Especificações
- Ano de Fabricação: 1948
- Outros nomes: Analee (Fernando Ferreira), Bermuda (Domingos Giobbi) e Comphetitor
- Modelo: Classe Brasil
- Estaleiro: Estaleiro ICRJ
- Material construtivo: Madeira
- Armação: Sloop
- Propulsão: Gray Marine de 25hp
- Tripulantes/ Passageiros:
- Numeral: BL 13
- Comprimento: 40’ ou 12,50 m
- Design No.:
- Linha d’água (m): 8,42 m
- Boca (m): 3,06 m
- Calado (m): 1,80 m
- Área velica (m²): 64,1 m²
- Deslocamento (Kg): 10.000 kg
- Projetista: Sparkman & Stephens
- Proprietários conhecidos: Joaquim Belém (1948), um arquiteto do RJ, Domingos Giobbi (Mudou o nome para Bermuda), Parquer Gilbert
- Observações: O Ondina foi construído para o Dr. Joaquim Belém e foi o primeiro veleiro da Classe Brasil a ficar pronto, sendo lançado à água em 1947, antes dos outros, que estavam sendo construídos no estaleiro Arataca em Florianópolis. Com Joaquim Belem, venceu duas Santos-Rio, em 1951 e 1952 e com Domingos Giobbi venceu a Santos-Rio de 1963… Infelizmente, em 2016, por causa de sua deplorável condição, o veleiro foi totalmente desmontado e suas madeiras queimadas. As ferragens e a quilha de chumbo foram vendidas para poder ressarcir a marina pelo tempo em que o veleiro ficou abandonado e sem pagamento.
Uma anedota sobre a origem do Ondina: Por ocasião da 1ª Regata Buenos Aires-Rio de Janeiro, realizada em janeiro de 1947, o Dr. Joaquim Belém pôde apreciar as qualidades de um veleiro concorrente que tinha dimensões bem parecidas com as do “novo futuro” Classe Brasil. O veleiro a que me refiro era o German Frers Narval 41 “Cangrejo“, de Enrique Salzman. Entusiasmado, o Dr. Belém, pouco depois, mandou construir seu Classe Brasil nas oficinas do Iate Clube do Rio de Janeiro, levando-a a bom termo e com relativa presteza (tanto que foi o primeiro Classe Brasil a ser lançado).
Saiba tudo sobre a história destes veleiros e sua classe no Brasil lendo o artigo: Um Brasil de classe única
Principais regatas e sua colocação
| Regata | Posição |
| Regata de Oceano do Iate Clube do Rio de Janeiro 26 e 27 de novembro de 1949 (47 milhas, compreendido pela linha que vai do cais do Club às Ilhas de Brocoió e Paquetá contornando-as, daí barra afora até a Ilha Rasa e depois as Cagarras, contornando-as donde voltou, encerrando no barra até o ponto inicial. A partida foi dada às 15 horas de sábado, tendo o primeiro barco chegado às 4h 42m 20s de domingo) | 2º lugar com Joaquim Belém do ICRJ (Detentor da Taça de Oceano II). Tempo real 13h 48m e 30s. Tempo Corrigido 15h 38m e 10s. |
| II Buenos Aires – Rio de Janeiro 1950 | 6º lugar |
| 1ª Regata Santos – Rio de Janeiro 1951 | 1º lugar com Joaquim Belém do ICRJ – Nº de Barcos: 14 |
| 2ª Regata Santos – Rio de Janeiro 1952 | 1º lugar com Joaquim Belém do ICRJ – Nº de Barcos: 13 |
| 13ª Regata Santos – Rio de Janeiro 1963 (com o nome Bermuda) | 1º lugar com Domingos Giobbi do ICS |
Fotos



Matéria do Veleiro Classe Brasil Ondina copiado da revista Yachting Brasileiro No. 51 de janeiro de 1949 e intitulado “Classe Brasil – Lançada ao mar a sua primeira unidade” por Paulo Muniz. Proibida sua preprodução. Todos os direitos reservados.

José Carlos Lodovici informou por WhatsApp em 23/09/2025:
Dos dez kits importados (mastros de Spruce, ferragens Merriman, velas e estais), um dos mastros veio a quebrar-se ao meio quando tiravam do navio, vindo a provocar a desistência de um encomendante, levando Joaquim Belen a comprar o kit incompleto e construir o “Analee”/ “Ondina” no hangar do ICRJ. O mastro pôde ser feito com Spruce que havia de sobra nas dependências da Aeronáutica do Galeão, de vez que a madeira era vocacionada para a confecção dos bordos de ataque das asas dos aviões. O Spruce também é imprescindível na fabricação das pranchas sonoras dos pianos, violinos e violões. Em seguida, o “Ondina” foi comprado pelo Domingos Giobbi, que o batizou de “Bermuda”. Giobbi chegou a vencer uma Santos-Rio e parte de seu êxito se devia ao convés de Cedro, no lugar do Araribá, ja não bastasse o fato dos brasis terem o tabuado de Cedro até a linha d’água, e a pesada Peroba de Campos nas obras vivas. Giobbi era famoso esportista, também por ser alpinista que teria conquistado o Aconcágua. Por um breve período, chegou a ser proprietário do legendário “Vendaval“, ao qual batizou de “Bermuda II”. Lembro-me do barco, sempre coberto com um encerado, fundeado no Rio Santo Amaro, em reforma que jamais terminou… Consta que o Arataca teria construído apenas nove barcos, mesmo assim, cometendo o grave erro de empregar parafusos de latão, desacatando a especificação do projeto original, que indicava parafusos de Everdur. O Everdur é uma liga patenteada pela “Anaconda”, considerada a gigante das ligas cuprosas, inclusive monopolizando as jazidas do Chile. Por tal motivo, o Everdur hoje é produzido com outros nomes, infelizmente indisponível no Brasil, por falta de demanda, apesar de algumas laminadoras nacionais exportarem os vergalhões para nações mais cultas, em matéria de construção naval tradicional. Praticamente todos os brasis do Arataca acabaram com os parafusos degolados, pela perda do Zinco (deszincificação do latão). Os britânicos chegam a dizer que é proibido empregar-se latão, ou qualquer outra liga cuprosa que contenha mais do que 15% de Zinco, em ambiente salino, não sendo necessário estar debaixo d’água, até porque o latão (Zinco) é facilmente reagente com a seiva da madeira. Cheguei a ver brasis nos quais era possível enfiar-se a mão, entre o tabuado e a caverna ! As fotos abaixo correspondem ao “Bermuda”, ainda pertencente ao Giobbi, por mim tomadas nas dependências do saudoso ICS, nos idos de 1963
Bermuda nas dependências do Iate clube de Santos em 1963 – Fotos: José Carlos Lodovici
Em seguida, em estado deplorável, no Dico Tapioca (Canal de Bertioga do lado do Guarujá):

Tenho como sonho um dia poder implementar uma iniciativa para preservar o patrimônio náutico brasileiro… por isso, já pensando em algum dia poder implementá-lo, além do Cadastro de Veleiros Clássicos, decidi pesquisar e escrever artigos sobre diversos assuntos relacionados à vela brasileira, entre eles, os veleiros desenvolvidos no Brasil… é sobre isso que irá encontrar informações no texto abaixo… caso possa colaborar com informações ou registros históricos, entre em contato. O que não podemos deixar acontecer é essa história se perder.
Max Gorissen – Velejador. Escritor.
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