Tenho como sonho um dia poder implementar uma iniciativa para preservar o patrimônio náutico brasileiro… por isso, já pensando em algum dia poder implementá-lo, além do Cadastro de Veleiros Clássicos, decidi pesquisar e escrever artigos sobre diversos assuntos relacionados à vela brasileira, entre eles, os veleiros desenvolvidos no Brasil… é sobre isso que irá encontrar informações no texto abaixo… caso possa colaborar com informações ou registros históricos, entre em contato. O que não podemos deixar acontecer é essa história se perder.
Max Gorissen – Velejador. Escritor.
A classe 5 Metros foi concebida na França em 1929, contudo, somente ficou famosa e se desenvolveu quando projetistas finlandeses levaram a classe “Five” para o mercado nórdico, em meados da década de 1930, onde imediatamente obteve enorme sucesso, especialmente na Suécia (1936) e na Finlândia. A classe alcançou status internacional em 1935 e ganhou popularidade até mesmo na Itália, na Argentina e no Brasil.

A classe 5 Metros tentou tornar seu veleiro em uma das embarcações olímpicas dos Jogos Olímpicos de 1940, contudo, a guerra e a política impediram, o que, por um lado, foi benéfico pois manteve as regras intactas e os barcos competitivos entre si.
Após a II Guerra Mundial, veleiros da classe 5 Metros na Suécia e na Finlândia continuaram competindo e a classe “florescendo”, principalmente na Suécia onde os barcos se tornaram cada vez mais extremos e avançados em seu design. Ainda com grandes esperanças de que a classe internacional de 5 metros se tornasse uma classe olímpica, substituindo a classe de 6 metros, o que aconteceu foi que, uma nova classe, a de 5,5 metros, foi criada e, consequentemente, o interesse da Suécia pelas regatas à vela com a classe internacional de 5 metros diminuiu. Provavelmente, esse foi um dos motivos pelos quais 6 barcos foram vendidos e exportados para o Brasil.1 Apesar da perda de interesse, registros indicam de que, entre 1929 e 1950, cerca de 300 veleiros da classe “Five” foram projetados e construídos.
O “Five” é um veleiro de regata ágil e esportivo para três pessoas, que voltou a ganhar popularidade na Europa graças aos seus custos de manutenção moderados, tripulação reduzida, facilidade de transporte em reboque e uma comunidade de regatas ativa e amigável.2
Importante deixar claro de que a Classe 5m não é e não faz parte da “International 5.5 Metre Class”, da qual temos no Brasil apenas um veleiro; o Barbra. Também não estão relacionados aos veleiros Marga, Stella I, Stella II, Barbará e o Aileen que pertencem à “International 6 Metre Class”.
Para efeito de esclarecimento, as antigas classe que utilizaram a “Regra Métrica” (1907 a 1987) são:
- 6 Metros (6mR): Concebida em 1907 e usado nas Olimpíadas (1908-1952).
- 12 Metros (12mR): Concebida em 1907 e usado nas Olimpíadas (1908-1920), ficou famosa como a classe da Copa América (1958-1987).
- 8 Metros (8mR) e 15 Metros (15mR): Projetados sob as regras iniciais de 1907.
- 5 metros (5mR): Concebida na França em 1929.
- 5,5 Metros (5,5mR): Introduzido por volta de 1949, substituindo os barcos da classe 6mR como uma das principais classes olímpicas após 1952.
A classe 5m RI no Brasil

A classe 5m RI (Rating/Regra Internacional) no Brasil só existiu graças aos esforços do Sr. Ragnar T.Janér (durante sua vida foi proprietário de vários veleiros, no Brasil, entre eles: Biscaya, Fri, Singoala e Vanadis), um sueco que morava no Rio de Janeiro, reconhecido como o maior incentivador da classe internacional 5m brasileira e a pessoa responsável pelo lançamento da classe por aqui, em 1947, quando, através da sua companhia T.Janer, importou 6 veleiros Suecos “usados” da Classe Internacional 5 metros para velejadores que navegavam na Represa Nova (nome mudado para Represa Billings em 1949), em São Paulo.
Os veleiros da classe 5 metros importados para o Brasil foram:3
- S47 Fri, Tord Sundén, 1939
- S52 Sjömej Tord Sundén, 1941
- S70 Monique, Knud Reimers, 1943
- S71 Ma Petite, Kund Reimers, 1943
- S77 Sjutusa, Arvid Laurin, 1944
- S81 Winga, Tord Sundén, 1945
Segundo relato de Lennart Svedelius, amigo de Ragnar Janér, e que relata na palestra realizada pelo Comitê Histórico da Associação Sueca de Vela – SEGLARE MINNS em 17 de novembro de 2004 como tudo aconteceu, a organização da empreitada ficou a cargo do projetista naval Kund H. Reimers.
Na palestra, Lennart Svedelius disse; “Em algumas semanas farei 90 anos, então vocês vão ter de me perdoar se eu pular um pouco aqui e ali. Você faz isso quando fica velho. Você mencionou o Conny Looft. Eu o conhecia bem quando era menino. Depois perdemos contato, mas no final dos anos 40 um senhor chamado Ragnar Janér apareceu. Ele queria comprar um veleiro e era um custo bem alto. Biscaia, se você conhece. Esse capitão morava no Rio, mas no verão em que morou aqui navegamos juntos. Eu tinha um velho Blekingseka, que comprei em Gotland, com velas carangueja e nos divertimos muito. Ele viu alguns desses veleiros 5m e me perguntou se seria algo para ter no Brasil. “Sim,” respondi, “você pode muito bem falar com o Knud.”

Ele pegou alguns 5m e, pelo que me lembro, havia pelo menos seis 5m que foram enviados a bordo de um barco da Marinha Mercante Sueca Johnsson. Não sei se foi em 1948 ou 49. Depois ele conseguiu me convencer a ir para o Brasil trabalhar. Eu ia ficar uns três anos e organizar uma coisa lá. Fiquei lá por 40 anos! A ideia de Ragnar com esses 5m era que eles fossem navegados na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. A baía era amplamente utilizada para vela.

Infelizmente, descobriu-se que Ragnar havia cometido um erro de cálculo, pois os barcos eram pequenos demais para navegar na Baía de Guanabara. Eles eram abertos e não havia escoamento automático (self-bails), por exemplo. Ragnar sugeriu que fôssemos para São Paulo, onde havia mais alemães-brasileiros em um lago maior de dez quilômetros quadrados (Billings) onde podiam ser realizados percursos triangulares. Três ou quatro alemães-brasileiros se convenceram a comprar veleiros. Havia Sjutusa, Má Petit, Stig(?). Não lembro o nome de todos...”4 (Leia em “Como os 5m RI chegaram ao Brasil?” quase ao final deste texto onde, além do relato completo do Sr.Lennart, também disponibilizo o documento original).
A classe de cinco metros, originalmente francesa, foi estabelecida na Suécia em 1936. Durante a Segunda Guerra Mundial, a classe floresceu na Suécia e os barcos se tornaram cada vez mais extremos e avançados em seu design. Após a guerra, a Suécia tinha grandes esperanças de que a classe internacional de 5 metros se tornasse uma classe olímpica, substituindo a classe de 6 metros, mas, em vez disso, uma nova classe, a de 5,5 metros, foi criada e, consequentemente, o interesse da Suécia pelas regatas à vela com a classe internacional de 5 metros diminuiu. Acredito que esse foi um dos motivos pelos quais 6 barcos foram vendidos e exportados para o Brasil.
A primeira menção aos veleiros da classe 5m em regata no Brasil, aparece em uma súmula do Campeonato Metropolitano de Vela de 1947, realizado de 9 a 30 de novembro de 1947 no Rio de Janeiro, na qual, provavelmente, vários velejadores cariocas estariam ávidos por testar os “novos” veleiros ali chegados e desembarcados do navio.
Estes veleiros, posteriormente, foram utilizados para a seletiva brasileira da classe Dragon (Dragão) para os Jogos Olímpicos de Helsinque em 1952 ja que, no Brasil, na época, não havia uma flotilha constituída de veleiros Dragon (saiba mais em Dragão dos mares). Mais sobre esta seletiva será abordado um pouco mais adiante.
Mas voltemos no tempo para 1947… como mencionado, nesse ano, três veleiros da Classe 5m RI participavam do Campeonato Metropolitano de Vela, realizado na baía de Guanabara no Rio de Janeiro, em quatro dias de regata no mês de novembro (dias 9, 16, 23 e 30). A competição terminou com o veleiro Má Petite (Greif), comandado por Helmuth Hinden em primeiro e com o veleiro Sjomej, comandado por Fernando Pimentel Duarte em segundo. Infelizmente, não encontrei menção do nome do terceiro 5m RI e nem de seu comandante.
Em reportagem da Revista Yachting Brasileiro (No. 39 de janeiro de 1948), Oscar Ramos comentou; “Helmuth Hinden, comandando o iate “Má Petite”, foi o vencedor da quarta regata e pela contagem de pontos, o “campeão” desta classe. Foi a disputa mais renhida que presenciamos, pois Fernando Pimentel Duarte, o 2º colocado, comandando o iate “Sjomej”, não deu tréguas ao seu adversário Helmuth. Chegou o vencedor com uma diferença pequena, de uns 8 segundos, depois de um percurso de mais de 10 milhas, o que bem demonstrou que Fernando soube aproveitar melhor rajadas, embora tenha saído atrasado logo após a partida, achava-se ele em 3° lugar, conseguindo recuperar a diferença e por mais de uma vez esteve em compromisso com o iate vencedor.“.
Infelizmente, não encontrei informações sobre os 5m durante o ano 1948, primeiro ano da classe no Brasil. Se puder contribuir envie as informações, artigos e fotos para contato, e incluirei no artigo com os devidos créditos.

Em artigo na Revista Yachting Brasileiro No. 56 de junho de 1949, o Sr. Alberto João, comenta; “Toda Classe, seja ela de grande ou de pequeno porte, surge em algum ponto do globo devido a um ou a poucos entusiastas iniciais, que têm o ideal de fazerem-na crescer e progredir. Assim foi na Represa do Rio Grande (Billings) com o 5m RI, onde, o Sr. Frederico Krueder, que é “o homem dos 5m R” no CVRG (Clube de Vela Rio Grande) e em São Paulo, vem trabalhando e catequisando elementos para essa nobre classe restrita. A tarefa não é fácil, mormente quando se trata de iate bem mais custoso que os outros já existentes (Snipe, Lightning e Star). Apoiando a ideia de introdução de mais estes barcos, o CVRG, por ideia do Sr. Krueder, em fins de julho de 1949 realizará a primeira regata de 5m R do Estado de São Paulo. A data, sujeita a confirmação ainda, será 24 daquele mês, e comparecerão ao que tudo indica, além do 5m R do novo pioneiro e incentivador, mais dois concorrentes, no mínimo: um do Sr. Bruno Hollnagel, grande entusiasta da vela, e outro do Sr. Ragnar Janér, o idealista do iatismo que assim nos empresta o seu valioso auxílio. Os detalhes de contato pessoal, inscrições, comparecimento etc. estão inteiramente a bom cargo do Sr. Frederico Krueder, ao passo que organização, patrocínio e realização estão a cargo do CVRG. Já se cogita um troféu de posse transitória, o qual muito provavelmente será doado pelo Sr. Hollnagel. Seria mais um grande passo para o iatismo paulista se o CVRG conseguisse introduzir esta mundialmente empregada classe no “Mar de Piratininga” por intermédio de ativo e entusiasmado elemento como é o Sr. Frederico Krueder“.
Assim, no dia 24 de agosto de 1949, como parte da fundação do novo Clube de Vela Rio Grande, na represa do Rio Grande, também chamada Represa Nova e, posteriormente, rebatizada de Billings em 1949, foi realizada o 1º Troféu, com base nas normas de regata da Scandinavian Gold Cup.

Em reportagem da Revista Yachting Brasileiro No. 58 de agosto de 1949, Edith Boehm escreveu; “Assim, desde cedo, a afluência de desportistas ao sítio do Sr. Krueder, onde seria feita a concentração dos participantes e espectadores para o importante certame, era bastante grande, tanto por terra de automóveis, como pela água, de barcos a vela e motor. Ao meio-dia, depois de uma variada refeição num ambiente de franca alegria e cordialidade, o Sr. Ernesto Schick, comodoro do novo Clube de Vela do Rio Grande, deu início à solenidade pronunciando expressivo discurso, em que salientou a importância daquele dia para o esporte na Represa Nova e, consequentemente, em São Paulo, assim como agradeceu a doação do belo troféu “5m R” pelo grande “yachtsman” brasileiro Bruno Hollnagel. Começaram, então, os preparativos para a sensacional “pegada”. Os concorrente eram: Barco S.47 — “Fri” – Timoneiro, Ragnar Janér – Proeiros, Walter von Hutschler e Robert Mellin; Barco S.70 – “Hansa” (ex “Monique”) – Timoneiro Frederico Krueder – Proeiro Nora Krueder e Berthold Alisch; Barco S.77 – “Wolf” (ex “Sjutusa“) – Timoneiro Bruno Hollnagel – Proeiros, Bernhard Kurz e Albert Idzenga.

Ainda com os concorrentes em preparativos e com a assistência e comissão da regata embarcando, desabou repentinamente violento aguaceiro, que felizmente durou pouco. Logo depois, já dada a partida, um rápido nevoeiro encobriu tudo. Em breve, porém, esse mesmo nevoeiro foi-se levantando aos poucos a revelando, como una “cortina” de teatro, o maravilhoso espetáculo dos três 5m R, de ‘spinnakers’ armados, deslizando sobre as águas num cenário ensolarado. O vento permaneceu relativamente fraco, de S, depois de SE.
O percurso foi traçado pelo “sistema escandinavo”, encurtado porém de uma volta por decisão da comissão de regata, constituída dos Srs. Ernesto Schick, Hans Werner Klein e Luís Bruno Kirchner.
Foi vencedor o S.77 “Wolf”, depois de uma luta renhida e leal, pois os seus competidores souberam vender caro a derrota. Após a regata, as felicitações à tripulação vitoriosa se prolongaram pela noite a dentro, numa reunião festiva que a hospitalidade do casal Krueder proporcionou a todos os que presenciaram os acontecimentos daquele dia, 24 de Julho de 1949, o qual ficará como um marco inicial na história do esporte na magnifica Represa do Rio Grande, um campo ideal para a prática do yachting“.


A regata oficial da Taça 5m RI (instituída pelo “sportsman” Bruno Hollnagel) e realizada domingo, dia 25 de setembro de 1949, transcorreu sob boas condições de tempo e vento, o que possibilitou aos quatro participantes percorrer a raia conforme as normas de regata da Scandinavian Gold Cup, em menos de 3 horas.
Foram as seguintes as colocações dos 4 participantes: 1° “Fri” S-47 de Ragnar Jéner em 2h.13m.; 2° “Greif” (ex “Má Petite”) S-71 de Heinz Hellner em 2h.21m.02s.; 3° “Hansa” (ex “Monique”) S-70 de Frederico Kreuder em 2h.23m.2Ts. e 4° “Wolf” (ex “Sjutusa”) 5-77 de Bruno Hollnage em 2h.28m.35s.
O “Wolf”, que ganhou a primeira regata, e o “Fri” contam, assim, com uma vitória cada um para a disputa da taça de 1949, taça esta que é disputada anualmente e para a qual são necessárias 2 vitorias consecutivas (matéria “Atividade da Vela em São Paulo” da Revista Yachting Brasileiro N° 60 de outubro de 1949).
Informações extraídas d’O Cesto da Gávea: “A 2 de outubro de 1949, feitas duas regatas preliminares a 24 de junho e a 16 de setembro, inaugurou suas atividades a Flotilha de Snipes de São Paulo, com uma prova de seis barcos; a 16 de outubro, outra competição, com cinco barcos; a 6 de novembro, mais duas, com seis, e más condições de tempo. A 20 do mesmo mês, o comparecimento só de quatro obstou que se corressem as duas regatas do programa.

Curiosidade da prova amistosa de Snipes corrida a 24 de julho, em comum com os 5 m RI, foi o Snipe “Batuira” de Ernesto Alm chegar sete minutos depois do 5m. “Wolf” (Sjutusa), vencedor, quando os Snipes tinham saído 30 minutos depois dos internacionais. Consequências talvez da brisa fraquíssima. Nas quatro regatas oficiais de Snipe (Campeonato de Pontos) a classificação foi esta: 1° “Batuira”, Ernesto Alm e Gertrudes Meyer, 3 primeiros e 1 terceiro, 2° “Serelepe”, H.W.Klein e Paulina Micelli, 1 primeiro e 3 segundos; 3° “Boogie”, H.T.Juetz e Leny Hegyesi, 1 segundo e 1 quarto; 4° “Osiris”, Wilma Alm e M.Beumert e depois o Comodoro E. Schick em 5° e mais 6°”Coquet”, Otto Kirchner (capitão da flotilha) e Ada Kirchner; 7° “Rille”, Waldo Weigand e Guenther Schenck (desclassificado por “Boogie” na 3ª prova) e 8° “Freya”, I. Heinritz e W. Heinritz. Convém destacar que no dia sem regata por falta de número, as guarnições dos quatro Snipes presentes compreendiam cinco moças e três rapazes.
A atividade da Classe Star no C.V.R.Grande começará em janeiro de 1950, precedida pelas eleições da nova diretoria. Há cinco Stars feitos e quatro em projeto. O comodoro do Clube, Ernesto Schick, é o atual capitão “starista”. Stars, Snipes, 5m RI e a classe mista compõem a frota veleira do promissor núcleo iatista do município de São Bernardo do Campo, nas vizinhanças da capital paulista (Represa Nova)“.
O Yacht Club Eldorado, nos dias 18 e 19 de novembro de 1950, iniciou as atividades com brilhantes festejos de que constaram várias provas de esqui aquático e veleiras. Venceram as regatas de vela, na classe olímpico: 1° “Icaro”, com Victor Iten; 2° “Jeep”, com Percy Putz e 3° “Guaíba”, com Walter Luce; na classe 15 metros: 1° “Taifun” com Siegfried Dangel; na classe 20 metros: 1° “Ubá”, com Harry Boehm; 2° “Aschianti”, com Herbert Pickart e 3° “Le Fantasque”; na classe 5-metros RI: 1° “Greif”, com Hein Hellner; 2° “Fri”, com Walter V. Huetschler e em 3° “Wolf” (Sjutusa), com Frederico Krueder. Os barcos da classe 5 metros RI foram gentilmente cedidos pelo Clube de Vela Rio Grande, que assim concorreu para abrilhantar os festejos (matéria “Notícias dos centros de Yachting” da Revista Yachting Brasileiro N° 75 de janeiro de 1951).
Em abril de 1951, foram confirmados os rumores da dissolução do “Iate Clube El-Dorado”, fundado praticamente ao mesmo tempo que o já conhecido “Clube de Vela Rio Grande” (renomeado Clube Cruzeiro do Sul quando a represa mudou de nome para Billings). A dissolução foi grandemente devida a dificuldades de sede, não conseguindo os associados, nem local, nem fundos suficientes para a construção. Era o “início do fim” da vela na represa Billings, aos poucos sendo substituída pela Represa de Guarapiranga pelos velejadores paulistas.

Dia 29 de abri de 1951, o Clube Cruzeiro do Sul encerrou a temporada de 1950, com a realização da prova “II Volta da Represa Billings”, corrida no ano anterior (1950), pela primeira vez. Com 24 barcos inscritos, além dos barcos filiados ao clube, teve o comparecimento de representantes dos clubes sediados na Represa de Guarapiranga.

As classes abrangiam Star, Snipe, Cruzeiro, Iole Olímpico, Sharpie 12m², Lightning, Delphin e a classe 5m RI. O resultado da Classe 5m RI na “II Volta da Represa Billings” foi a seguinte: 1° “Hansa” com Frederico Krueder com 15h e 05min; 2° “Greif” com Heinz Hellner com 15h 06min e 20 seg.; 3° “Sjutusa” com Roberto Reichert terminando com 15h 15min e 45seg.
O 5m R “Fri”, comandado por Walter V.Hütschler, bi-campeão mundial de Star, não correu dentro das regulamentações que regiam o programa, exigindo-se que todo comandante e todo barco estejam regularmente inscritos em uma das flotilhas do Clube. Embora este 5m R pertença à Flotilha “F” do ICCS, seu comandante-timoneiro, durante esta regata, não é associado do Clube, não sendo, assim, válida a prova para ele, de acordo com decisão da Comissão de Regata. “Foi lamentável Von Hütschler não ter cumprido com esta exigência, pois teria sido reconhecida a sua então significativa 1º colocação na classe de 5m R, e 2º geral, logo atrás do “Fita Azul”, o Star “Caiçara” de Rubens Sommer“.
A Classe 5m RI, ou Flotilha “F” de São Paulo, realizou com regularidade suas provas triangulares e de longo percurso. As taças transitórias disputadas, a “5m RI São Paulo” (último vencedor Frederico Krueder com três regatas), a “Hungária” (último vencedor Walter V.Hütschler com duas regatas) e “Greif” (último vencedor Frederico Krueder com três regatas). Na época, a classe tinha 4 (quatro) veleiros e a previsão era de que na próxima temporada aumentaria em dois veleiros.
Com o aumento de veleiros na classe 5m RI, nessa época, Heinz Hellner propôs a seus companheiros a inclusão no calendário de uma longa “Regata Noturna” na represa.

No dia 10 de setembro de 1951, como parte dos festejos do 4º aniversário do Clube Cruzeiro do Sul na Represa Billings e, para marcar o “auge” dos grandes festejos e o toque das comemorações, foi realizada uma regata da Flotilha “F” de 5m RI.
Cinco deles partiram defronte ao Clube com vento regular e tempo que, muito infelizmente, não correspondeu às expectativas. Uma chuva fina, pouco acolhedora, caía inapelavelmente, acompanhada dum frio que, a despeito de agasalhos, penetrava até a alma. Tecnicamente falando, a regata não deixou de interessar, como aliás era esperado. Os “marujos” dos 5m RI em São Paulo são dos mais entusiasmados, dos mais disciplinados, e não decepcionaram.
“Apesar das dificuldades atuais (que, conforme estamos informados, serão sanadas brevemente pelo Clube), quanto a facilidades de pôr em seco os seus pesados barcos, estes homens dispensam os mesmos cuidados aos 5m RI que os seus colegas do Snipe ou do Star o fazem: lixam, pintam e lustram obras vivas e mortas antes das regatas, afinam e ajustam com o mesmo esmero. O resultado, naturalmente, são regatas dignas de serem apreciadas tanto por leigos como por entendidos“.
Os resultados desta prova foram: 1° “Sjutusa” n° 77, timoneiro Arnold Krayer Krauss, tripulação Sra.Krayer Krauss e Dr.Roberto Reichert, com 2h 12m 27s; 2° “Hansa” n° 70, timoneiro Frederico Krueder, tripulação D.Nora Krueder e Ernest Fluegge, com 2h 16m 35s; 3º “Greif” n° 71, timoneiro Heinz Hellner, tripulação D. Edeltraut Hellner e Helmuth Nicolas, com 2h 17m 15s; 4º “Winga” n° 81, timoneiro Lars Oestrand, tripulação Harald Julien e Bernd Christensen, com 2h 34m 50s; 5º “Sjomej” n° 52, timoneiro Karsten Orberg, tripulação Gil de Souza Ramos e Borge Orberg, com 2h 38m 45s.
Outros momentos solenes se passaram com destaque para a nova “Taça Hansa”, doada pelo Sr. Frederico Krueder em nome dos 5m RI à qual poderá concorrer toda classe de embarcação veleira em regatas de longo percurso.

Veleiros 5m RI, com o Greif 5-71 em primeiro plano, Sjutusa 5-77, Hansa 5-70, Winga 5-81 e Sjomej 5-52, instantes depois da largada da regata do 4º aniversário do ICCS (Iate Clube Cruzeiro do Sul) realizada na Represa “Nova” Billings – SP no dia 10/09/1951. Foto: Alberto João na Revista Yachting Brasileiro No. 84 de outubro de 1951. Todos os direitos reservados. Proibida sua reprodução.
Estes veleiros, da classe 5m RI foram posteriormente utilizados para a seletiva da classe Dragon para os Jogos Olímpicos de Helsinque em 1952 (saiba mais em Dragão dos mares), já que no Brasil não havia uma flotilha constituída de Dragões. O comandante vencedor foi o Sr. Wolfgang “Putz” Richter, junto com Francisco “Nini” Isoldi e Peter Mangels, os três sócios e velejadores do YCSA, velejando no veleiro da Classe Dragon chamado “Escapade”, que acumulou 2.884 pontos ao longo das sete regatas, o que os colocou em 7º lugar entre as 17 nações participantes. A medalha de ouro foi conquistada pela equipe norueguesa Thor Thorvaldsen, Haakon Barfod e Sigve Lie a bordo do veleiro de nome Pan.
O livro “Soprando as Velas – YCSA 70 anos” relata a aventura que foi participar dessa Olimpíada (texto copiado das páginas 46 e 47): “Como os 5 Metros só existiam na repesa Billings, seus proprietários queriam disputar o pré-olímpico entre si. Mas Mariano Ferraz, velejador da Guarapiranga pelo Yacht Ciub Paulista e na época presidente da Federação Paulista de Vela e Motor, conhecia bem a habilidade dos atletas do YCSA e exigiu que pelo menos uma equipe da Guarapiranga também concorresse à vaga olímpica. Mais acostumados a correr de Sharpie e lole Olímpica, Putz, Peter Mangels e Francisco Isoldi (o “Nini”), formaram o trio da Guarapiranga nas eliminatórias. Seriam sete regatas com troca de barcos. Mas nem foi preciso tudo isso. Velejando nos barcos dos rivais da Billings, a equipe do YCSA venceu quatro regatas consecutivas e liquidou o pré-olímpico por antecedência. Putz estava classificado para ir à sua segunda olimpíada, dessa vez com mais dois companheiros que integravam a tripulação. A ida até a distante Helsinque foi uma aventura inacreditável para os dias de hoje. Os três foram primeiro para Estocolmo, na Suécia, onde estava à espera deles o Dragon “Escapade”, com o qual disputariam a olimpíada na Finlândia. Após três semanas repintando e polindo o casco, eles começaram a treinar. Como não tinham dinheiro para despachar o veleiro em um navio, o plano era enfrentar o traiçoeiro Mar Báltico e velejar até Helsinque. Poucos dias antes da viagem, foram convidados a participar das eliminatórias suecas. Depois das regatas, em um jantar com autoridades do país, Putz sentou-se ao lado do ministro da Marinha e contou a ele que havia visto um submarino em uma das velejadas noturnas da equipe brasileira. O ministro ficou pálido. Como a Marinha da Suécia não tinha submarino algum, só poderia ser um espião soviético. Pois era exatamente aquele mar que os esperava. Com apenas uma bússola e 24 cartas náuticas a bordo, eles tiveram que navegar cerca de 216 milhas náuticas (400 quilómetros) guiando-se por centenas de pontos de referência. Foram três dias e três noites velejando, com direito a uma tempestade no meio do trajeto que quase derrubou o mastro do Dragon, o que os teria deixado à deriva no mar, já que o barco não possuía motor. Mas eles conseguiram chegar a um porto na Finlândia, onde um navio da Marinha os rebocou até Helsinque, para que pudessem competir na olimpíada. Putz, Nini e Mangels terminaram os jogos orgulhosos, em sétimo lugar. Estavam exaustos, mas com a sensação do dever mais do que cumprido após tamanha saga no mar. Animados com a aventura no Mar Báltico, na volta ao Brasil os três deixaram a Sharpie e a lole para se dedicar a uma classe em franca ascensão, que assim como a Dragon, também era para três tripulantes: o Lightining, que nos anos seguintes trouxe inúmeras vitórias para o YCSA em campeonatos paulistas, brasileiros e mundiais”.
A história dos veleiros brasileiros 5m RI agora se confunde com a história de cada um dos veleiros 5m RI existentes por aqui. Para saber mais desta história e entender a evolução da classe e dos veleiro até os dias de hoje, clique no nome do veleiro na tabela abaixo.
Veleiros Brasileiros conhecidos
No Brasil, seis veleiros da classe 5m RI foram importados. Seus numerais foram mantidos como demonstram reportagens da época onde o “S” de Sweden (Suécia – também usado SWE) aparece antes do número e, em alguns casos, foi substituído pelo “BL” brasileiro:
| Nome | Ano | Numeral | Design | Outros nomes | Status em 2026 |
|---|---|---|---|---|---|
| Fri | 1939 | S 47 e BL 5 | Tord Sundén | ? | |
| Sjömej | 1941 | S 52 e BL 4 | Tord Sundén | Manajó | Não existe mais. |
| Sjutusa | 1944 | S 77 e BL 6 | Arvid Laurin | Wolf | ? |
| Greif | 1943 | S 71 e BL 1 | Kund Reimers | Má Petite | Lago de Tegel, Berlin, Alemanha |
| Hansa | 1943 | S 70 e BL 2 | Knud Reimers | Hazard, Anitra, Monique, Plancton, Cosa Nostra | Passando por uma reforma completa no estaleiro do “Andy” |
| Winga | 1945 | S 81 e BL 3 | Tord Sundén | ? |

Especificações

- Ano do projeto: A regra dos 5 metros foi criada na França em 1929
- Modelo: Classe Internacional 5 metros (5m RI) – “FIVE” – https://www.5metre.fi/
- Material construtivo: Madeira
- Armação: Bermuda
- Tripulantes/ Passageiros: 3
- Comprimento: A fórmula de medição é dada pela International Five Metre Rating Rules*
- Linha d’água (m): várias
- Boca (m): várias
- Calado (m): vários
- Área velica (m²): várias
- Deslocamento (Kg): vários
- Projetistas dos veleiros Brasileiros (veja a seguir): Knud Reiners, Arvid Laurin, Tord Sundén
- Observações: 5 veleiros da Classe Internacional 5 metros foram importados pela companhia T.Janer em 1947, para velejadores que navegavam na Represa Billings em São Paulo. Estes veleiros da classe 5m RI foram utilizados para a seletiva da classe Dragon para os Jogos Olímpicos de Helsinque em 1952. A eliminatória para a Olimpíada de Helsinque de 1952 para a classe Dragão (saiba mais em Dragão dos mares) foi feita com os 5 Metros RI, já que no Brasil não havia uma flotilha constituída de Dragões. O comandante vencedor foi o Wolfgang Richter do YCSA.
*A fórmula usada para determinar a classe:
A fórmula de medição é dada na 2021 International Five Metre Rating Rules:
5.000 metros=L+S2−F−B22

Planos



Como os 5m RI chegaram ao Brasil?
A história contada por Lennart Svedelius, amigo de Ragnar Janér, e que relata em uma palestra em 2004 como tudo aconteceu.
Texto traduzido do Sueco e extraído de palestra do Comitê Histórico da Associação Sueca de Vela – SEGLARE MINNS, 17 de novembro de 2004 (nº 18) – documento enviado por Magnus Eklöf por e-mail em 21/01/2026 – veja documento original a seguir*
Tema: International 5M
No painel:
- Niclas Skärlund, Börje Larsson, Rune Kihlström, Kurt Winblad, Lennart Svedelius, H-E Börjesson, etc.
Público: 82 pessoas
… pulando o texto de 24 páginas direto para a página 15:
Lennart Svedelius: Meu nome é Lennart. Em algumas semanas farei 90 anos, então vocês vão ter de me perdoar se eu pular um pouco aqui e ali. Você faz isso quando fica velho. Você mencionou o Conny Looft. Eu o conhecia bem quando era menino. Depois perdemos contato, mas no final dos anos 40 um senhor chamado Ragnar Janér apareceu. Ele queria comprar um veleiro e era um custo bem alto. Biscaia, se você conhece. Esse capitão morava no Rio, mas no verão em que morou aqui navegamos juntos. Eu tinha um velho Blekingseka, que comprei em Gotland, com velas carangueja e nos divertimos muito. Ele viu alguns desses veleiros 5m e me perguntou se seria algo para ter no Brasil. “Sim,” respondi, “você pode muito bem falar com o Knud.”
Ele pegou alguns 5m e, pelo que me lembro, havia pelo menos seis 5m que foram enviados a bordo de um barco da Marinha Mercante Sueca Johnsson. Não sei se foi em 1948 ou 49. Depois ele conseguiu me convencer a ir para o Brasil trabalhar. Eu ia ficar uns três anos e organizar uma coisa lá. Fiquei lá por 40 anos! A ideia de Ragnar com esses 5m era que eles fossem navegados na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. A baía era amplamente utilizada para vela.
Infelizmente, descobriu-se que Ragnar havia cometido um erro de cálculo, pois os barcos eram pequenos demais para navegar na Baía de Guanabara. Eles eram abertos e não havia escoamento automático (self-bails), por exemplo. Ragnar sugeriu que fôssemos para São Paulo, onde havia mais alemães-brasileiros em um lago maior de dez quilômetros quadrados (Billings) onde podiam ser realizados percursos triangulares. Três ou quatro alemães-brasileiros se convenceram a comprar veleiros. Havia Sjutusa, Má Petit, Stig(?). Não lembro o nome de todos.
O que eu queria falar agora é sobre o “conto de fadas” do Má Petit. Na verdade, parece mesmo um conto de fadas. Foi vendido para um segurador em São Paulo, chamado Hellner, um homem entusiasmado. Eu mesmo cuidei do Inga e fui navegando. Tivemos navegações fantásticas em um percurso triangular de verdade e nos divertimos muito. Os brasileiros se interessaram por velejar internacionalmente e a federação local entrou em contato conosco para saber se poderíamos ajudar de alguma maneira a ir a Helsinque e velejar o veleiro olímpico Dragão. Só havia um Dragão no Brasil, um dinamarquês era seu dono. Sugeri que a gente fizesse cinco regatas com os 5m e o Dragão, e cada um escolheria um barco e depois … (problema no microfone – não se conseguiu entender).
Você tem que ter um barco na Suécia e me pediram para perguntar ao conselho se eles podem nos arranjar um Dragão. Então eu telegrafei para Conny Looft e pedi para ele comprar um Dragão. Eventualmente, os rapazes foram para a Suécia e foram para Saltsjöbaden, onde ficaram com Conny em sua casa de campo em Älgö. Eles desmontaram o Dragão até que restou apenas a carapaça. Depois, navegaram para Helsinque e se juntaram às regatas. Eles não tiveram muita sorte, mas pelo menos ficaram conscientes de como era navegar em águas frias. Também não é tão fácil velejar nos trópicos, porque é muito quente e você não tem onde se refrescar. Tenho que dizer que prefiro velejar aqui nos países nórdicos.
Esse lago no Brasil ficou muito sujo por causa das chuvas torrenciais e dos rios nas montanhas. Há uma diferença de altitude de 800 m entre as cadeias montanhosas e São Paulo. Chove 4000 mm por ano aqui… (problema no microfone – não se conseguiu entender) … Vou encerrar a história de Má Petit. O Capitão Hellner faleceu, ele era bastante velho, mas tinha um filho, Thomas, que assumiu o barco, e ele havia preparado o barco de tal maneira que era como um sonho.
Neste verão, recebi uma ligação dizendo que ele queria se juntar a mim para velejar em Sandhamn. Ele havia levado o barco em um trailer de Berlim até Estocolmo.
Börje: Alguém se lembrava dele?
Janne et al.: Ah, sim!
Lennart: Eles vieram a Trollharan. Peter e Thomas Hellner exibiram orgulhosamente seu barco. Depois nos sentamos e conversamos sobre antigas lembranças e ele lembrou do tio Lennart. Tivemos uma noite agradável lá e Thomas ligou para a mãe dele em São Paulo dizendo que tinha conhecido Lennart Sevelius. Foi uma reunião fantástica e você vê o que as pessoas podem fazer… (problema no microfone – não se conseguiu entender).
*Comitê Histórico da Associação Sueca de Vela – SEGLARE MINNS, 17 de novembro de 2004 (nº 18) – documento enviado por Magnus Eklöf por e-mail em 21/01/2026.
Projetistas dos veleiros que vieram ao Brasil
Knud Reimers

Knud Hjelmberg Reimers nasceu em Aarhus, Dinamarca, em 1906 e formou-se como construtor naval e projetista na Alemanha. Começou na Krupp-Germania Werft em Kiel, construindo grandes iates à vela e a motor. Depois, frequentou a escola técnica enquanto fazia estágio na Abeking & Rasmussen em Bremen. Em 1930, Reimers conseguiu seu primeiro emprego em um estúdio em Estocolmo com o arquiteto e projetista de iates finlandês Gustav Estlander. Estlander era um projetista consagrado de Skargardskryssare (Cruzadores de Encosta) rápidos e radicais de 20 e 30 metros quadrados. Em 1931, aos 25 anos, Reimers assumiu o estúdio quando Estlander faleceu repentinamente.
O escritório de Knud H Reimers, Arquiteto Naval e Corretor de Iates, estava em funcionamento. Os importantes iates de Reimers, como o Tumlaren e o Bacchant, foram projetados nesta primeira década. Sua abordagem aberta e inventiva reelaboraria e refinaria constantemente esses sucessos anteriores ao longo de uma carreira de 60 anos. Isso garantiu que seus iates fossem competitivos e modernos à medida que as regras, os materiais e as exigências dos clientes mudavam.
Knud Reiners projetou os veleiros 5m RI Greif S-71 (hoje, na Alemanha como BRA 1) e o Monique (Hansa) S-70.
Arvid Laurin

Arvid Laurentius Laurin (Lysekil, 3 de outubro de 1901 — Sköldinge, 6 de maio de 1988) foi um velejador sueco, medalhista olímpico. Ele competiu nos Jogos Olímpicos de Verão de 1936 na classe Star e conquistou a medalha de prata na disputa a bordo do Sunshine com Uno Wallentin.
Da classe Star, Arvid Laurin passou para a classe 5 metros, onde também se tornou o melhor timoneiro.
Sentindo que poderia projetar um barco melhor, criou o Gullmar III (que ganhou o apelido de “A Caixa”). Logo depois, criou cada vez mais projetos, e os velejadores suecos reclamavam em tom de brincadeira que ele havia arruinado a classe, pois para ter alguma chance de vencer, tornou-se necessário possuir um dos projetos de Laurin.
Um iate projetado por Laurin ganhou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Helsinque em 1952 e, quatro anos depois, em Melbourne.
Arvid Laurin projetou o veleiro 5m RI Sjomej S-52 (Sjömey).
Tord Sundén

Tord Sundén (29 de junho de 1909 – 26 de agosto de 1999) cresceu em Gotemburgo e se interessou por vela desde cedo, tornando-se um membro júnior do Royal Gothenburg Yacht Club. Ele se formou como construtor naval na Universidade de Tecnologia de Chalmers. Posteriormente trabalhou como engenheiro de projeto na Eriksbergs Mekaniska Verkstads AB em Gotemburgo. Nas horas vagas, projetava veleiros, entre eles um R 6a para o armador Sven Salén. O Nordic Folkboat, veleiro pelo qual é reconhecido mundialmente, foi inicialmente construído em madeira com casco trincado, posteriormente em fibra de vidro reforçada com plástico (GRP).
Além do Nordic Folkboat e do International Folkboat, existem outros projetos para outros estaleiros, inclusive, de veleiros 5m RI.
Tord Sundén projetou o veleiro 5m RI Fri S-47, Sjomej S-52 (Sjömey) e Winga S-81.
Matérias da época
Artigos sobre os veleiros 5m RI na Revista Yachting Brasileiro de 1948. Todos os direitos reservados. Proibida sua reprodução.
Artigos sobre os veleiros 5m RI na Revista Yachting Brasileiro de 1949. Todos os direitos reservados. Proibida sua reprodução.
Artigos sobre os veleiros 5m RI na Revista Yachting Brasileiro de 1951. Todos os direitos reservados. Proibida sua reprodução.
Depoimentos e contribuições para esta matéria
Marcelo Chade por Facebook em 09/01/2026
Meu pai, Nelson Chade, teve um Dragon na Billings e depois um 5m.
Inclusive o 5m, de nome Sjutusa, foi a minha primeira velejada na vida (2 meses de vida)! Comecei em grande estilo. Um “italiano” o abonou e foi o ultimo dono. Pelo que eu soube, ficou um bom tempo no estaleiro do Flório (nada de novo para veleiros de madeira).
Sobre os Dragons, existiram dois no Brasil, um branco (que foi do meu pai na Billings – Linie) e um amarelo (Chinook) que, acredito, se perdeu podre no YCSA. Quem teve, provavelmente, o Dragon do YCSA foi a família dos Stegmann. Peter me falou uma vez sobre ele.


Christian Hellner em 31/07/2025 e 20/01/2026 por WhatsApp
Olá Max, tudo bem? Puxa, que bacana! Heinz e Edeltraud foram meus avós! O 5m Greif velejou muito na mãos deles. Hoje o barco esta com meu tio, Thomas Hellner, velejando no Lago de Tegel, em Berlin – mais bonito do que quando era novo!!
Seguem algumas fotos:


5m RI “Greif” velejando no Lago de Tegel, em Berlin. Foto: Thomas Hellner – enviada por Christian Hellner.
Texto sobre o GREIF extraído do artigo “Fiance – Oui-oui – Lilie – Greif – Jeni – Goa Yachts of the Int. 5m class – YACHTSPORTMUSEUM – The digital museum of yachting history” – Todos os direitos reservados. Proibida sua reprodução.
Texto: Hella Peperkorn em conversa com Thomas Hellner sobre o Greif
Site: www.yachtsportmuseum.de
Às vezes, é preciso muito tempo e coragem para superar obstáculos ou distâncias imprevistas para conseguir o barco dos sonhos:
O velejador berlinense Thomas Hellner conseguiu seu barco por mar – atravessando o Atlântico diretamente do Brasil! Hellner conta: “Em 1949, meu pai comprou um dos seis iates 5mR exportados de Estocolmo para o Rio de Janeiro. Os barcos deveriam permanecer juntos para que pudessem velejar em regatas juntos. Assim, os barcos S52 Sjömey (Sjomej), S81 Vinga (Winga), S47 Fri (de propriedade de Tord Sunden), S77 Sjutusa (de propriedade de Arvid Laurien, o único barco ainda existente além do “Greif”), S70 Monique (Hansa) e S71 Ma petite (de propriedade de Knud H. Reimers) vieram para São Paulo, no Reservatório Billings, que é maior que o Lago Scharmützel. Eu nasci em São Paulo, Brasil, naquele mesmo ano. Nossa vida familiar foi moldada pela navegação no “Greif”, anteriormente “Ma petite”. Quase todos os fins de semana, nossa família velejava em regatas de 5mR ou fazia longos passeios de barco com piquenique nos vários braços do belo reservatório. Igualmente maravilhosas eram as muitas festas inesquecíveis, celebradas com muita alegria. Caipirinhas e feijoada – geralmente depois das cerimônias de premiação da regata. Não podemos esquecer as incontáveis horas de trabalho que contribuíram para a manutenção do nosso belo barco. Meus quatro irmãos e eu estávamos envolvidos com a vida do “Greif” desde o início, aprendendo a velejar com a mesma facilidade com que aprendemos a andar e falar. Para mim, quando menino, essa foi uma época muito intensa e enriquecedora. O “Greif” continua a moldar minha vida até hoje. Os fundadores e co-iniciadores desses muitos encontros foram Lennart e Allie Svedelius, um casal sueco que morava no Brasil na época (eu os reencontraria na Suécia 50 anos depois…)“.

Os dias de Hellner velejando com o “Greif” terminaram com sua mudança para Berlim em 1974. Mas sua saudade do “Greif” o acompanhou. Embora a família tenha velejado no barco até 1987, seus pais não puderam mais velejar, e a “ideia peculiar” de sua mãe começou a tomar forma… O que Hellner inicialmente achou difícil de acreditar tornou-se realidade: em 1º de julho de 1988, o “Greif” chegou ao estaleiro Dragon de Peter Krüger em Berlim/Heiligensee em um caminhão plataforma dentro de um contêiner de 40 pés – após ser transportado de Santos para Hamburgo no navio porta-contêineres “Copacabana” da Hamburg Süd American Steamship Company.
“Foi uma alegria imensa sentir novamente o cheiro do meu ‘berço’, com o aroma das antigas velas de algodão de Hortengreen, Ratsey e Lapton, datadas da década de 1950, impregnadas com a familiar água suja de São Paulo.” O porão cheirava ao óleo de motor usado do velho Chrysler Windsor do meu pai, que ele despejava ali para conservação. Para mim, um pedaço de casa e da minha infância havia chegado a Berlim!”
Mas o berlinense não parou por aí. O casal Hellner queria levar seu “Greif” de volta às origens do barco: à Suécia. No verão passado, esse sonho também se tornou realidade com um convite para a Regata de Sandhamn de 2004. Após um planejamento cuidadoso e com um reboque emprestado, eles viajaram para Estocolmo com amigos.
“Lá, recebemos uma recepção muito calorosa de Hans Fungdal, o presidente da classe de iates 5mR na Suécia. Ele se esforçou muito para providenciar nossa acomodação, o guindaste e a instalação do mastro, e até mesmo um reboque parcial com seu barco a motor até Sandhamn e o Real Clube de Vela Sueco (KSSS). Ele também garantiu um excelente suporte durante nossa estadia na regata”, lembra Hellner.
Um total de 170 barcos de vários países participaram desta regata. Dez barcos da classe 5mR, incluindo o “Greif”, estavam inscritos. Várias regatas foram realizadas ao longo de quatro dias. A pontuação foi feita dentro das diferentes classes de barcos.
“Depois que rasgamos nosso spinnaker de 60 m² de 1962 em ventos fortes, imediatamente nos emprestaram outro!“. O jornal Berliner relata, impressionado com a “natureza refinada, esportiva e descomplicada dos suecos”. Hans Fungdal então preparou uma surpresa especial para seus convidados alemães na partida: cópias dos certificados de medição originais do Museu Marítimo de Estocolmo para o “Greif”.5
Magnus Eklöf por e-mail em 21/01/2026
Dear Max,
I have gathered the information I found on my computer. Some photos from Sao Paolo and the transcription from the “sailors remember” gathering when Lennart Svedelius told some bits of the story of how the six international five meter yachts were exported from Sweden to Brasil. It was in 1948 or 1949, a swedish man, Ragnar Janér, living in Rio got the idea during a visit back to Sweden, to export a couple of 5 metre yachts to Brasil. It was organized through the yacht designer Kund H. Reimers I believe. The 5 metre class, originally from France, was established in Sweden in 1936. During the WW II the class flourished in Sweden and the boats became more and more extreme and advanced in their design. After the war, Sweden had high hopes that the international 5 meter class would become an olympic class, replacing the 6mR, but instead, a new class, the 5.5 was established and thereby the interest in Sweden for sail racing with the international 5 meters decreased. I believe this was one of the reasons why 6 boats were sold end exported to Brasil.
The 5m yachts exported to Brasil were:
- S47 Fri Tord Sundén, 1939
- S52 Sjömej, Tord Sundén 1941
- S70 Monique, Knud Reimers 1943
- S71 Ma Petite, Kund Reimers 1943 (later renamed Greif Bra 1)
- S77 Sjutusa, Arvid Laurin 1944
- S81 Winga, Tord Sundén 1945
I will try to look for some more information, you can find many historic photos and drawings of the 5m yachts at the Swedish Maritime Museum, they have digitalized quite a few of these photos, here is one example of S70 Monique from 1943:
https://digitaltmuseum.se/021016099910/5-metersjakten-monique-under-ksss-poangseglingar-hosten-1943
I will translate your article through google translate, I started reading some of it, I speak spanish and french and can read some portuguese but in order to read it fully I will use google translate. One comment though, the image of Arvid Laurin in the article is actually of another great Swedish yacht designer Peter Norlin from a later era. It is not Arvid Laurin that is shown in the picture.
You have probably seen this link already but there is some more information on the 5 meters exported to Brasil, from Thomas Hellner
I am in contact with the grandson and the son of Lennart Svedelius, the man who was involved in the export of these boats, together with Ragnar Janér. The son of Lennart is living in Sao Paolo and I think that you could talk to him as well. He was a child back then when the boats were exported and he moved with his father Lennart to Brasil.
I met Lennart Svedelius in Stockholm not to long before he passed away, he told me an anecdote, when the boats arrived in Brasil on the Swedish merchant ship, they dropped the masts into the sea and someone came to pick them up and towed them to land, this was to avoid customs, at least that was what he told me
All the very best to you!
Magnus
Mario Fontes por WhatsApp em 21/01/2026
Olá, Max, boa noite.
O Eduardo Natividade me comentou que você está interessado em mais informações sobre a classe 5 metros.
Tenho 65 anos e sou neto do Arthur Oswaldo Chaves, proprietário do 5m BL 4, na época, guardado no Clube de Campo de São Paulo.
Nos anos 1960 e 1970, a flotilha da classe na Guarapiranga era composta pelos seguintes barcos:
- Hellner, BL 1
- Krüeder, BL 2
- Reibel, BL 3
- Chaves, BL 4 – este era o veleiro do meu avô que se perdeu pois ficou abandonado em uma poita no CCSP por muitos anos após a morte do meu avô.
- BL 5
- Hackerott, BL 6
Além desses, havia também um Dragão (Linie) que participava das regatas da classe na Guarapiranga nessa época.
Meu primo, Arthur Santacreu, meus irmãos Paulo, Roberto e eu (comecei com uns 10 anos de idade), aprendemos a velejar desde a infância com o meu avô “Arthur Oswaldo Chaves” no 5 metros dele na Guarapiranga.
Links e referências bibliográficos e informativa
- Revista Yachting World, edição de fevereiro de 1953. Site: https://www.yachtingworld.com/
- 5-Metre Class – https://www.5metre.fi/the-five
- Várias edições da Revista Yachting Brasileiro (ver em matérias da época)
- Texto sobre o GREIF extraído do artigo “Fiance – Oui-oui – Lilie – Greif – Jeni – Goa Yachts of the Int. 5m class – YACHTSPORTMUSEUM – The digital museum of yachting history”.
Agradecimentos
- Francisco Luiz Silva do SPYC (com edições da Revista Yachting Brasileiro)
- Jackson Bergamo
- Marcelo Chade
- Christian Hellner
- Magnus Eklöf
- Eduardo Natividade
- Mario Fontes
Espero que tenha gostado pois, cada embarcação clássica tem uma história única para contar e que pode servir de referência e consulta para historiadores, pessoas e instituições interessadas, antigos e novos proprietários e o público em geral, promovendo assim a rica e as intrigantes histórias associadas a esses clássicos e preservando e aumentando assim seu significado cultural para as gerações futuras.
Bons ventos!
Max Gorissen
Velejador. Escritor.
Notas de Rodapé (também incluídas no texto acima em Links e referências bibliográficos e informativa)
- Magnus Eklöf por e-mail em 21/01/2026 ↩︎
- 5-Metre Class – https://www.5metre.fi/the-five ↩︎
- Magnus Eklöf por e-mail em 21/01/2026 ↩︎
- Texto extraído do documento final da palestra realizada pelo Comitê Histórico da Associação Sueca de Vela – SEGLARE MINNS em 17 de novembro de 2004 (nº 18) ↩︎
- Texto sobre o GREIF extraído do artigo “Fiance – Oui-oui – Lilie – Greif – Jeni – Goa Yachts of the Int. 5m class – YACHTSPORTMUSEUM – The digital museum of yachting history” – Todos os direitos reservados. Proibida sua reprodução. ↩︎
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