Gigolô

  • Ano de Fabricação: 1978
  • Outros nomes:
  • Modelo: J/24
  • Estaleiro: J Boats Tillotson Pearson (USA)
  • Material construtivo: Fibra de vidro
  • Armação: Sloop
  • Propulsão:
  • Tripulantes/ Passageiros:
  • Numeral: BRA 34
  • Comprimento: 24’ ou 7.32 m
  • Design No.:
  • Linha d’água (m): 20.00 ft ou 6.10 m
  • Boca (m): 8.90 ft ou2.71 m
  • Calado (m): 4.00 ft ou 1.22 m
  • Área velica (m²): 261.19 ft2 ou 24.27 m2
  • Deslocamento (Kg): 3,100 lb ou 1,406 kg
  • Projetista: Rod Johnstone
  • Proprietários conhecidos: Lauritz Von Lachmann (muito usado por Mark Diniz na época), Renato Motta V. de Carvalho (ICRJ – 2004), Mario Trindade
  • Observações:

“Os 3 primeiros J/24 do Brasil foram comprados em 1978 e importados pelo Lachmann em um “pacote” e recebidos por mim no Brasil. Eu havia falado ao Lachmann (além do Gigolô, foi dono de veleiros como o 5 estrelas, Carro Chefe e Ziriguidum) sobre os veleiros e ofereci agendar uma visita ao estaleiro. Como ele estava de viagem para NY (tinha uma Agência Marítima na época) disse que passaria por Newport para conversar com o pessoal do estaleiro. Após a compra, os veleiro chegaram no porto de navio e os levei para o ICRJ. Posteriormente foram levado para o Iate Clube Armação de Búzios (ICAB), que passou a ser a “sede” dos J/24. Foi até engraçado pois, depois de comprar os veleiros, ele ligou para o Souza Ramos avisando (sem ele saber) de que havia comprado um veleiro para ele e o estava embarcando em um navio. Os veleiros que vieram para o Brasil foram o Gigolô (do Lauritz Von Lachmann), Foxtrot (do José Carlos Laporte) e o Malabar (do Souza Ramos / Jorge Pontual). A primeira regata que fizemos não tínhamos a mínima idéia do barco e foi uma “Maricá” com 25 nós de vento. Chegamos na frente de todos os 32 pés, planando, com estaiamento todo solto. Os J/24 velejavam muito e depois dessa regata foi um sucesso. Fui aos USA falar com o estaleiro em Newport para adquirir e trazer os moldes para o Brasil, contudo, a Carbrasmar, no meio do caminho “atravessou” o negócio e acabou ficando com os moldes, posteriormente, construindo uns 15 veleiros no Brasil com o nome “Carbrasmar J24″”. Os veleiros eram de muito boa qualidade, contudo, um evento denegriu um pouco a imagem pois a Carbrasmar aceitou a “interferência do dono” e construiu um veleiro fora da classe (lembre-se de que a classe J/24 é uma classe One-Design). Depois de uns anos, a Carbrasmar meio que perdeu o interesse no J/24 e fomos ver de comprar os moldes, contudo, eles deviam Royalties para o estaleiro J Boats Tillotson Pearson e desistimos do negócio. Por vários anos eu fiquei meio que “dono” do Gigolô que participou de muitas regatas. Tínhamos até uma regata só dos J/24 que era a Rio-Búzios (entre 1980 e 1985) e que foi “criada” simplesmente para levar/trazer os veleiros para os campeonatos no Rio de Janeiro. Tenho um “causo” interessante; como os veleiros andavam muito, numa Santos-Rio de 1979, algum dos concorrentes (não ficamos sabendo quem) do ICSantos “roubou” nosso leme antes da largada. Só fomos encontrar o leme no fundo da piscina depois da largada. Mesmo assim, montamos o leme e conseguimos largar, chegando perto dos concorrentes na “Ilha dos Arvoredos”. Terminamos essa Santos-Rio em 4º lugar na Geral com Mark Diniz, Armando, Guty e Mamão. Nos anos 90 foram importados mais 5 ou 6 veleiros da Itália. Tenho mais um “causo”… Um dos veleiros vindos da Itália, não lembro o nome (barco do Toninho), fez uma modificação na quilha usando “Barita”, um material mais pesado, tipo chumbo, para dar mais estabilidade. foi um “escândalo” e eu fiz parte da comissão técnica na época e tudo terminou quando substituíram a quilha novamente para a original. Outro “causo”, nada a ver com o Gigolô, foi que eu recebi e tirei do container o primeiro veleiro da Classe Laser que chegou no Brasil. Tenho uma história muito grande na vela que posso compartir e, além de participar ativamente nos últimos anos deste mercado, também fui proprietário de outros veleiros, como o Rock&Roll, um Fast 395.

RegataPosição
Regata Maricá 1978
Regata Santos-Rio 19794º lugar Geral com Mark Diniz, Armando, Guty e Mamão
Veleiro Gigolô – Foto: Eduardo Louro

Tenho como sonho um dia poder implementar uma iniciativa para preservar o patrimônio náutico brasileiro… por isso, já pensando em algum dia poder implementá-lo, além do Cadastro de Veleiros Clássicos, decidi pesquisar e escrever artigos sobre diversos assuntos relacionados à vela brasileira, entre eles, os veleiros desenvolvidos no Brasil… é sobre isso que irá encontrar informações no texto abaixo… caso possa colaborar com informações ou registros históricos, entre em contato. O que não podemos deixar acontecer é essa história se perder.

Max Gorissen – Velejador. Escritor.


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