Especificações
- Ano de fabricação: 1947
- Outros nomes:
- Modelo: Sharpie 12m²
- Classe: Classe Monotipo Sharpie 12m²
- Estaleiro:
- Armação/ Tipo: Caranguejeira na vela grande e buja.
- Material do casco: Madeira
- Categoria: Interior
- Motorização: Nenhuma
- Tripulantes: 2 pessoas
- Numeral:
- Comprimento: 19,65 pés ou 5,99 m
- Linha d’água: 5,40 m
- Boca: 1,43 m
- Pontal: 0,53 m
- Calado: 0,16 m (sem bolina) e 0,96 m (com bolina arriada)
- Área velica (Mestra e Genoa): 14,92 m²
- Área velica (Balão): N/D
- Deslocamento: 230 Kg
- Projeto: Karl Kröger, Hans Kröger e Walter Brauer (Yacht und Bootswerft Gebr. Kröger)
- Proprietários: Dácio Veiga (RJ – 1947), Fernando Costa Melcher, Carlos Senfft (DF)
- Observações: Campeão Mundial na Austrália em 1957 com Fernando Costa Melcher. O Pinah serviu como molde em 1982 para Antonio Luís do Rio Apa construir o molde do que seria o Sharpie brasileiro de fibra de vidro (ver matéria abaixo).
Sharpie 12 m² – A história desses veleiros no Brasil
Em 1932, um ano após o lançamento do veleiro Sharpie 12 m² na Alemanha, um grupo de iatistas do Iate Clube Brasileiro, no Rio de Janeiro, trouxe a planta da embarcação para o Brasil e formou a primeira flotilha da nova classe.
Sendo um veleiro muito rápido e estável para a época, para dois tripulantes, com uma inconfundível vela quadrangular e casco formado por uma área plana ao longo da quilha – uma inovação que os veleiros só vieram a implementar décadas depois –, o Sharpie rapidamente se espalhou pelo Brasil.
Em 1938, organizou-se o primeiro Campeonato Brasileiro da Classe Sharpie, que se repetiu bienalmente até 1960. Desse ano em diante, o campeonato passou a ser anual, até 1971, quando foi interrompido durante seis anos, retornando em 1978, na praia de Santos (SP). Suas três últimas edições foram realizadas em Niterói (RJ), em 2014, Nova Lima (MG), em 2015, e em São Paulo (SP), na Represa de Guarapiranga, em 2016.
A paixão pelo veleiro classe Sharpie – uma paixão inspirada pelo profundo apreço por sua beleza atemporal e seu incrível desempenho, me fez escrever sobre a história dessa classe no Brasil. Clique aqui para ler a história destes maravilhosos veleiros.
Regatas
| Regata | Posição |
|---|---|
| Campeonato Mundial de Sharpie Austrália 1957 | 1º lugar |
| Taça Mariano Ferraz 19?? | 2º lugar |
| Taça D.Violeta – 1950 | 2º lugar com Dácio Veiga |
| Taça Douglas Lambert – 1950 | 2º lugar com Dácio Veiga |
| Regata em Chichester Harbour, Inglaterra – 1947 | (*1) – relato abaixo |
| Taça La Fonte – 9/07/1950 – Prêmio instituído há 14 anos pela firma de Ferragens La Fonte. Compareceram 14 competidores, sendo 2 do I.C.Ramos, 1 do C.I.C., 1 do Guanabara e 4 do Piraquê. O vencedor foi o Clube de Caiçaras, continuando de posse da Taça, com o barco “Pinah”. | 1º lugar timoneado por Dácio Veiga e proeiro Eugenho Saldanha |
| Taça Melodia – Club dos Caiçaras – RJ – 1950 | 1º lugar timoneado por Dácio Veiga e proeira Eliana de Andrade Veiga |
| Taça Caiçaras – Club Caiçaras – RJ – 1950 | 1º lugar timoneado por Dácio Veiga e proeiro Eugenio Saldanha |
| Taça Clube Naval – RJ – 1950 | 1º lugar timoneado por Dácio Veiga e proeira Eliana de Andrade Veiga |
| Taça Almirante Aché – RJ – 1950 | 1º lugar timoneado por Dácio Veiga e proeira Eliana de Andrade Veiga |
| Regata Interclubes – 23/09/1951 | 3º lugar com Dácio Veiga do ICRJ |
O Sharpie 12m² brasileiro de fibra de vidro


No ano de 1982, Antonio Luís do Rio Apa, então presidente da AVCS-Associação de Veleiros da Classe Sharpie, decidiu, nos moldes dos Light Weight Sharpies Australianos, atualizar a construção e criar a classe de Sharpie 12m² brasileira de fibra de vidro.
Usando o casco do Pinhah, veleiro brasileiro Campeão Mundial na Austrália em 1957 com Fernando Costa Melcher como base, a idéia foi construir um molde do que seria o Sharpie brasileiro de fibra de vidro. Embora apresentasse características mais modernas e sistemas funcionais, como a mastreação em alumínio, segundo Rio Apa em entrevista a Mário Pereira Filho da revista Vela e Motor (veja integra da reportagem acima), “Não houve mudanças radicais no design original“.

Ao mesmo tempo, para que o novo veleiro de fibra não “aposente” os veleiros de madeira, Rio Apa realizou um trabalho de recolher os antigos veleiros de madeira, jogados em galpões pelo Brasil afora e, gratuitamente, se propos a reformar os veleiros doados à associação usando carpinteiros do Iate Clube de Ramos e Icaraí que, na época, já haviam recuperado o veleiro Preguinho, de William Rosa e o próprio Pinhah.
Infelizmente, somente um sharpie de fibra de vidro foi construído no Iate Clube de Ramos. Luiz Amaro Veiga, experiente velejador e várias vezes campeão brasileiro da classe, disse “Infelizmente o veleiro não andou. Os de madeira eram mais rápidos. Não se constrói um protótipo e acha que vai dar certo de primeira. Foi uma tentativa válida que não deu certo. Do veleiro construído, nunca mais tivemos notícia“.
Regatas internacionais na Inglaterra – por Dácio Veiga (*1)
Abaixo, relato parcial de interesse da classe Sharpie extraído do texto de Dácio Veiga que pode ser lido na íntegra, inclusive a descrição completa das regatas e das personalidades que por lá conheceu e encontrou, no arquivo abaixo.
Os ingleses, proprietários de barcos da classe internacional Sharpie 12m², fundaram o British 12 Sq. Metre Association, em 1930, adotando as plantas originais alemãs e novo método paro as medições dos barcos da classe, reunindo assim todos os esforços para o seu desenvolvimento e progresso, na Inglaterra e Domínios.
Em contato com essa Associação desde janeiro de 1946, tive a satisfação de ver adotado o nosso método de construção, para um vedamento mais perfeito das juntas do taboado do fundo, com o mata-juntas, e que representa sem dúvida uma melhora da planta internacional. A outra sugestão do “peso mínimo”, naturalmente imposto aqui pela diversidade dos pesos específicos de nossas madeiras, também foi adotado pela British 12 Sq. Metre Association, em 28 de maio de 1946 – fazendo também parte das “Alterações e Especificações”. Posteriormente essas alterações foram submetidas à International Yacht Raicing Union e aprovadas por ela em sua reunião de 19 de novembro de 1946. Assim estão de parabéns os proprietários brasileiros de barcos da classe porque o Conselho Supremo da C.B.V.M., em sua reunião de 28 de junho de 1946, também adotou oficialmente as plantas e especificações da classe “Sharpie 12m² Brasileira”.
Fundára-se, em 4 de agosto de 1946, a Associação Brasileira de Sharpie 12m², conseguindo reunir os proprietários de unidades da classe em número de 54, pertencentes às Federações Metropolitana de Vela e Motor, Federação de Vela e Motor de Santa Catarina e Federação de Vela e Motor de Minas Gerais. Em 30 de janeiro de 1947 foi eleita sua primeira Diretoria. Recebendo convite, em Janeiro de 1947 para participar das Regatas que se realizariam em maio, em Chichester Harbour, Inglaterra, e como ocupava o cargo de Secretário da nossa Associação, não só transmiti este convite aos dirigentes das Federações citadas, como também à Federação Paulista de Vela e Motor e Federação de Vela e Motor do Rio Grande do Sul, pedindo a sua divulgação entre os interessados. Obtendo resposta apenas da F.V.M.M.G., que não podem participar, escrevi ao organizador das Regatas, o Itchenor Sailing Club, dizendo da grande dificuldade dos transportes de nossos barcos, solicitando então proposta para a construção de Sharpies na Inglaterra.
Imediatamente recebo honrosa proposta de UFFA FOX, um dos grandes desenhistas e construtor de barcos de regatas ingleses, que estaria disposto a construir dois sharpies ao preço de 285 libras cada um, a tempo de participarem daquelas regatas. Como não houvesse interessado aqui no Rio, transmiti novamente essa proposta para a F.P.V.M. e à F.V.M.S.C.
Sem notícias e correspondendo ao interesse demonstrado pelos ingleses pela participação de concorrentes brasileiros, envio a folha de medição do meu sharpie “PINAH” e esta foi aprovada pelo medidor oficial da classe na Inglaterra. Assim não tive outro alternativa senão enviar o barco apressadamente, em 22 de abril, pelo S. SJ “Loch Ryan”. Convidei o Gastão Fontenelle Pereira de Souza para tripulante e depois de concedido pelo Conselho Nacional de Desportos a necessária autorização individual para competir no estrangeiro, sem nenhum ônus para a C,B.V.M., partimos de avião em 17 de maio.
Chegamos a Chichester a 20 e somente a 21 tínhamos afinal, no local das regatas, o “Pinah”… continue lendo no arquivo PDF abaixo…
Foto:


Quer saber mais sobre a história da Classe Sharpie? Saiba mais em: Sharpie 12m² – A história destes veleiros no Brasil.
Descubra mais sobre Max Gorissen
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
