Itahym

  • Ano de Fabricação:
  • Outros nomes:
  • Modelo: S&S White Caps – Design 1254.
  • Estaleiro: Estaleiro Japuí por Domingo Stipanich
  • Material construtivo: Madeira
  • Armação: Sloop
  • Propulsão:
  • Tripulantes/ Passageiros:
  • Numeral: BL 71
  • Comprimento: 37 pés ou 11,28 m
  • Design No.:
  • Linha d’água (m):
  • Boca (m):
  • Calado (m):
  • Área velica (m²):
  • Deslocamento (Kg):
  • Projetista: Sparkman & Stephens
  • Proprietários conhecidos: Dr. Luiz Pacheco e Silva
  • Observações: Veleiro com leme separado da quilha – spade-rudder – com fundo em “V”. Construído a partir do mesmo projeto do veleiro Curussá, pelo estaleiro do Domingos Stipanich, que teve de construí-lo no Estaleiro Japuí já que no seu estaleiro, no fundo da sua casa em Santos, não dava para construir com uma boca maior do que 10 pés. White Caps – S&S

Eu era moleque, hoje tenho 58, e me lembro de que o Curussá, que era um Yolle, ficava no ICSantos ao lado do barco do meu avô. O Dr. Goeller, saia todos os sábados à tarde com o seu marinheiro, se não me falha a memória, Nelson, e velejavam para fora até à noite. Depois retornavam e chegavam ao clube na manhã do domingo. Ele então retornava para São Paulo. Nesta época, ele já não mais corria regatas, mas foi este yolle que fez várias regatas. Este barco, era tudo para ele, junto com o marinheiro. Poderiam haver dado uma volta ao mundo ou algo do gênero, mas não deu tempo, o marinheiro faleceu e logo o Dr. Goeller também. A propósito, tanto o Currussá Yolle, bem como o Itaym, outro Yolle do Dr. Luiz Pacheco, foi meu avô (Domingo Stipanich) quem construiu, no Jardim Casqueiro, me lembro vagamente. Espero ter ajudado em algo. O Curussá acabou indo a pique depois de ter sido acidentado por uma lancha do Sr. Auro Moura Andrade Filho, que passou com a lancha sobre ele, cortando-o, literalmente, ao meio. A essas alturas o Goeller já havia vendido o Curussá para um Americano radicado no Brasil, embora experiente velejador, não possuía carteira de mestre ou capitão. O inquérito naval, por conta do acidente, acabou apontando como culpado o americano, que estava apenas motorando no estuário do porto de Santos… coisas de Brasil…

Domingos Stipanich iniciou sua carreira no meio náutico desmanchando clíperes (veleiros de carga e transporte) abandonados no Porto de Santos, no bairro da Bocaina – Guarujá – SP.

Com a experiência adquirida, Domingos Stipanich desenvolvia seus projetos de veleiro, unindo, a observação de modelos em revistas de vela da época à sua experiência no desmanche de embarcações europeias, para desenvolver uma maquete em meio modelo, de onde era extraindo o “plano de linhas”.

Domingos Stipanich construiu 16 veleiros: Popeye, Caviana, Claudiomar, Galerno, Galeão, Bonanza, Tarimba, Ibirapuera, Santos Dummont, Remoto, Itahym, Curussá, Gusano, Moleza, Scorpio e Concorde.

Curiosidade: Todos os veleiros do Stipanich possuem uma boca (largura de uma determinada secção transversal de uma embarcação, medida de um bordo ao outro, geralmente, no seu centro) estreita já que os veleiros eram construídos no seu galpão ao lado da sua residência que não era muito largo. A largura (boca) de cada veleiro era limitada sempre pela largura máxima permitida para se trabalhar no veleiro dentro do galpão.

RegataPosição


Tenho como sonho um dia poder implementar uma iniciativa para preservar o patrimônio náutico brasileiro… por isso, já pensando em algum dia poder implementá-lo, além do Cadastro de Veleiros Clássicos, decidi pesquisar e escrever artigos sobre diversos assuntos relacionados à vela brasileira, entre eles, os veleiros desenvolvidos no Brasil… é sobre isso que irá encontrar informações no texto abaixo… caso possa colaborar com informações ou registros históricos, entre em contato. O que não podemos deixar acontecer é essa história se perder.

Max Gorissen – Velejador. Escritor.


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