Náutica Tapioca – Reforma Naval em Madeira

A náutica e estaleiro Tapioca era especializada na guarda de embarcações e na construção e reforma naval em madeira.

Conhecidas na época como “Náuticas”, a Tapioca, montada em 1947 pelo “Velho Dico Tapioca“, como era conhecido o Sr. Benedito Leite, foi uma das primeiras marinas do Guarujá – SP e ficava localizada na Estrada Guarujá-Bertioga, Km 17,5 – São Paulo, nas margens do canal de Bertioga, quase em frente ao hoje conhecido condomínio Iporanga.

Foto do estaleiro, tirada enquanto navegava com o Gaia 1 pelo Canal de Bertioga no ano de 2017. Foto: Max Gorissen

Com um terreno de 160 metro de frente ao canal, foi uma das maiores náuticas da época, possuindo no seu auge mais de 300 lanchas de até 35 pés guardadas no “seco”.

Na época da sua fundação, não existia nada por lá. Era apenas um grande manguezal, cortado por um canal muito mais estreito do que é hoje. A estrada era de terra batida.

Para se ter um idéia da importância da náutica, as primeiras lanchas CarbrasMar (ainda de madeira) a ir para a água, tirando as que estavam no Iate Clube de Santos, foram lançadas na Náutica Tapioca.

O Velho Dico Tapioca também é lembrado por ter ensinado muitos adolescentes a esquiarem (esqui aquático) nas águas do local.

No ano de 2018, o esplendor da náutica havia dado lugar a um estaleiro simples, voltado para a construção e reforma naval especializada em madeira (também trabalhavam com fibra de vidro).

Seus maiores clientes eram pescadores da região que precisavam reformar seus barcos de pesca e alguns poucos veleiros de madeira.

Um exemplo de veleiro restaurado no local, foi a restauração completa do veleiro Cangaceiro (várias reformas), um clássico Veleiro Classe Brasil, realizada no estaleiro e finalizada no ano de 2016.

Várias fotos do veleiro Cangaceiro durante reformas no Estaleiro Tapioca. Fotos: Marília Vestphal

No estaleiro, também ficou abandonado por muitos anos outro veleiro Classe Brasil, o Veleiro Bermuda, ex Ondina.

No ano de 2010, consegui fazer o registro deste veleiro já em fase avançada de decomposição (vídeo no link e na foto abaixo), que estava abandonado por seu proprietário havia anos no estaleiro e, assim, registrar sua história.

Ondina, já com o nome “Bermuda”, praticamente abandonado na Náutica Tapioca no canal de Bertioga no ano de 2010. Foto: Max Gorissen

Infelizmente, por causa da sua deplorável condição e inviabilidade de recuperação, perdemos para sempre o veleiro Ondina/ Bermuda e, com ele, parte da nossa história… o veleiro foi totalmente desmontado no ano de 2015, suas madeiras queimadas e suas ferragens e o chumbo da quilha vendidas para poder reembolsar o estaleiro por sua estadia.

A família, continuou morando na propriedade e realizando reformas de embarcações até o ano de 2018, quando foram encerradas as atividades náuticas e a área foi recuperada através do Programa de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD), restabelecendo assim o equilíbrio físico e biótico do local. Hoje, quem passa pelo Km 17,5 da Estrada Guarujá-Bertioga, nem imagina de que, algumas décadas atrás, naquele local, existiu uma das maiores marinas do litoral paulista.

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Tenho como sonho um dia poder implementar uma iniciativa para preservar o patrimônio náutico brasileiro… por isso, já pensando em algum dia poder implementá-lo, além do Cadastro de Veleiros Clássicos, decidi pesquisar e escrever artigos sobre diversos assuntos relacionados à vela brasileira, entre eles, os veleiros desenvolvidos no Brasil… é sobre isso que irá encontrar informações no texto abaixo… caso possa colaborar com informações ou registros históricos, entre em contato. O que não podemos deixar acontecer é essa história se perder.

Max Gorissen – Velejador. Escritor.


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