Estaleiro Aquarius Indústria e Comércio Ltda (Brasília Náutica)

Nascida da união de alguns diretores oriundos da empresa fabricante de carrocerias de ônibus CIFERAL, sediada no Rio de Janeiro (Jardim Gramacho, Duque de Caxias, RJ), nasce no ano de 1975, a Aquarius Indústria e Comércio.

A ideia inicial seria a fabricação de frentes de ônibus e trailers em fibra de vidro, contudo, em um encontro do Engenheiro de voo da Varig, Gilberto Seager e um dos donos da Aquarius, Rubens Coelho, ambos moradores da Ilha do Governador e sócios do ICJG, resolveram produzir um veleiro que chamariam de Brasília 25.

Estaleiro Aquarius. Foto: provavelmente do próprio Sr. Gilberto Seager – acervo de Roberto Saeger. Proibida sua reprodução.

Este se transformou em um sucesso imediato de venda.

Contudo, ele possuía um ponto fraco, seu acabamento e, logo se percebeu a necessidade de trabalhar na melhoria deste item, além, de também produzir um tamanho de veleiro maior já que, o pé direito, era baixo.

Assim, foi feita uma modificação no próprio molde do Brasília 25 para criar o veleiro que viria a ser conhecido como Brasília 27 no qual, além do aumento no comprimento, aumentou-se também o pé direito e a borda livre em relação ao 25.

Praticamente, ao mesmo tempo, foi concebido o projeto do Brasília 32, considerado até hoje, o carro chefe do estaleiro e produzido de 1977 a 1989.

O estaleiro fabricou também o Brasília 27-S, o Brasília 23 e o Brasília 37, além dos Spring.

No caso do Brasília 37, foi feito primeiro o plug para então construir a “fôrma”, que nunca foi terminada.

O barco originado deste plug tinha o nome de Talon (depois foi vendido e passou a se chamar Samurai…).

Em meados de 1983, comprada pelos sócios da Multiglás (fabricantes dos veleiros Atol 23 e 29, Caribe 16, Tahiti 16 e Peterson 33), muda a razão social para “Brasília Náutica” e produz uma nova fôrma para o Brasília 32 que, com um novo Layout interno, se mantém como um campeão de vendas.1

  • Brasilia 23 – Projeto: Gilberto Saeger
  • Brasília 25 – Projeto: Gilberto Saeger
  • Brasília 27 – Projeto: Gilberto Saeger
  • Brasília 32 – Projeto: Gilberto Saeger
  • Spring 25 – Projeto: Toni Castro
  • Spring 36 – Projeto: Toni Castro
Veleiro Brasilia 32 no São Paulo Boat Show de 1988 – Foto de Maximilian Immo Gorissen

O Brasília 32 foi o primeiro veleiro genuinamente de “oceano” brasileiro, além de, um dos primeiros construídos em fibra de vidro feitos em série (o outro foi o Atoll 23 da Multiglass). Antes deles, só existiam veleiros de oceano de madeira.

Produzido de 1976 a 1983 com projeto de Gilberto Seager. Foram produzidos mais de 500 unidades deste modelo.

NomeModeloAnoOutros nomes
Venturus VentiBrasília 231982
ToróBrasília 231982
SegredoBrasília 231982
CzarBrasília 231987
LualBrasília 23
Absoluto IBrasília 23
CopacabanaBrasília 23
Wind SpiritBrasília 23
Das FlagenpapierBrasília 23
NereusBrasília 23
SerafimBrasília 23
AcruxBrasília 23
Miss CucaBrasília 23
SileneBrasília 23
Mantra Brasília 25
NeréiadesBrasília 251975
VésperBrasília 25
Anna LuisaBrasília 271977
BordelBrasília 271981
SatoriBrasília 271983
Pee WeeBrasília 271987
DomusBrasília 27
Lupus 2Brasília 27
BorandáBrasília 27
Cameron 1Brasília 27
Madre LenaBrasília 27
Triumph *2Brasília 27
Le Baron *1Brasília 321978Le Baron do Bem
GrugBrasília 321982
ToribaBrasília 321976
CururuBrasília 321978
BearshipBrasília 321979
Veleiro do EduardoBrasília 321980
Matina IIIBrasília 321982
Charlie TangoBrasília 321985Som dos Ventos
ZenBrasília 32
AcauãBrasília 32
MoonlightBrasília 32
Mar MansoBrasília 32
PorretaBrasília 32
PequodBrasília 32
Yam MalechBrasília 32
LuisaBrasília 32
TranquiloBrasília 32
SwimmerBrasília 32
Teimosia IIIBrasília 32
MixucaBrasília 32
ÁdriaBrasília 32
Pinto no Lixo IIIBrasília 32
Talon *3Brasília 37Samurai

* Em 1981, o Le Baron protagonizou a primeira travessia solitária do Atlântico (Brasil -> Portugal) feita por um brasileiro, o navegador Franquelim Franco. Ele chegou a Lisboa em setembro de 81, após 61 dias de mar (conforme relato do Sr. Raphael Maciel – ver ficha do veleiro Le Baron).

Recorte do jornal português “Expresso” do dia 26 de setembro de 1981. Foto: Jornal Expresso. Todos os direitos reservados. Proibida sua reprodução. Enviado e parte do acervo de Raphael Maciel.

*2 O primeiro Brasília 27’S foi construído em madeira e serviu como molde para os próximos construídos em fibra-de-vidro. O veleiro se chamava “Triumph” e foi do Sr. Edison Vieira Jr.

*3 No caso do Brasília 37, foi feito primeiro o plug para então construir a “fôrma”, que nunca foi terminada. O barco originado deste plug tinha o nome de “Talon” (depois foi vendido e passou a se chamar Samurai).

Planos do veleiro Brasília 32. Design e desenhos: Aquarius Indústria e Comércio Ltda. e Brasília Náutica. todos os direitos reservados. Proibida sua reprodução.

Vários designs e desenhos dos veleiros produzidos pela Aquarius Indústria e Comércio Ltda. e Brasília Náutica. todos os direitos reservados. Proibida sua reprodução.

Bom dia Max,

A Aquarius Ind e Com “nasceu” no ano de 1975 de diretores que saíram de uma empresa fabricantes de carrocerias de ônibus CIFERAL, sediada no Rio de Janeiro. A idéia inicial seria a fabricação de frentes de ônibus e trailers em fibra de vidro, mas, em um encontro do Engenheiro de Vôo da Varig, Gilberto Seager e um dos donos da Aquarius, Rubens Coelho, ambos moradores da Ilha do Governador e sócios do ICJG, resolveram produzir um veleiro que seria o Brasília 25. Este se transformou em um sucesso de venda, com um ponto fraco que era o acabamento, e logo se percebendo a necessidade de um tamanho maior, pois o pé direito era baixo. Assim, foi feita uma transformação no próprio 25 para 27, com aumento de pé direito e da borda livre. Praticamente ao mesmo tempo, era feito o projeto do Brasília 32 que foi o carro chefe do estaleiro, sendo produzido de 1977 a 1989. O estaleiro fabricou também o Brasília 27s, 23 e 37. No caso do Brasília 37, foi feito o plug para construir depois a “fôrma”, que nunca foi terminada. O barco originado do plug tinha o nome de Talon, depois Samurai. Em meados de 1983 a fabrica muda a razão social para “Brasília Náutica” e faz uma nova fôrma para o Brasília 32 e um novo Layout interno e se torna outro campeão de vendas.

Espero que tenha gostado pois, cada embarcação clássica tem uma história única para contar e que pode servir de referência e consulta para historiadores, pessoas e instituições interessadas, antigos e novos proprietários e o público em geral, promovendo assim a rica e as intrigantes histórias associadas a esses clássicos e preservando e aumentando assim seu significado cultural para as gerações futuras.

Bons ventos!

Max Gorissen
Velejador. Escritor.

  1. Informações fornecidas por Carlos Eduardo Souza Pinto em 04/03/2009. ↩︎

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