Será que o futuro da vela Brasileira não depende das Associações de Classe?

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Sempre nos perguntamos o porque de termos um baixo número de veleiros per-capita no Brasil comparado com países como os Estados Unidos, Inglaterra (Veja matéria: Quer ver o Paraíso do velejador? Southamptom Boat Show … para ter uma ideia) , França, Austrália, Argentina, etc.

A resposta normalmente é: no Brasil, o poder aquisitivo das pessoas não permite tais luxos … será?

Tendo viajado para vários países e gasto um tempo observando o mundo náutico destes, o que se percebe é que, nos países mencionados, todo lago, rio e local de praia em que se possa colocar um veleiro, possui um clube de vela custando alguns Dólares ou Euros para deixar o veleiro lá.

sbnews-20150923-02Além disso, todo lago, rio ou praia possui uma rampa pública, na maioria das vezes com amplo estacionamento para os carros e carretas, para facilitar a colocação das embarcações na água pelo próprio proprietário que decidiu guardar seu veleiro em casa.

A maioria das escolas públicas nas cidades costeiras da França, ensinam às crianças a partir dos sete anos a velejar, como parte do currículo escolar.

O grande volume de veleiros do tipo dinghy (não confundir com o modelo de dinghy chamado Dingui), na maioria desses países, promovem um grande mercado de veleiros novos e usados, que permitem às pessoas de qualquer idade possuir um veleiro e se iniciar em regatas para depois adquirir um veleiro maior. Então, adquirem veleiros maiores até que percebem que exageraram (tamanho, necessidade de tripulação, custo de manutenção, etc) e iniciam o processo inverso; menor, menor, menor…

Classe de veleiro Inglês. Versão em fibra de veleiro de madeira. Foto: Max Gorissen
Classe de veleiro Inglês. Versão em fibra de veleiro de madeira. Foto: Max Gorissen

sbnews-20150923-03Qualquer dia da semana, seja pela manhã, tarde ou noite, você encontra pessoas curtindo uma velejada ou participando de regatas. Não necessariamente nos finais de semana.

Não existe a vergonha de possuir e navegar em um veleiro que não seja o determinado pelo dinheiro e pelo status. Velejam de tudo.

Outra característica desses países é a participação ativa das Associações de Classe.

Não importa o modelo ou design do veleiro, se existem dois, existe uma Associação de Classe ativa e interessada em congregar velejadores e suas famílias, promover regatas, promover encontros, palestras, viagens e, até mesmo, encontrar meios de estimular a recuperação ou a produção de veleiros para a classe.

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Temos algumas Associações de Classe no Brasil que seguem este modelo e, interessante, são as únicas classes que, se perguntarem a qualquer velejador, é lembrada… são as HC-14 e 16, Finn, Star, A-Class, Flash, Day Sailer, Marreco, Snipe, Lightning, Ranger 22, Fast/Vega 230, HPE (posso ter esquecido algumas… escreva no comentário abaixo) e que são ativas, com veleiros velejando e Associações de Classe e/ou indivíduos, motivados em mantê-las. Isso sem contar as olímpicas claro!

sbnews-20150923-06Contudo, ter essas Associações de Classe não é nada comparado com os modelos de veleiros a disposição! É muito pouco… temos muitos modelos que estão abandonados e apodrecendo por falta de interesse. Ótimos veleiros. Com uma Associação de Classe renasceriam e se valorizariam. Como o: Delta 17, Supercat 17, Tchê 17, BRM 18, Cruiser 18, Vaqueiro 18, Velamar 18, Bruma 19, Cat 119, Clam 19, Costeiro 19, Flash 195 XR, Mapau 19, Micro Racer 19, Microtonner 19, Poli 19, Sailor 19, Alpha 20.2, Ensenada 2, Nacra 20, Flash 205, Angra 21, Delta 21, Rival 21, Sailing 21, Skipper 21, Alpha 220, Bruma 22, Main 22, Vaqueiro 22, Velamar 22, Atol 23, Barracuda 23, Brasília 23, Cruiser 23, Gaivota 23, Mod 23, Multishine 23, O’Day 23, Paturi 23, Rocket 23, Voyage 23 e o Guanabara… só para mencionar alguns modelos abaixo dos 23 pés e encontrados em marinas e iate clubes pelo Brasil.

Muitos jogados, abandonados e apodrecendo… e ainda assim dizem que é inviável ter um veleiro…

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Será que o futuro da vela e da indústria de produtos e serviços para veleiros no Brasil não depende da formação de possíveis Associações de Classe para estes modelos?

Pensem nisso.

 

Bons ventos!

Maximilian Gorissen

Presidente e Editor SailBrasil.com.br

Full Member – Yachting Journalist´s Association – UK

www.sailbrasil.com.br


4 thoughts on “Será que o futuro da vela Brasileira não depende das Associações de Classe?

  1. Boa noite amigos da SailBrasil. tudo bem com vcs?
    Meu nome é Gilberto Ferreira Pires e sou da cidade de São Carlos S/P.
    Estava lendo o email informativo de vcs, e não deu p/ deixar passar em branco.
    Comecei a velejar no começo do ano passado com um Magnum 422, e velejando na represa do Broa em Itirapina.
    Tudo começou com um comentário de meu sócio, Paulo Henrique Saldanha, que um dia velejou num veleiro 420 de um amigo dele.
    E por coincidência na época do comentário dele, passamos em frente de uma casa que tinha um hoby 3.9 abandonado no jardim,a gente acabou parando o carro, e ficamos namorando o veleiro.
    Ele contou a experiencia dele de velejada, e acabei ficando curioso.
    e através de pesquisa na internet acabei comprando o Magnum 422 da década de 1980, sozinho, sem ajuda e nem quem eu procurasse que tem experiencia.(falta de divulgação).
    Ano passado o meu sócio velejando comigo, não aguentou e comprou um Holder 12, outro amigo meu Leopoldo Nogueira, velejou comigo , e adivinha só, acabou comprando meu Magnum 422.
    São veleiros muito baratos, cerca de 2,500.00 rs
    Mês passado fui buscar um Dingue Holos 2001 em campinas, que paguei 5,300.00rs.muito barato pelo barco.
    Agora estamos velejando na represa do Broa com 2 Dingues, 1 Magnum 422 e 1 Holder 12,
    Infelizmente no brasil não tem divulgação mesmo, uma pena.
    Se cada um fazer a sua parte, e estou falando de nós mesmo!, levando nossos amigos e filhos p/ uma velejada, com certeza iremos fazer novos velejadores.
    Grande abraço a todos da Sail Brasil.
    de seu amigo Gilberto Ferreira Pires

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  2. Não pretendo ter a resposta certa, pois cada um tem o seu contexto e a sua verdade, mas penso que o problema da vela e da indústria de bens e serviços correlatos no Brasil é o DESgoverno de esquerda que nos assola.

    Se já havia antes um certo ranço contra o que a maioria denomina um esporte burguês, ( e isso com 8.500 km de costas por desbravar, vigiar e desfrutar ), com um governo de esquerda a coisa somente poderia piorar.

    A capacidade industrial do país esta sendo violentamente reduzida graças a favoritismos vendidos e a impostos extorsivos, fazendo com que reine a instabilidade e o caos econômico.

    No meu entender essa é a realidade por trás de inúmeros barcos abandonados e descuidados, pois como se dedicar a um esporte desses sem a necessária paz de espírito que advém de uma situação minimamente confortável e segura ?

    O que precisamos é uma associação de brasileiros conscientes antes que a inconsciência cooptada prevaleça.

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  3. Antes de mais nada gostaria de parabenizar o site. Moro na Florida, EUA, mais precisamente na cidade de Fort Lauderdale. Aqui pra mim tem sido um Paraiso para velejar e o preco dos barcos realmente comparados com o Brasil é pra chorar.
    Sou de SP, velejava na Guarapiranga e minha paixao sao multicascos. Comprei nessa semana um hobie cat 16, serie nova, ferragens harken, carreta de encalhe, 3fraldoes muitas ferragens e cabos extras e mais: acompanhado de uma carreta rodoviaria de aluminio. Us $ 1.000,00
    Semana passada vi um oceanico de 37 pes, precisando de uma Reforma mas navegando por 2500.00. Sera que nossos barcos nao estao um pouco caros?

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    1. Boa tarde Rafa San,

      Parabéns pelo HC-16! Eu tive um HC-16 no CDMI na Guarapiranga nos anos 90… faz tempo, contudo, sempre foi um dos veleiros que mais me deu prazer em velejar.

      Realmente, os veleiros no Brasil estão muito caros, contudo, existem muitos veleiros de classes não tão procuradas que estão abandonados e que poderiam voltar a velejar se as pessoas buscassem se unir para recuperar estas classes… é esse o intuito deste artigo. Promover a união de velejadores em volta das classes de seus veleiros.

      Obrigado pela participação e, aproveitando, informo que em breve a SailBrasil estará abrindo uma operação em South Florida, provavelmente em Fort Lauderdale… Aguarde.

      Bons ventos!

      Max Gorissen

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