elevar o nível daquilo que fornecemos e que deixaremos à sociedade. É nossa obrigação criar coisas novas e interessantes que façam avançar e evoluir nossa civilização. Sem isso, para que viemos ao mundo?

 

Max Gorissen

 

Todos os nomes de empresas utilizados neste artigo pertencem e tem Copyright das próprias empresas e somente foram utilizados neste de forma ilustrativa. As opiniões e ideias descritas neste artigo não representam necessariamente as opiniões e ideias destas empresas.

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