A magia da Semana de Vela de Ilhabela

Balonada no canal de São Sebastião na largada da regata de domingo da 43ª Semana de Vela de Ilhabela.
Balonada no canal de São Sebastião na largada da regata de domingo da 43ª Semana de Vela de Ilhabela.

A Semana de Vela, para muitos, é tanto uma lição de vida quanto uma lição de vela, onde, paciência, coragem, liderança, sabedoria, estratégia, tática, conhecimento de navegação, treino, sorte, azar e inteligência, entre outras atribuições, são colocadas a prova em dia: de pouco vento, de muito vento, de maré contra, de chuva, de maré a favor, de navios enormes ancorados, de manhã, de tarde, a noite, de percursos triangulares, de popa, través e orça, de regata de longo percurso, de regata de curto percurso, de veleiros de vários tamanhos na mesma raia, de velejadores experientes, de velejadores amadores, de manzas, de velejadores de ressaca, de velejadores educados, de velejadores mal-educados, de lancheiros cruzando a raia, de balsa cruzando a raia, de fome, de comida boa, de comida ruim, de enjoo, de muito enjoo, de vento constante, de vento rondando, de vento afunilado, de neblina, de cerração, de golfinhos, de amigos, de ilha à proa, de pedra escondida, de maré alta, de maré baixa, de encalhe e de quebra, enquanto, o velejador, aproveita tudo com diversão, simpatia, animação e com a típica camaradagem do velejador brasileiro… ou seja, a Semana de Vela tem um pouco de tudo embalado em um ambiente paradisíaco.

Apenas para nos localizar no tempo, em 2016, comemorou-se a 43ª Semana de Vela de Ilhabela e, por este motivo, vou tentar recuperar um pouco da sua história.

Anos 70

A primeira “Semana da Vela”, como era chamada, apesar de ter seu primeiro campeonato oficial realizado em 1973, foi imaginada por um grupo de velejadores do Yacht Club de Santo Amaro (YCSA), clube sediado na represa de Guarapiranga-SP, junto com a Prefeitura de Ilhabela, já no ano de 1969.

No ano de 1972, com a chegada da classe Optimist ao Brasil, uma pequena flotilha se formou na represa de Guarapiranga e, aproveitando que ao final do ano de 1972 iria acontecer o Campeonato Sul-Americano de Optimist em Buenos Aires, vários pais de velejadores decidiram que, para seus filhos terem um bom desempenho, precisariam treinar no oceano.

Para quem já presenciou o entusiasmo dos pais de velejadores de Optimist ao acompanhar seus filhos enquanto estes velejam, já imagina que, a vontade que surgiu neles de também participar de regatas foi imensa e, por este motivo, já no ano seguinte, em 1973, foi organizada uma semana de regatas em Ilhabela com as classes Pinguim, Snipe e Hobie Cat 16.

Começava assim a Semana de Vela que, desde então, todos os anos, sediado e promovido pelo Yacht Club de Ilhabela (YCI), sempre em julho, disputa regatas no entorno de Ilhabela durante uma semana inteira.

Começando com os monotipos, aos poucos, o tamanho dos veleiros foi aumentando e, em determinado momento, entre os monotipos olímpicos que participavam das regatas, haviam também vários veleiros de oceano.

Então, em 1975, a quantidade de veleiros de oceano superou a quantidade de monotipos.

Com isso, a partir do fim dos anos 1970, a Semana de Vela passou a ter uma semana somente para veleiros de oceano, evento sediado pelo YCI e, na segunda metade de julho, uma competição de monotipos, organizada pela FEVESP (Federação de Vela de São Paulo) e pela Prefeitura de Ilhabela.

Largada típica da regata inaugural de domingo em que todas as classes saem juntas... embolado!
Largada típica da regata inaugural de domingo em que todas as classes saem juntas… tudo fica “embolado”!

Anos 80

Na década de 1980, a “Semana de Vela de Oceano de Ilhabela”, organizada e sediada pelo YCI, passou a ser um evento reconhecido como “muito competitivo”, o que atraiu veleiros e velejadores do Rio de Janeiro e do sul do Brasil, transformando-se assim, em um dos principais campeonatos regionais de vela oceânica Brasileira.

Anos 90

Na década de 1990, a organização, até então bastante amadora e dependente da paixão de alguns velejadores, passou a ser mais profissional, com pessoas voltadas especificamente à organização e a busca de patrocínio.

Foi na segunda metade desta década, que o campeonato ganhou impulso com as parcerias da Marinha do Brasil, Comando do VIII Distrito Naval de São Paulo e da Delegacia da Capitania dos Portos de São Sebastião, o que permitiu a realização da Regata de Alcatrazes por Boreste como a regata de abertura e de longo percurso oceânico.

Veleiro chega a Alcatrazes ao por do sol...
Veleiro chega a Alcatrazes ao por do sol…

Anos 2000

Em 2000, ainda mais profissionalizada e melhor organizada, a Semana de Vela de Oceano de Ilhabela teve seu maior número de veleiro inscritos, chegando a quase 200 veleiros e, assim, tornando-se o maior evento de vela oceânica do Brasil, o que abriu espaço para sua internacionalização.

Foi assim que em 2007, o YCI mudou a estratégia e definiu que iria promover um campeonato de grande porte, transformando a Semana de Vela no maior e mais competitivo evento da vela oceânica da América Latina.

Com uma nova roupagem e com novo patrocinador com experiência na realização de regatas internacionais, a Semana de Vela de Oceano de Ilhabela teria seu nome mudado para o nome do novo e principal patrocinador, passando a ser chamada de: Rolex Ilhabela Sailing Week, ou RISW.

Mastros de veleiros S-40 alinhados no píer do YCI.
Mastros de veleiros S-40 alinhados no píer do YCI.

O nome e o formato internacional da nova Rolex Ilhabela Sailing Week (Semana de Vela em Inglês), passou a promover o uso de veleiros mais atuais, tecnologicamente avançados (como os S-40, veleiro desenvolvido para as condições de Ilhabela por um grupo de velejadores para competir na RISW, além, dos novos HPE 25 e do futuro C-30), com tripulações “mais” profissionais e com destaque para equipes e veleiros patrocinados.

Na época, a percepção de muitos foi de que, a profissionalização, veio em detrimento dos tradicionais “antigos” veleiros e de seus velejadores de fim de semana. Velejadores que associavam a Semana de Vela com uma oportunidade de correr com seus veleiros de cruzeiro, falar só de vela e de se encontrar com seus amigos, conceito associado à Semana de Vela desde sua origem.

Contudo, profissionalizada, a Rolex Ilhabela Sailing Week fez com que a vela Brasileira se atualizasse rapidamente, tanto nos modelos de veleiros, quanto na qualidade técnica e física de suas equipes, contudo, já em 2014, sem o principal patrocinador, passou a se chamar “Ilhabela Sailing Week” que, ao adicionar ao nome o número da sua edição, passou a ser promovida naquele ano como “41ª Ilhabela Sailing Week”.

SailBrasil patrocinando equipe Aurora na Rolex Ilhabela Sailing Week 2011.
SailBrasil patrocinando equipe Quick (Farr ILC 40) na Rolex Ilhabela Sailing Week 2011.

Importante destacar que a grafia em inglês se justifica já que, a competição, passou a ser uma das principais do circuito mundial de vela, fazendo parte do calendário internacional de eventos da Federação Internacional de Vela (Isaf na época e, atualmente, World Sailing) e com presença de velejadores estrangeiros, principalmente argentinos, uruguaios e chilenos.

Em 2015, foi realizada a 42ª edição que, mesmo com a Copa do Mundo de Futebol sendo realizada no Brasil, muitos afirmam, foi uma das melhores até hoje.

Este ano, tivemos a 43ª Ilhabela Sailing Week que, dizem, foi ainda melhor… não por causa do vento dos primeiros dias, que foi muito fraco ou, do vento dos dias seguintes, que foi muito forte, mas, certamente, por ter recuperado a camaradagem e a alegria característica do evento original.

Golfinhos... muitos golfinhos...
Golfinhos… muitos golfinhos…

Agora que sabemos a sua história, fica a pergunta:

O que é realmente a Ilhabela Sailing Week ou Semana de Vela de Ilhabela?

Para responder a esta pergunta, uso a reprodução de um texto extraído do diário de bordo do Veleiro ORM, um Mariner Ranger 26 de 1983 – classe ¼ tonner, escrito durante a RISW 2013 que participava na classe RGS C3.

Neste relato, como na introdução, veremos muito do que se vive e se experimenta durante a Semana de vela:

Diário de Bordo Veleiro ORM – 09/07/2013, RISW 2013, Ilhabela – SP

Veleiro ORM na sua poita com a característica bandeira da Rolex Ilhabela Sailing Week em 2013.
Veleiro ORM na sua poita com a característica bandeira da Rolex Ilhabela Sailing Week em 2013.

Acordei após uma noite apreensiva já que, hoje, começaram as regatas da RISW.

Tomei café e fui para o YCI, parando para comprar os sanduíches para comer durante a regata. Chegando ao YCI fui direto ao barco prepará-lo antes da chegada dos tripulantes.

Todos chegaram e o Fabrizio então instalou o cabo de 6 mm aterrando todos instrumentos, enquanto trabalhávamos em algumas das coisas que ainda faltavam na nossa lista de pendências. Não preciso dizer que nos atrasamos um pouco.

O dia estava encoberto, garoando e ventando bastante confirmando as previsões de ventos leste de 17 nós, contudo, o que descobrimos ao chegar a raia, que ficava localizada a umas 6 milhas após a ponta das canas, em mar aberto, era que, além do vento de 17 nós com rajadas de mais de 20 nós, o mar estava também bastante picado, com ondas de 2 metros e com período das vagas de uns 6 segundos, além, é claro, de nublado e chovendo.

ORM adernado tentando chegar na raia a tempo da largada.
ORM adernado tentando chegar na raia a tempo da largada.

Subimos as velas naquela “chacoalhação” e barulho forte de velas planejando, tão conhecidos de quem já levantou velas em ventos fortes com ondas, aproado para o vento, com tudo batendo, o barco balançando de um lado para o outro e subindo na onda, para então, sem continuidade do movimento, descer batendo até que, com as velas levantadas e entrando no vento, tudo se estabiliza.

Saímos velejando rápido com o vento no través e, ao chegar na raia, percebemos que, devido à neblina, havíamos confundido a raia e estávamos na raia dos HPE e Star. Tentamos achar a outra raia na neblina e encontramos algumas velas no horizonte. O Fabrizio estava no leme no momento e, caçando a mestra, começamos uma orça com mar grande pela proa. Tínhamos a vantagem de nossa largada ser a terceira (C3), contudo, tínhamos uns 15 minutos para chegar na raia.

O barco subia as ondas e descia rápido, cortando as ondas que “lavavam” o deck. Peguei o leme e continuamos nesse ritmo louco para tentar chegar a tempo na raia. O barco estava com meio deck de sotavento debaixo da água, obviamente estávamos com “muito pano” e faltava peso na borda já que, a Genoa 1 estava armada naquele momento e esta era muito grande para a força do vento. Mesmo assim, fomos velejando o barco nessa loucura maravilhosa que, somente quem curte velejar forte, ou tem um parafuso a menos, grita de alegria.

Sentia o barco seguro, apesar da adernada e da força que tinha de fazer no leme para manter o rumo, contudo, sabia que isso era em decorrência do excesso de vela e não de um problema no veleiro. Nessa hora pensamos; mais tarde rizamos.

Chegamos na raia 1 minuto depois da nossa largada, ou seja, largamos em último, no meio da largada dos RGS-Cruiser. Não importa, estávamos na regata. Agora, era recuperar a distância e as posições e, para isso, caçamos mais ainda, contudo, o excesso de vela não se transformava em velocidade e sim em adernada e, com o barco em um ângulo de 240º graus, cortando as ondas que passavam por cima do deck, com toda a tripulação na borda e a mestra planejando para tirar um pouco a potência, fomos diminuindo a distância dos outros barcos que velejavam mais “ajuizados”.

Em comum acordo, decidimos que, com estas condições, deveríamos fazer o menor número de bordos, pois, cada bordo, exigia muito da tripulação que tinha de caçar as velas no bordo oposto, num vento muito forte, com o barco adernado, sem suporte nenhum, com tudo molhado e escorregando e batendo de um lado ao outro. Não dava tempo para rizar.

Fizemos três bordos para chegar à boia nestas condições e, então, decidimos por levantar o balão, coisa que, a maioria dos barcos, não fez, contudo, para recuperar posições, acreditávamos ter de ser mais ofensivos.

O Cristiano foi para a proa naquele sobe e desce de ondas, com o barco adernado, se segurando como podia, com água passando pelo deck na altura do tornozelo e montou o pau de spy. Então, no que montamos a boia com o barco surfando as ondas de 2 metros, o barco acelerou num través forçado e, quando entramos com o barco em popa, de imediato, percebemos que com estas condições não seria recomendável manter o balão já que, o barco estava muito instável com ondas levantando a popa e içando o veleiro de maneira que tinha de “brigar” com o leme para manter o veleiro no curso.

Guardamos o balão, já todo molhado pela água que corria o deck, baixamos o pau de spy e decidimos por uma “asa de pomba”, mantendo a mestra de um lado e a genoa do outro. Como estávamos com a Genoa 1, para o vento, era quase o mesmo que usar o balão, contudo, com maior controle.

Com o balançar do barco nas ondas e tentando orçar na subida e arribar na descida para aumentar a velocidade, o barco, balançava de um lado ao outro em um “descontrole controlado”, enchendo e esvaziando a genoa à medida que avançava rápido.

O barco estava no limite da velocidade do casco, acima de 6 nós e, mesmo assim, as ondas nos passavam levantando a popa para depois surfarmos a onda descendo com a proa e aumentando a velocidade em mais uns dois nós.

Apesar da concentração e apreensão com as manobras, todos estavam delirando de felicidade.

Então, chegou o momento de dar um jibe para ir rumo à boia. Organizamos tudo com calma, trazendo a vela grande para o meio, preparando o running-stay para o momento do bordo e cantei: 3, 2, 1, jaibe! Foi tudo perfeito, a mestra passou o centro e abri para o bordo oposto enquanto o running, já solto, abria com a retranca que o empurrava. A genoa foi passada para o outro bordo para continuar com a asa de pombo. O outro running também foi cassado, contudo, percebi que ainda estava solto e pedi ao Arturo que o cassasse para tencionar o running e dar suporte ao mastro. O que não percebemos no momento, dada a velocidade da manobra e às condições de vento e mar, é que o running, com toda a movimentação do bordo anterior, se enroscou por trás da cruzeta e, quando foi cassado, arrancou a cruzeta que se soltou com um estrondo.

Nisso, todo o mastro chacoalhou, vimos a cruzeta batendo de um lado ao outro no mastro e na vela. Imediatamente, por puro reflexo, joguei o veleiro ao vento, de frente para as ondas que o faziam subir e cair em um vazio, fazendo um estrondo de fibra batendo na água enquanto, o vento, planejava as velas mestra e genoa que faziam um grande barulho. Nisso o mastro balançava perigosamente, com perigo de quebrar.

Rapidamente, abri o tampo do motor, abri o respiro do tanque de combustível, liberei a ré que estava engatada para evitar com que o hélice ficasse girando e liguei a chave do motor que pegou na hora. Vantagem de veleiro pequeno em que tudo está a mão… Empurrei o manche avante e parecia que o veleiro não se movimentava. Acelerei até chegar a 2.600 RPM e, nesse instante, o veleiro estabilizou e começou a navegar.

Com rapidez, se segurando como podiam, mas em controle das velas e adriças, o Cristiano, o Arturo e o Fabrizio, baixaram a genoa e depois a mestra. Amarraram a genoa com os cabos que encontraram no deck e baixaram a mestra jogando para dentro da cabine. Contudo, o mastro ainda balançava de um lado para o outro com as ondas batendo de frente e de lado com perigo iminente de quebrar.

Outros veleiros da RGS-A, que já haviam completado mais uma montagem de boia, surgiram rápido com o balão no topo, em rumo de colisão e tive de mudar o meu rumo pois tinha de tirar o veleiro da frente de quem estava ainda em regata, descendo rápido com balão. Nisso, as ondas começaram a bater no costado que, ao se chocarem, jogavam o veleiro de um lado para o outro e faziam jorrar uma chuva de água salgada sobre o veleiro e sobre nós.

Baixamos a mestra e "jogamos" dentro da cabine enquanto a, como se vê na foto, a cruzeta "vôa" de um lado ao outro e bate no mastro.
Baixamos a mestra e “jogamos” dentro da cabine enquanto a, como se vê na foto, a cruzeta “vôa” de um lado ao outro e bate no mastro.

O mastro, nessa manobra defensiva, realmente balançava, contudo, não quebrou, acredito, por causa dos running-stays que havíamos tensionado para dar suporte ao mastro. Contudo, o topo, já que o mastro é um 7/8, pendia de um lado ao outro enquanto, a cruzeta quebrada, batia com força no mastro.

Conseguimos laçar a cruzeta com a adriça do balão e mantê-la longe do mastro. Isso nos deu tranquilidade para soltar a adriça da mestra e amarra-la ao guardamancebo do lado da cruzeta quebrada dando, finalmente, estabilidade ao mastro.

Avisamos então a CR por rádio “CR, CR, CR, veleiro ORM chamando” e, ao responderem nosso chamado, informamos: “Aqui veleiro ORM informando abandono da regata por avaria, quatro pessoas a bordo, nenhum tripulante machucado, rumando para o YCI, copia? ”. A CR respondeu: “OK ORM; recebido; boa chegada à marina” o que nos tocou rumar para o YCI, desviando de veleiros, embaixo de chuva e com frio, depois da descarga de adrenalina.

No caminho, encontramos o Fast 230 de nome Xiliqui que velejava sob vela de fortuna pois o mastro havia quebrado. Ficamos sabendo que o Eolo, um Fast 310, também havia quebrado o mastro e que o veleiro S-40 do Torben Grael, também havia quebrado o seu mastro de carbono em pedaços.

Reparos na cruzeta do ORM.
Reparos na cruzeta do ORM.

Entrei direto no piscinão do YCI, sob a reclamação e gritos dos marinheiros do iate clube, para parar em uma vaga dos Star, próximo a van do Telesmar, que imediatamente conversou com o gerente do YCI pedindo para liberar o veleiro na vaga por uma hora, tempo que ele precisava para subir no mastro e rebitar tudo novamente. O que fez com maestria, sob o olhar do Lars Grael, que chegava de Star e parava na vaga ao lado. Terminado o serviço, pedi para que ajustasse os brandais e alinhasse o mastro para que tudo estivesse pronto para as regatas do dia seguinte.

Tudo OK, levamos o veleiro e amarramos na poita. Limpamos e organizamos tudo pois, amanhã, diferente dos outros veleiros que também quebraram o mastro ou tiveram avarias graves, o ORM, continua na regata. Marquei com a tripulação às 9:00 hs do dia seguinte para checar tudo antes da próxima regata.

 

Veleiro ORM em dia de treino antes do início da Semana de Vela 2013.
Veleiro ORM em dia de treino antes do início da Semana de Vela 2013.

 

Vídeo: Largada rápida. Tripulação: Fabrizio, Arturo, Cristiano e Max.

Diário de Bordo Veleiro ORM – 10/07/2013, RISW 2013, Ilhabela – SP


Hoje tivemos na RISW 2013, uma regata diferente; participamos do Percurso 4, uma regata de percurso com partida próxima da Ponta da Armação, montando por bombordo uma boia nas proximidades da Ponta Grossa (S23 46.542, W45 11.926), rumo à Ilha de Buzios e chegada entre o Farol de Ponta das Canas e a embarcação de CR. Com aproximadamente 16 milhas náuticas, foi a opção de percurso para aproveitar o vento leste de 12 a 15 nós.

Largamos perto da juría, junto com todos os outros barcos da classe da RGS (A, B, C e Cruiser), numa gritaria de pedido de passagem e demais “nomes próprios” e alusões as profissões das mães dos comandantes, normais em largadas de regatas.

O dia estava perfeito, com sol, mas com vento e temperatura frescas. Partimos abrindo para fora da Ilhabela enquanto a maioria partiu em direção a ilha. A ideia era pegar o vento limpo que teríamos mais para fora. Andamos bem, contudo, o veleiro não orçava e fomos ficando para trás.

Somente a mais ou menos ¼ da regata, testando regulagens das velas genoa 1 e mestra, conseguimos encontrar a melhor regulagem para o ponto de orça. Como as velas novas são pré-moldadas (Olympic Sails de Carbo), acreditávamos que o chape conseguido com a regulagem que fazíamos com as velas de Dacrom antigas seria suficiente. Não era. Estas velas precisam ser cassadas ao máximo para adquirirem seu chape ideal e a mestra não precisa de muito back-stay, pois, a tala full-batten do topo, já enverga o top do mastro. A valuma, conseguimos abrir trazendo o traveller para depois do ponto central do barco, a barlavento.

Aguardando a largada.
Aguardando a largada.

Com isso, conseguimos aumentar o ponto de orça e a velocidade o que nos fez, depois de 1 hora, ultrapassar dois dos veleiros que estavam a nossa frente. A alegria não foi tanto por ter passado os veleiros, mas por ter entendido como ajustar as velas para tirar delas o máximo desempenho e conseguir orçar para um ponto mais alto, coisa que não tínhamos conseguindo fazer. Não tem jeito, é a terceira regata com estas velas e aprendemos que temos de treinar, treinar muito, pois não reconhecemos mais o barco.

Ainda tínhamos um veleiro para alcançar; um veleiro de 30 pés que ia longe, contudo, que perseguimos com nosso novo conhecimento e que quase alcançamos na montagem da boia na Ponta Grossa, montando a apenas uns 10 barcos de distância.

Subimos o balão e começou a perseguição. Eles tiveram problemas no balão e precisaram descê-lo para montar novamente, o que nos colocou mais próximos. Mantivemos a distância por 1 hora, mesmo eles sendo mais rápidos, numa excelente balonada do Fabrizio, contudo, optamos por não manter a marcação até a chegada, já que, achávamos, o vento estava mais forte perto da costa, onde, os veleiros C-30 e ORC estavam passando vindos de Búzios.

Erro nosso. Deveríamos ter marcado o outro veleiro que era da nossa classe, com afinco, pois, no final, ele se distanciou enquanto tivemos de realizar vários jibes e velejar mais orçados para conseguir velocidade em um ziguezague que nos custou a posição… não acho que nosso TMF ajude a compensar a distância (tempo corrigido) em que estávamos atrás quando cruzamos a linha de chegada. Vamos aguardar amanhã a divulgação dos resultados.

De qualquer maneira, foi uma velejada magnífica, com vento forte até a metade da regata e fracos, mas constantes, até o final.

Como fizemos a costa norte da Ilhabela, a vista foi maravilhosa, com prainhas isoladas onde vivem apenas os caiçaras, encostas rochosas encobertas por um verde variado e exuberante.

Esta regata deveria ser obrigatória em todas as RISW futuras, pois, mais que uma regata, é um passeio estupendo! Amanhã, além de saber o resultado, teremos regatas barla-sota. Agora, com um pouco mais conhecimento e experiência em como ajustar este barco, podemos melhorar muito.

Fim dos relatos do meu diário de bordo…

Finalizando

Como escrevi no início deste texto, a Semana de Vela é tanto uma lição de vida quanto uma lição de vela, onde vivenciamos por uma semana um pouco de tudo que o estilo de vida da vela e do mar nos propicia, embalado em um ambiente paradisíaco.

Espero ter conseguido descrever a maravilhosa sensação de se participar de uma Semana de Vela.

Contudo, gostaria de pedir nos comentários sua participação, descrevendo parte da sua experiência com a Semana de Vela de Ilhabela. Contribua. Sabemos que no Brasil, tudo se perde ou se esquece… deixe seu registro particular para que este não se perda na memória e para ilustrar o mais importante campeonato da vela brasileira.

 

Bons ventos!

 

Max Gorissen

Velejador e editor da SailBrasil.com.br

 

OBS: Gostaria de iniciar com este artigo, um registro visual histórico das diferentes premiações distribuídas na Semana de Vela desde sua origem.

Participe enviando uma foto das medalhas que ganhou.

Para participar, apenas envie um e-mail com a foto da medalha, troféu, flâmula, outro para contato@sailbrasil.com.br informando o autor da foto e uma descrição da premiação, veleiro e tripulação. Subiremos a foto com autoria neste espaço.

Medalha Semana de Vela 2006
Medalha Semana Internacional de Vela de Ilhabela 2006 – Veleiro Cabeça Feita – Bico-de-proa – Tripulação: Luiz Sayeg, Marco Landi, Fernando Perez, Odoardo, Marco Antônio Castello, Max Gorissen, …
Medalha RISW 2006
Medalha RISW 2008 – Veleiro Cabeça Feita – Bico-de-proa – Tripulação: Luiz Sayeg, Fernando Perez, Odoardo, Marco Antônio Castello, Max Gorissen, Jacques Chourik, …

Os nomes Semana de Vela de Ilhabela, Ilhabela Sailing Week, seus logos e design das medalhas são de propriedade e possuem Copyright do YCI – Yacht Clube de Ilhabela. Todos os direitos reservados. Maiores informações: http://svilhabela.com.br ou http://www.yci.com.br


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