Gaia 1 – FyC 40 ano 1987

  • Ano de Fabricação: 1987
  • Nomes: Navy Blue, Alucinante X e Gaia 1
  • Estaleiro: Astillero Frers y Cibils S.A. – Buenos Aires – Argentina
  • Laminação: Integral em Fibra de Vidro
  • Armação: Sloop – Mastro alumínio fabricado pela Sparcraft Rigging – Inglaterra
  • Brandais e estaiamento: Cabos de aço 316 “Morsing” 1X19 nas medidas de 12, 10, 8, 7 e 6 mm
  • Runners: Cabo de 7 mm
  • Terminais e esticadores: Nautos (todo o estaiamento foi refeito novo em dezembro 2014)
  • Ferragens principais: Catracas Aldo 32, Aldo 28, Aldo …, Aldo … e Harken 32
  • Madeira do interior: Viraró (Ruprechtia salicifolia) – No Brasil: Marmeleiro-do-mato.
  • Motor: Motor Yanmar 3JH5.KM35A, 3 cilindros, 40hp (janeiro 2015). Antes possuía um Volvo 2003T com o qual veio do estaleiro.
  • Propulsão: Pé-de-Galinha com hélice de 2 pás fixas
  • Tripulantes/ Passageiros: 1 / 7
  • Numeral: BRA 2076 (nas velas)
  • Comprimento: 40´2” ou 12,50 m
  • Design No.: 851-C2 para FyC
  • Linha d’água: 9,30 m
  • Boca: 3,82 m
  • Calado: 6.80’ ou 2,07 m
  • Área velica: 35,80 m²
  • Deslocamento: 6.555 Kg
  • Projetista: German Frers (filho)
  • Proprietários conhecidos: como Navy Blue: Henrique Carlos Pons Morelli (1987) e Patrick Maurice Maxime Valansi (2006); como Alucinante X: Luiz Carlos Barroso Simão (2008); como Gaia 1: Flávio e Pedro Cláudio de Medeiros Bocayuva Bulcão (2009) e Maximilian Immo Orm Gorissen (2014)
  • Observações:

O FyC 40 é um veleiro concebido em uma época em que o importante era ser marinheiro e rápido, não uma casinha, com uma concepção de “Gentleman-Racer”, onde o proprietário levava seus amigos para uma regata e pernoitava confortavelmente no veleiro.

A premissa é que seja rápido, seguro, marinheiro, refinado, confortável e muito ágil em uma regata.

Sou o proprietário do Gaia 1, que originalmente se chamava Navy Blue, desde 20/10/2014 até hoje…

O veleiro tem uma cabine (existe a opção com duas cabines) e um banheiro com box para o chuveiro, ampla sala de estar/ jantar, cozinha, mesa de navegação e mais uma cama individual na popa.

Todo o interior é construído com a madeira que na Argentina é chamada de viraró (Ruprechtia salicifolia, em português: marmeleiro-do-mato), uma madeira muito resistente às variações de temperatura e umidade, características do ambiente marítimo, e que, com sua tonalidade “loira”, reflete a luz dando uma sensação de luminosidade natural muito agradável.

Para aumentar ainda mais a luminosidade, foi utilizado um estofado branco e almofadas com faixas azuis.

O veleiro segue um conceito minimalista na decoração, nos equipamentos e no uso dos espaços.

Além das manutenções regulares, como pintura de fundo, existem outras reformas para consertar algum problema, geralmente ocasionado por desgaste dos materiais no meio náutico, ou para fazer uma melhoria. Não vou descrever todas as reformas, geralmente uma ao ano, mas ilustrar algumas das mais importantes:

Manutenção anual: a retirada do veleiro da água para pintura de fundo com tinta anti-incrustante, por causa temperatura e da grande biodiversidade das águas brasileiras, complementa a limpeza por mergulho mensal.

Manutenção anual: a retirada das velas do veleiro para revisão, manutenção e lavagem, mantém minhas velas sempre em boas condições de uso.

O Gaia 1 possui uma armação do tipo Sloop, um mastro de alumínio fabricado pela Sparcraft Rigging – Inglaterra. Em dezembro de 2014, depois de 27 anos, troquei os brandais e o estaiamento original de cabos rígidos por cabos de aço 316 “Morsing” 1×19 nas medidas de 12, 10, 8, 7 e 6 mm, os runners são de 7 mm, e todos os terminais e esticadores foram substituídos por novos da marca Brasileira Nautos. As cruzetas foram enviadas para adaptação dos terminais e reforma.

Em fevereiro de 2015, troquei o motor Volvo 2003T original por um Motor Yanmar 3JH5.KM35A, 3 cilindros, 40hp, mantendo o sistema de propulsão de Pé-de-Galinha com hélice de 2 pás fixas.

Em março de 2015, fiz todo o estofamento do veleiro com o objetivo de aumentar ainda mais a luminosidade interna. Para isso, foi utilizado um estofado branco e almofadas com faixas azuis.

Em maio de 2016, lixamos as obras vivas até a fibra, retirando a tinta anti-incrustante antiga, primer e o gel-coat original, confirmando a inexistência de delaminação e/ ou osmose. Finalizamos com o tratamento da fibra, uma nova camada de primer de epóxi e finalizando com cinco demãos de novo anti-incrustante. Ficou novo!

Em paralelo a reforma do fundo descrita acima, aproveitei o casco lixado para trocar o túnel e o eixo do hélice por novos de aço inox 316.

Em julho de 2016, retirei do veleiro, limpei e fiz uma manutenção “profunda” em todas as catracas e moitões do veleiro. O motor de Fusca não tem nada a ver com o veleiro… é só um motor que reformei e deixo de decoração na minha bancada de trabalho.

Em julho de 2017, aproveitei que o veleiro estava fora da água para pintura da tinta anti-incrustante do fundo, para trocar todos os passa-casco e registros de latão e cobre por novos Marelon® , feitos de polímeros reforçados com alta resistência, leveza, ausência de corrosão e eletrólise.

Em setembro de 2017, troquei todas as baterias e instalei 4 painéis solares flexíveis, cada um com 50W, totalizando 200w, em cima do bimini.

Em setembro de 2019, troquei os soquetes e as lâmpadas incandescentes de todas as luminárias por bolachas de LED, mantendo as luminárias originais.

Em outubro de 2019, troquei o forro original do teto, composto de uma chapa de compensado forrada com espuma e vinil anti-mofo branco e que pesava 15 quilos. O novo forro, foi construído com compensado naval de 5mm. Fiz nele umas ranhuras paralelas para que a madeira parecesse ripada. Ao pintar, no pincel, usei de um lado epóxi laminação incolor e, na parte que fica exposta, uma camada de primer de epóxi e pintado com uma fina camada de tinta Conthane Yacht Finish ACR Oyster Whyte, tomando cuidado para que a tinta não cobrisse o movimento da madeira. O novo forro pesa 7 quilos.

Em dezembro de 2019, retirei o Gaia 1 da água para fazer a pintura de fundo e aproveitei para retirar o leme, que foi totalmente reformado, incluindo, a revisão do eixo de alumínio em busca de eletrólise ou trincas e de fissuras na fibra, que poderiam deixar entrar água e comprometer estruturalmente o leme. Aproveitei e troquei a bucha de nylon e os retentores de borracha do túnel onde se instala o eixo. Ficou novo!

Em junho de 2022, retirei os dois tanques de água e o de diesel, todos de fibra de vidro e os reformei e pintei, junto com o interior do casco, tudo com tinta epóxi Conthane Yacht Finish ACR Oyster Whyte, como no forro do teto, aproveitando para trocar registros, mangueiras e alguns fios elétricos.

Em maio de 2023, retirei o Gaia 1 da água para fazer a pintura de fundo, entre outras “cositas más”, e aproveitei para fazer uma reforma na quilha de chumbo, retirando toda a pintura, primer e laminação na junção com o casco e fazendo uma revisão e restauração completa e de qualidade. Ficou perfeita!

Em março de 2024 comprei em um brechó na Argentina 4 catracas originais da marca Aldo que faltavam no veleiro. Assim, o veleiro volta a ter as 10 catracas originais de suas áureas épocas de campeão da IOR. Em um veleiro de cruzeiro, estas catracas dão mais opções para redirecionar cabos, mas, em regata, elas permitem que a tripulação de proa não precise se amontoar no deck para usarem todos as mesmas catracas… da até para manejar o spinnaker/ gennaker nelas tendo visão total da vela por trás da mestra.

Em maio de 2025, decidi fazer uma reforma completa na pintura do Gaia 1 (deck, costado e fundo) e o levei para o Pier 26 no Guarujá. Segue resumo da reforma:

20/05/2025

Gaia 1 no seco… ontem cheguei no Pier 26 – Guarujá e hoje foi lavar e organizar o veleiro, retirando tudo para lixar e pintar deck, costado e fundo… amanhã começo a lixar!

27/05/2025

Desde que cheguei no estaleiro Pier 26 na segunda-feira da semana passada, vivo outra realidade náutica; a dos velejadores que fazem em seus veleiros sua própria manutenção e reforma… muita coisa para desmontar e muito braço para limpar e lixar… já lixei o deck, o costado, o fundo e, no caso da quilha, lixei até aparecer o metal, incluindo, uma mão de primer epoxy… haja pó!!! … amanhã, o dia será de preparo para dar uma camada de primer no deck e no costado, preparando ambos para pintura… o Gaia 1 vai ganhar uma nova cor…

07/06/2025

Estou quieto por aqui, mas não foi por falta de trabalho… entre dias de sol e nublados, a semana foi de muita desmontagem, preparação (como dizem, 90% do tempo é gasto preparando a área a ser pintada, e 10% do tempo pintando), primer, pintura e lixa… tanto do deck, onde tive de fechar inúmeras “marcas” com massa epoxy, quanto do costado… incrível como se tem de lixar! A cada demão, lixo o casco com lixa 320! O Gaia 1 tem 40’ 2” ou 12,50 metros! Trabalhão! Haja braço! … Infelizmente, a chuva começou na quinta-feira e a previsão é durar uma semana… ou diria felizmente, pois posso dar um tempo para descansar esse corpinho sessentão e voltar pronto e descansado para finalizar o trabalho! A cor azul que escolhi e foi produzida pela Coninco, não tem nome… chamamos de Azul Gaia… nada a ver com o antigo azul claro… bem mais escuro… ficou muito elegante e charmoso! As fotos onde apareço pintando foram tiradas pelo Edson Pereira do Pier 26.

15/06/2025

Hoje finalizei a proteção de todas as gaiutas, travellers, mordedores, stays, catracas (são 10!!!), teca dos assentos/ piso do cockpit, roda do leme, painéis dos stays hidráulicos e motor e, entre outras cositas más (tem muita coisa no deck do Gaia 1), os guarda-mancebos… já instalei os tubos de PVC em arco (usei a retranca e o pau de spy como apoio dos tubos) para fazer o casulo forrado com plásticos (que já estão cortados na medida certa e é só colocar)… Amanhã começa a pintura do deck (primer e tinta) e mais duas demãos no costado (que já foi lixado com lixa 320)… acredito que até sexta-feira finalizo a pintura, incluindo, às faixas brancas no costado! … dá trabalho, mas vai valer a pena!

20/06/2025

Costado do Gaia 1 pronto… começando a pintura do deck com uma mão de primer epoxy…

25/06/2025

Casco “Bronzeado”… Apliquei uma camada de primer vinílico “Contar Vinil Bronze” da Coninco que funciona como base seladora para o anti-incrustante… É uma pena ter de aplicar o anti-incrustante preto por cima!

29/06/2025

Esta semana, pintei o deck com uma demão de tinta PU branco off-white no “liso” (onde não vai anti-derrapante/ grip) e nas peças “soltas” (guarnições das janelas, tampa da ancora e tope da gaiura de entrada), tudo, no pincel… foi então que começou um trabalho de paciência: colocar fita no deck ao redor de onde não vou passar o grip e, posteriormente, “arredondar” com o estilete as pontas retas e as junções das fitas crepe… nos intervalos, por cima da camada de vinil bronze (seladora) das obras vivas do casco (pintado na semana passada), pintei com 3 camadas de anti-incrustante… a quilha, precisou antes uma demão de primer epoxy, esperar o epoxy ficar “grudento”, para só então passar uma mão de anti-incrustante… voltando ao deck, tudo preparado, foi pintar com uma camada de off-white e passar por cima o pó anti-derrapante (grip)… por ultimo, depois de 22 anos de uso e uma nova pintura do casco na mesma cor do Gaia 1, o botinho recebeu velas, bolina e leme… agora da para remar, motorar e velejar nele!!!

Gaia 1 de volta na água…

Depois de 30 horas de navegação em solitário, com uma rapida parada em Ilhabela e, após uma bela e fria velejada noturna, cheguei ontem as 22:00 hs na Ilha do Cedro em Paraty… hoje, filmei o Gaia 1 no seu novo visual com este paraíso de pano de fundo! Agora, é terminar de remover a fita crepe verde que parece que se “fundiu” as peças do convés (vai dar muito trabalho), pintar mais uma demão de tinta off-white no cockpit e, depois de terminar “unas cositas más”, curtir este lugar maravilhoso! Bons ventos a todos que acompanharam a reforma! Abraço!

A Renew Boats, do Raphael e da Allyne de Angra dos Reis, acabou de instalar as gaiutas pequenas do Gaia 1. Ficaram maravilhosas! Foi aproximadamente 1 mês de trabalho para desmontar, recuperar e achar as peças importadas das gaiutas. Depois de desmontar, eles mandaram fazer a anodização em São Paulo (por causa de eletrólise) e, depois de prontas, retiraram e trocaram os visores de acrílicos por policarbonato Lexan anti-abrasivo 6 mm fumê. Também trocaram todas as borrachas e os fechos por novos. Trabalho, como pode ser visto nas fotos e nos vídeos (todos com autoria da Renew Boats), extremamente profissional!


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