Especificações
- Ano de Fabricação: 1943
- Outros nomes: Má Petite (nome original)
- Modelo: Classe Internacional 5 metros (5m RI)
- Estaleiro:
- Material construtivo: Madeira
- Propulsão:
- Tripulantes/ Passageiros:
- Numeral: S 71 e BL 1
- Comprimento: 30′ 318″ pés ou 9,20 m
- Design No.:
- Linha d’água (m): 5,851 m
- Boca (m): 1,8 m
- Calado (m): 1,10 m
- Área velica (m²): 23 m² – velas de algodão de Hortengreen, Ratsey e Lapton
- Deslocamento (Kg): 1930 kg
- Projetista: Knud Reimers
- Proprietários conhecidos: Sven Engwall (1943), Helmuth Hinden (1947), Heinz Hellner (1949 – ICCS (Iate Clube Cruzeiro do Sul – Represa Billings – SP), Thomas Hellner (desde 1º de julho de 1988 no Lago de Tegel, em Berlin)
- Observações:
- O Greif e o Monique (Hansa) são sisterships do mesmo projetista: Knud Reimers.
- Este é um dos 5 veleiros da Classe Internacional 5 metros importados pela companhia T.Janer, em 1948, para velejadores que navegavam na Represa Billings em São Paulo. Estes veleiros da classe 5m RI foram utilizados para a seletiva da classe Dragon para os Jogos Olímpicos de Helsinque em 1952. A eliminatória para a Olimpíada de Helsinque de 1952 para a classe Dragão (saiba mais em Dragão dos mares) foi feita com os 5 Metros RI, já que no Brasil não havia uma flotilha constituída de Dragões. O comandante vencedor foi o Wolfgang Richter do YCSA.
A fórmula usada para determinar a classe
A fórmula de medição é dada na 2021 International Five Metre Rating Rules:
5.000 metros=L+S2−F−B22

Depoimentos
Christian Hellner em 31/07/2025 e 20/01/2026 por WhatsApp
Olá Max, tudo bem? Puxa, que bacana! Heinz e Edeltraud foram meus avós! O 5m Greif velejou muito na mãos deles. Hoje o barco esta com meu tio, Thomas Hellner, velejando no Lago de Tegel, em Berlin – mais bonito do que quando era novo!!
Seguem algumas fotos:


5m RI “Greif” velejando no Lago de Tegel, em Berlin. Foto: Thomas Hellner – enviada por Christian Hellner.
Texto sobre o GREIF extraído do artigo “Fiance – Oui-oui – Lilie – Greif – Jeni – Goa Yachts of the Int. 5m class – YACHTSPORTMUSEUM – The digital museum of yachting history” – Todos os direitos reservados. Proibida sua reprodução.
Texto: Hella Peperkorn
Site: www.yachtsportmuseum.de
Às vezes, é preciso muito tempo e coragem para superar obstáculos ou distâncias imprevistas para conseguir o barco dos sonhos:
O velejador berlinense Thomas Hellner conseguiu seu barco por mar – atravessando o Atlântico diretamente do Brasil! Hellner conta: “Em 1949, meu pai comprou um dos seis iates 5mR exportados de Estocolmo para o Rio de Janeiro. Os barcos deveriam permanecer juntos para que pudessem velejar em regatas juntos. Assim, os barcos S52 Sjömey (Sjomej), S81 Vinga (Winga), S47 Fri (de propriedade de Tord Sunden), S77 Sjutusa (de propriedade de Arvid Laurien, o único barco ainda existente além do “Greif”), S70 Monique (Hansa) e S71 Ma petite (de propriedade de Knud H. Reimers) vieram para São Paulo, no Reservatório Billings, que é maior que o Lago Scharmützel. Eu nasci em São Paulo, Brasil, naquele mesmo ano. Nossa vida familiar foi moldada pela navegação no “Greif”, anteriormente “Ma petite”. Quase todos os fins de semana, nossa família velejava em regatas de 5mR ou fazia longos passeios de barco com piquenique nos vários braços do belo reservatório. Igualmente maravilhosas eram as muitas festas inesquecíveis, celebradas com muita alegria. Caipirinhas e feijoada – geralmente depois das cerimônias de premiação da regata. Não podemos esquecer as incontáveis horas de trabalho que contribuíram para a manutenção do nosso belo barco. Meus quatro irmãos e eu estávamos envolvidos com a vida do “Greif” desde o início, aprendendo a velejar com a mesma facilidade com que aprendemos a andar e falar. Para mim, quando menino, essa foi uma época muito intensa e enriquecedora. O “Greif” continua a moldar minha vida até hoje. Os fundadores e co-iniciadores desses muitos encontros foram Lennart e Allie Svedelius, um casal sueco que morava no Brasil na época (eu os reencontraria na Suécia 50 anos depois…)“.

Os dias de Hellner velejando com o “Greif” terminaram com sua mudança para Berlim em 1974. Mas sua saudade do “Greif” o acompanhou. Embora a família tenha velejado no barco até 1987, seus pais não puderam mais velejar, e a “ideia peculiar” de sua mãe começou a tomar forma… O que Hellner inicialmente achou difícil de acreditar tornou-se realidade: em 1º de julho de 1988, o “Greif” chegou ao estaleiro Dragon de Peter Krüger em Berlim/Heiligensee em um caminhão plataforma dentro de um contêiner de 40 pés – após ser transportado de Santos para Hamburgo no navio porta-contêineres “Copacabana” da Hamburg Süd American Steamship Company.
“Foi uma alegria imensa sentir novamente o cheiro do meu ‘berço’, com o aroma das antigas velas de algodão de Hortengreen, Ratsey e Lapton, datadas da década de 1950, impregnadas com a familiar água suja de São Paulo.” O porão cheirava ao óleo de motor usado do velho Chrysler Windsor do meu pai, que ele despejava ali para conservação. Para mim, um pedaço de casa e da minha infância havia chegado a Berlim!”
Mas o berlinense não parou por aí. O casal Hellner queria levar seu “Greif” de volta às origens do barco: à Suécia. No verão passado, esse sonho também se tornou realidade com um convite para a Regata de Sandhamn de 2004. Após um planejamento cuidadoso e com um reboque emprestado, eles viajaram para Estocolmo com amigos.
“Lá, recebemos uma recepção muito calorosa de Hans Fungdal, o presidente da classe de iates 5mR na Suécia. Ele se esforçou muito para providenciar nossa acomodação, o guindaste e a instalação do mastro, e até mesmo um reboque parcial com seu barco a motor até Sandhamn e o Real Clube de Vela Sueco (KSSS). Ele também garantiu um excelente suporte durante nossa estadia na regata”, lembra Hellner.
Um total de 170 barcos de vários países participaram desta regata. Dez barcos da classe 5mR, incluindo o “Greif”, estavam inscritos. Várias regatas foram realizadas ao longo de quatro dias. A pontuação foi feita dentro das diferentes classes de barcos.
“Depois que rasgamos nosso spinnaker de 60 m² de 1962 em ventos fortes, imediatamente nos emprestaram outro!“. O jornal Berliner relata, impressionado com a “natureza refinada, esportiva e descomplicada dos suecos”. Hans Fungdal então preparou uma surpresa especial para seus convidados alemães na partida: cópias dos certificados de medição originais do Museu Marítimo de Estocolmo para o “Greif”.
Principais regatas e sua colocação
| Regata | Posição |
| Campeonato Metropolitano de Vela de 1947 (9 a 30 de novembro de 1947) – RJ | 1º lugar comandado por Helmuth Hinden (como Má Petite) |
| 2º Etapa do Troféu 5m R – Represa Nova (Billings) – SP – 25/09/1949 (utilizou-se as normas de regata da Scandinavian Gold Cup) | 2º lugar com o timoneiro Heinz Hellner (como Greif) com o tempo de 2h 21m e 02s. |
| Regata Yacht Club Eldorado – Represa Nova (Billings), São Paulo – 18 e 19/11/1950 | 1º lugar com o timoneiro Heinz Hellner |
| 4º aniversário do ICCS (Iate Clube Cruzeiro do Sul – Represa Billings – SP) – 10/09/1951 | 3º com Heinz Hellner no timão e tripulantes: D. Edeltraut Hellner e Helmuth Nicolas |
| Regata inaugural do Yacht Club El-Dorado – Represa Nova (Billings), São Paulo – 29/11/1951 | 1º lugar com o timoneiro Heinz Hellner com o tempo de 1h 06m e 30s. |
| II Volta da Represa Billings – Represa Nova (Billings), São Paulo – 29/04/1951 | 2º lugar com o timoneiro Heinz Hellner com o tempo de 15h 06m e 20s. |
| Regata de Sandhamn de 2004 – Real Clube de Vela Sueco (KSSS) – Suécia | 2º lugar |
Artigos
Veleiro Má Petite no Campeonato Metropolitano de Vela de 1947 (9 a 30 de novembro de 1947) no RJ. Revista Yachting Brasileiro No. 39 de janeiro de 1948. Todos os direitos reservados. Proibida sua reprodução.
Artigo na Revista Yachting Brasileiro No. 84 de outubro de 1951 – Todos os direitos reservados – Proibida sua reprodução.
Artigo sobre a Volta da Represa Billings dia 29 de abril de 1951 na Revista Yachting Brasileiro No. 80 de junho de 1951. Todos os direitos reservados. Proibida sua reprodução.
Fotos





Veleiros 5m RI, com o Greif 5-71 em primeiro plano, Sjutusa 5-77, Hansa 5-70, Winga 5-81 e Sjomej 5-52, instantes depois da largada da regata do 4º aniversário do ICCS (Iate Clube Cruzeiro do Sul) realizada na Represa “Nova” Billings – SP no dia 10/09/1951. Foto: Alberto João na Revista Yachting Brasileiro No. 84 de outubro de 1951. Todos os direitos reservados. Proibida sua reprodução.


Hütschler, proprietário do 5m RI “Fri“, visita os locais da próxima Olimpíada… na Revista Yachting Brasileiro No 80 de junho de 1951. Todos os direitos reservados. Proibida sua reprodução.


Tenho como sonho um dia poder implementar uma iniciativa para preservar o patrimônio náutico brasileiro… por isso, já pensando em algum dia poder implementá-lo, além do Cadastro de Veleiros Clássicos, decidi pesquisar e escrever artigos sobre diversos assuntos relacionados à vela brasileira, entre eles, os veleiros desenvolvidos no Brasil… é sobre isso que irá encontrar informações no texto abaixo… caso possa colaborar com informações ou registros históricos, entre em contato. O que não podemos deixar acontecer é essa história se perder.
Max Gorissen – Velejador. Escritor.
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