Nascida da união de alguns diretores oriundos da empresa fabricante de carrocerias de ônibus CIFERAL, sediada no Rio de Janeiro (Jardim Gramacho, Duque de Caxias, RJ), nasce no ano de 1975, a Aquarius Indústria e Comércio.
A ideia inicial seria a fabricação de frentes de ônibus e trailers em fibra de vidro, contudo, em um encontro do Engenheiro de voo da Varig, Gilberto Seager e um dos donos da Aquarius, Rubens Coelho, ambos moradores da Ilha do Governador e sócios do ICJG, resolveram produzir um veleiro que chamariam de Brasília 25.

Este se transformou em um sucesso imediato de venda.
Contudo, ele possuía um ponto fraco, seu acabamento e, logo se percebeu a necessidade de trabalhar na melhoria deste item, além, de também produzir um tamanho de veleiro maior já que, o pé direito, era baixo.
Assim, foi feita uma modificação no próprio molde do Brasília 25 para criar o veleiro que viria a ser conhecido como Brasília 27 no qual, além do aumento no comprimento, aumentou-se também o pé direito e a borda livre em relação ao 25.
Praticamente, ao mesmo tempo, foi concebido o projeto do Brasília 32, considerado até hoje, o carro chefe do estaleiro e produzido de 1977 a 1989.
O estaleiro fabricou também o Brasília 27-S, o Brasília 23 e o Brasília 37, além dos Spring.
No caso do Brasília 37, foi feito primeiro o plug para então construir a “fôrma”, que nunca foi terminada.
O barco originado deste plug tinha o nome de Talon (depois foi vendido e passou a se chamar Samurai…).
Em meados de 1983, comprada pelos sócios da Multiglás (fabricantes dos veleiros Atol 23 e 29, Caribe 16, Tahiti 16 e Peterson 33), muda a razão social para “Brasília Náutica” e produz uma nova fôrma para o Brasília 32 que, com um novo Layout interno, se mantém como um campeão de vendas.1
Modelos fabricados:
- Brasilia 23 – Projeto: Gilberto Saeger
- Brasília 25 – Projeto: Gilberto Saeger
- Brasília 27 – Projeto: Gilberto Saeger
- Brasília 32 – Projeto: Gilberto Saeger
- Spring 25 – Projeto: Toni Castro
- Spring 36 – Projeto: Toni Castro

O Brasília 32 foi o primeiro veleiro genuinamente de “oceano” brasileiro, além de, um dos primeiros construídos em fibra de vidro feitos em série (o outro foi o Atoll 23 da Multiglass). Antes deles, só existiam veleiros de oceano de madeira.
Produzido de 1976 a 1983 com projeto de Gilberto Seager. Foram produzidos mais de 500 unidades deste modelo.
Veleiros conhecidos construídos pelo Estaleiro:
| Nome | Modelo | Ano | Outros nomes |
|---|---|---|---|
| Venturus Venti | Brasília 23 | 1982 | |
| Toró | Brasília 23 | 1982 | |
| Segredo | Brasília 23 | 1982 | |
| Czar | Brasília 23 | 1987 | |
| Lual | Brasília 23 | ||
| Absoluto I | Brasília 23 | ||
| Copacabana | Brasília 23 | ||
| Wind Spirit | Brasília 23 | ||
| Das Flagenpapier | Brasília 23 | ||
| Nereus | Brasília 23 | ||
| Serafim | Brasília 23 | ||
| Acrux | Brasília 23 | ||
| Miss Cuca | Brasília 23 | ||
| Silene | Brasília 23 | ||
| Mantra | Brasília 25 | ||
| Neréiades | Brasília 25 | 1975 | |
| Vésper | Brasília 25 | ||
| Anna Luisa | Brasília 27 | 1977 | |
| Bordel | Brasília 27 | 1981 | |
| Satori | Brasília 27 | 1983 | |
| Pee Wee | Brasília 27 | 1987 | |
| Domus | Brasília 27 | ||
| Lupus 2 | Brasília 27 | ||
| Borandá | Brasília 27 | ||
| Cameron 1 | Brasília 27 | ||
| Madre Lena | Brasília 27 | ||
| Triumph *2 | Brasília 27 | ||
| Le Baron *1 | Brasília 32 | 1978 | Le Baron do Bem |
| Grug | Brasília 32 | 1982 | |
| Toriba | Brasília 32 | 1976 | |
| Cururu | Brasília 32 | 1978 | |
| Bearship | Brasília 32 | 1979 | |
| Veleiro do Eduardo | Brasília 32 | 1980 | |
| Matina III | Brasília 32 | 1982 | |
| Charlie Tango | Brasília 32 | 1985 | Som dos Ventos |
| Zen | Brasília 32 | ||
| Acauã | Brasília 32 | ||
| Moonlight | Brasília 32 | ||
| Mar Manso | Brasília 32 | ||
| Porreta | Brasília 32 | ||
| Pequod | Brasília 32 | ||
| Yam Malech | Brasília 32 | ||
| Luisa | Brasília 32 | ||
| Tranquilo | Brasília 32 | ||
| Swimmer | Brasília 32 | ||
| Teimosia III | Brasília 32 | ||
| Mixuca | Brasília 32 | ||
| Ádria | Brasília 32 | ||
| Pinto no Lixo III | Brasília 32 | ||
| Talon *3 | Brasília 37 | Samurai | |
* Em 1981, o Le Baron protagonizou a primeira travessia solitária do Atlântico (Brasil -> Portugal) feita por um brasileiro, o navegador Franquelim Franco. Ele chegou a Lisboa em setembro de 81, após 61 dias de mar (conforme relato do Sr. Raphael Maciel – ver ficha do veleiro Le Baron).

*2 O primeiro Brasília 27’S foi construído em madeira e serviu como molde para os próximos construídos em fibra-de-vidro. O veleiro se chamava “Triumph” e foi do Sr. Edison Vieira Jr.
*3 No caso do Brasília 37, foi feito primeiro o plug para então construir a “fôrma”, que nunca foi terminada. O barco originado deste plug tinha o nome de “Talon” (depois foi vendido e passou a se chamar Samurai).
Planos dos veleiros
Planos do veleiro Brasília 32. Design e desenhos: Aquarius Indústria e Comércio Ltda. e Brasília Náutica. todos os direitos reservados. Proibida sua reprodução.
Vários designs e desenhos dos veleiros produzidos pela Aquarius Indústria e Comércio Ltda. e Brasília Náutica. todos os direitos reservados. Proibida sua reprodução.
Depoimentos
Carlos Eduardo Souza Pinto em 04/03/2009
Bom dia Max,
A Aquarius Ind e Com “nasceu” no ano de 1975 de diretores que saíram de uma empresa fabricantes de carrocerias de ônibus CIFERAL, sediada no Rio de Janeiro. A idéia inicial seria a fabricação de frentes de ônibus e trailers em fibra de vidro, mas, em um encontro do Engenheiro de Vôo da Varig, Gilberto Seager e um dos donos da Aquarius, Rubens Coelho, ambos moradores da Ilha do Governador e sócios do ICJG, resolveram produzir um veleiro que seria o Brasília 25. Este se transformou em um sucesso de venda, com um ponto fraco que era o acabamento, e logo se percebendo a necessidade de um tamanho maior, pois o pé direito era baixo. Assim, foi feita uma transformação no próprio 25 para 27, com aumento de pé direito e da borda livre. Praticamente ao mesmo tempo, era feito o projeto do Brasília 32 que foi o carro chefe do estaleiro, sendo produzido de 1977 a 1989. O estaleiro fabricou também o Brasília 27s, 23 e 37. No caso do Brasília 37, foi feito o plug para construir depois a “fôrma”, que nunca foi terminada. O barco originado do plug tinha o nome de Talon, depois Samurai. Em meados de 1983 a fabrica muda a razão social para “Brasília Náutica” e faz uma nova fôrma para o Brasília 32 e um novo Layout interno e se torna outro campeão de vendas.
Espero que tenha gostado pois, cada embarcação clássica tem uma história única para contar e que pode servir de referência e consulta para historiadores, pessoas e instituições interessadas, antigos e novos proprietários e o público em geral, promovendo assim a rica e as intrigantes histórias associadas a esses clássicos e preservando e aumentando assim seu significado cultural para as gerações futuras.
Bons ventos!
Max Gorissen
Velejador. Escritor.
- Informações fornecidas por Carlos Eduardo Souza Pinto em 04/03/2009. ↩︎
Descubra mais sobre Max Gorissen
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.





