Especificações
- Ano de Fabricação: 1947
- Outros nomes: Resolute DN 159 (Noruega)
- Estaleiro: Kolbjornsvik Verft & Slipp – Arendal, Noruega
- Material construtivo: Madeira Oregon pine. Posteriormente foi fibrado.
- Armação: Sloop
- Modelo: Dragon
- Tripulantes: 3
- Numeral: DN 159 (Noruega) e BRA 2
- Comprimento: 29’ ou 8,90 m
- Linha d’água (m): 5,7 m
- Boca (m): 1,95 m
- Calado (m): 1,20 m
- Área velica (m²): 26,7 m² (15,9 m² de mestra + 10,7 m² de genoa) e 23,6 m² de spinnaker
- Deslocamento (Kg): 1.700
- Projetista: Johan August Anker
- Proprietários conhecidos: Flávio Simões Lopes (ICRJ – 1950), Nelson Chade (Represa Billings – SP), Lourenço Viana Netto (ICB de Niterói), Erik Schmidt (RYC de Niterói), Fernando Von Sydow (comprou o veleiro do Erik durante uma velejada como o Torbem Grael em 2021), Rafael Terentin (2025 e em 2026 iniciou a reforma*)
- Observações: Erick Schimidt se tornou proprietário do Linie dando em troca seu meu antigo Star 6713, passando este a ser o primeiro Star da flotilha de Brasília. Para poder restaura-lo, fez sociedade com Antonio Vargas e, posteriormente, tornou-se proprietário absoluto do Linie.
- Reformas e modificações:
- 1° restauração: 1975 Lourenco Viana Netto
- 2° restauração: 1966
- Novo mastro de alumínio e novo plano velico em 2002
- Comprimento atual: LOA.9.60
- Comprimento do mastro: + 50cm
- Interseção da buja: + 110cm
- Estai de proa ate mastro: + 54cm
- Retranca: + 50cm
- 13° restauração: Rafael Terentin (2026)*
*A reforma iniciada por Rafael Terentin em 2026 segundo o próprio: “A Reforma está sendo bem desafiadora… havia fibra por fora e por dentro o que acabou escondendo o estado do casco abaixo da linha d água, inicialmente achávamos que eram apenas algumas partes com a madeira cansada.
Mas o que começou como uma reforma está no passo de uma reconstrução, a madeira havia virado uma pasta escura que podia ser retirada com uma colher. Os parafusos da quilha praticamente sem fixação corroídos.
O primeiro marceneiro condenou o barco, o segundo que tem essa teimosia própria dos amantes de barcos de madeira encarou o projeto, estamos reconstruindo o Linie, seguindo as mesmas linhas e descobrindo cada alteração realizada nestes 80 anos, como o aumento do leme pelo Erik, ou a nova proa do Lourenço.
É meio voltar no tempo… vou te mandando as etapas aí“
Fotos do Linie em reforma por Rafael Terentin.
O nome “Linie” significa linha do equador, onde atravessam os navios com barris da famosa “Linie Aquavit” norueguesa, conhecida por sua tradição de envelhecer em barris de carvalho que cruzam o Equador duas vezes em navios, ganhando sabores únicos de cominho, endro e notas de xerez.
Um pouco de história
Além da aventura que foi participar da Olimpíada de Helsinque de 1952, relatada em detalhes no artigo Dragão dos Mares, identifiquei que o primeiro Dragon brasileiro, o Linie, chegou ao Brasil antes mesmo da referida Olimpíada, em novembro de 1950, importado por Flávio Simões Lopes.
Em relato à Revista Yachting Brasileiro No. 73 de novembro de 1950, Djalma Silveira Ferreira, escreve que, apesar de Flávio procurar um barco para cruzeiros em águas interiores, influenciado pelo entusiasmo pelos Dragons demostrado em conversas com Sr.Preben Schmidt e Margreth, durante uma viagem a Óslo no navio da marinha “Almirante Saldanha”, o Guarda-Marinha Flávio Simões Lopes, ao desembarcar junto com Djalma Silveira Ferreira (ambos faziam parte da guarnição do Almirante Saldanha na XI Viagem de Instrução e Representação), imediatamente foram visitar o Royal Norwegian Yacht Squadron, em Drenningen, para comprar um veleiro dessa classe.
Em contato com o Sr. Finn Roer, broker da empresa norouguesa Batservice, no dia 14/09/1950, fecharam a compra do veleiro que viria a se chamar “Brotinho”, antigo “Resolute” DN 159, construido de “Oregon pine” com velas de algodão egipcio e estaiamento moderno, lançado em 1947 pelo estaleiro Kolbjornsvik Verft & Slipp, Arendal na Noruega.

Roberto Rocha Azevedo, comentou, “nos Jogos Pan Americanos de 1963 em São Paulo, eu fazia parte da comissão organizadora junto com o Paul F. Buckup, então Presidente da FPV, e nos reuníamos no DEFE na Água Branca com o Major Sylvio de Magalhães Padilha, que presidia o comitê organizador. Tínhamos definidas as 5 classes: Snipe, Finn, Flying Dutchman (que ficariam na sede do YCSA); enquanto os Star e Lightning ficariam no CCSP. Para nossa surpresa, apareceram 3 Países inscritos na Classe Dragon: Argentina, Canadá e Estados Unidos. Só que pelo regulamento dos Jogos Pan Americanos qualquer classe teria de ter pelo menos 4 barcos na disputa. Então, recorremos a um antigo Dragon de antes da II Guerra que estava na Billings (Linie) junto com a Flotilha de 5mRI, compramos velas novas e formamos uma tripulação com Frederico Krueder, Hartwig Hellner e eu como tripulantes, viabilizando assim a participação da classe Dragon no evento“.
Depoimentos
Rafael Terentin no WhatsApp em 09/01/2026
Max, boa noite! Fantástica a matéria, havia um hiato na história do Linie – que era o Resolute. Bem explicado agora.
Te mando o material que tenho, hoje o Linie está passando por uma senhora reforma para chegar aos 80.




“Um pouco da história do Linie e a Família Schidt” em texto escrito por Erik Schmidt fornecido por Rafael Terentin.

Roberto Rocha Azevedo por Facebook em 09/01/2026
Max, nos Jogos Pan Americanos de 1963 em São Paulo, eu fazia parte da comissão organizadora junto com o Paul F. Buckup, então Presidente da FPV, e nos reuníamos no DEFE na Água Branca com o Major Sylvio de Magalhães Padilha, que presidia o comitê organizador. Tínhamos definidas as 5 classes: Snipe, Finn, Flying Dutchman (que ficariam na sede do YCSA); enquanto os Star e Lightning ficariam no CCSP.
Para nossa surpresa, apareceram 3 Países inscritos na Classe Dragon: Argentina, Canadá e Estados Unidos. Só que pelo regulamento dos Jogos Pan Americanos qualquer classe teria de ter pelo menos 4 barcos na disputa. Então, recorremos a um antigo Dragon (Linie) de antes da II Guerra que estava na Billings junto com a Flotilha de 5mRI, compramos velas novas e formamos uma tripulação com Frederico Krueder, Hartwig Hellner e eu como tripulantes, viabilizando assim a participação da classe Dragon no evento.
Fotos




Revista Yachting Brasileiro No. 73 de novembro de 1950 – Proibida reprodução. Todos os direitos reservados.
Tenho como sonho um dia poder implementar uma iniciativa para preservar o patrimônio náutico brasileiro… por isso, já pensando em algum dia poder implementá-lo, além do Cadastro de Veleiros Clássicos, decidi pesquisar e escrever artigos sobre diversos assuntos relacionados à vela brasileira, entre eles, os veleiros desenvolvidos no Brasil… é sobre isso que irá encontrar informações no texto abaixo… caso possa colaborar com informações ou registros históricos, entre em contato. O que não podemos deixar acontecer é essa história se perder.
Max Gorissen – Velejador. Escritor.
Descubra mais sobre Max Gorissen
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.







