Humor: A doença do Este barco dá para restaurar fácil e barato!

Há uma doença, de nome comprido, que acomete certos homens (também mulheres, mas os homens sofrem mais dela), tirando completamente sua razão quando veem um veleiro abandonado ou em mau estado: a doença do “este barco dá para restaurar fácil e barato”.

O interessante é que a pessoa contaminada não percebe a doença e não aparenta nenhum de seus sinais, ao contrário, seu raciocínio parece lógico e realista. Ela é capaz de explicar de maneira sensata, clara e convincente a sua decisão de restaurar um veleiro “velho” e em mau estado.  É uma doença contagiosa – tome muito cuidado quando vir um veleiro abandonado!

Aparentemente, são pessoas equilibradas, legais, inteligentes, com condição financeira estável e, em muitos casos, são experientes velejadores de regatas ou cruzeiros. Pode-se até dizer que, em sua maioria, essas pessoas possuem uma personalidade aventureira, sonhadora e livre, o que as torna altamente agradáveis, atraindo outras pessoas e facilitando a disseminação da doença.

O maior problema dessa doença é que a pessoa possui uma compreensão pouco realista tanto de suas finanças quanto do tamanho e do tempo necessário para se terminar o projeto. Qualquer um que é imune a essa doença sabe: veleiros abandonados, em qualquer estado de conservação, absorvem e requerem muito dinheiro, tempo e dedicação.

Mesmo assim, há um êxtase ao se pegar essa doença e iniciar o projeto. E o que é pior: enquanto a doença perdura, ela é altamente gratificante para quem a pegou. Poderíamos afirmar que é viciante.

Você vê esse veleiro, que na sua concepção é lindo e uma oportunidade única de ter uma “joia rara dessas na vida” e, simplesmente, do nada, é seu devoto incondicional. Até o momento em que acaba o dinheiro… Sim, normalmente a falta de dinheiro é a única cura dessa doença.

Após a cura, com suas finanças em ruínas, você tem de trabalhar muito e por muito tempo para se recuperar definitivamente dos efeitos da doença e restabelecer suas finanças.

Mas cuidado, uma vez recuperado, existe grande possibilidade de recaída: é só ver outro veleiro em péssimo estado e estar com as finanças recuperadas que os sintomas certamente se repetirão. O vírus fica no sangue apenas aguardando uma oportunidade de voltar a se manifestar.

Desses veleiros, são poucos os que voltam a velejar e retornam a seus dias de alegria.

Agora que você está informado e consciente da doença, tome cuidado pois tem muito veleiro abandonado que dá vontade de restaurar.

“É certo que, talvez, tenha acontecido assim…”

Bons ventos!

Max Gorissen

Velejador, escritor e editor da SailBrasil… nessa ordem! 🙂


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