Acabou a graça de viajar de avião.

Por: Max Gorissen

Escrevo este texto enquanto espero por mais uma conexão do meu voo entre Los Angeles – Califórnia a São Paulo – SP.

Sentado aqui no saguão do aeroporto de Salvador, depois de ter partido de Los Angeles, fazendo escala em Miami no dia anterior, fico pensando em como conseguiram tirar a graça de se viajar de avião.

Para quem teve o privilégio de viver a era áurea da aviação comercial, apenas uns dez anos atrás, deve se lembrar que o prazer de viajar tinha início na recepção amável dos atendentes das companhias aéreas, já no checai, e se estendia até a comida servida a bordo (não vou exagerar dizendo que era boa, mas pelo menos não era ruim), culminando na chegada pontual ao destino, fica assombrado em como pudemos retroceder tanto em serviço, presteza, gentileza e qualidade em tão poucos anos. É claro que o volume de pessoas e destinos hoje é muito maior o que acarreta uma logística muito complicada, mas, é para isso que existe a tecnologia, os sistemas, as pessoas capacitadas…

6:45 horas: Faço um parêntese aqui pois, acabei de ser informado pelo alto falante de que meu voo vai atrasar 3 horas, além de mudar de avião e de companhia aérea, o que não estava previsto, fazendo com que eu perca a próxima conexão para São Paulo…

9:09 horas: Volto a escrever após ter de passar por todo um processo de negociação da minha passagem e, para não estender a história, consegui um voo direto para Guarulhos – SP. Coitadas das pessoas menos acostumadas a viajar que, por não negociar, vão passar umas 7 horas a mais viajando.

Para finalizar meu relato volto a questionar: o que aconteceu?

Sem dúvida o acontecido no dia 11 de Setembro deu origem a um nervosismo exagerado, boa parte decorrente de uma falta total de compreensão da situação naquele momento e por isso, de tomada de decisões inconsistentes.

É fato que, muitas das decisões, foram apenas para mostrar que algo estava sendo feito o que acarretou na implantação de todo um aparato que hoje é praticamente impossível de desmontar (empregos, interesses próprios, ganância por parte de quem fornece produtos e serviços, etc) e, por mais ridículo que possa parecer ter de sujeitar as pessoas por todos os transtornos possíveis para se embarcar (passar por máquinas de raios-X, tirar o sapato, cinto, até o agasalho junto com tudo o que tem nos bolsos) não há o que fazer e, muito menos, o direito de reclamar (neste caso você será preso por desacato).

O que aconteceu? A falta de opção de quem viaja hoje em dia, atrelada a ignorância das autoridades em analisar e lidar com o problema e o medo de desmontar o aparato implantado, sujeita às pessoas a uma condição estúpida de serventia a um sistema ineficiente que, no mínimo, por não fazer sentido, deveria ser repensado… Enquanto isso não acontece, escrevo revoltado esperando meu próximo voo, previsto para sair daqui a 2 horas…

9:45 horas: Acabaram de avisar que o voo vai atrasar e me dei conta de que o problema (meu) foi analisado apenas por um ângulo; o técnico… Esqueci completamente que estou em transito em Salvador – Bahia… Talvez, não haja problema, pois, aqui, tudo acontece bem mais devagar.


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