Não marque bobeira, faça uma instalação profissional para o seu fogão a gás!

Tem serviços no mundo náutico que imaginamos sejam complexos e difíceis, contudo, depois de pesquisar e encontrar a pessoa certa, é simples, fácil e acessível.

Foi o caso da instalação do fogão a gás do Gaia 1.

Tudo começou no dia em que fui inspecionar o Gaia 1 antes de comprar e olhei a tubulação que passava por dentro do veleiro. Estava coberto de zinabre… esclarecendo; Zinabre é um Hidrocarboneto de cobre, de cor verde, “dizem venenoso”, que se forma na superfície do cobre ou latão quando em contato com a umidade do ar … coisa que não falta em um veleiro!

Bom, o tubo de gás do meu veleiro estava coberto de zinabre… por isso, foi direto para

Tubo de gás coberto de zinabre... Alerta? - Foto: Max Gorissen
Tubo de gás coberto de zinabre… Alerta? – Foto: Max Gorissen

a lista de “Coisas identificadas a se fazer se eu comprar o veleiro” com o número 15) Revisar o fogão, a tubulação e a instalação de gás.

Eu gosto do “se eu comprar” que coloquei na frase “Coisas identificadas a se fazer se eu comprar o veleiro” … Hilário! … Como se já não houvesse comprado o veleiro no momento em que vi a foto dele na internet … no matter what! … apesar de que, se alguém tivesse olhado minha lista que no final continha 47 itens de “coisas” por fazer, afirmaria, que estava louco em comprar… bom, isso não tem nada a ver com esta história.

De qualquer maneira, ainda durante a inspeção, fiquei ainda mais preocupado quando vi que não tinha a Válvula Reguladora de Pressão de Gás e o botijão estava desconectado e bem enferrujado dentro de um saco plástico… Num veleiro com fogão, só o fato de não ter a válvula, já levanta um alerta.

É importante destacar de que havia lido em algum artigo que o gás de cozinha GLP, Gás Liquefeito de Petróleo (GLP = Butano + Propano), tem uma característica preocupante: É mais pesado do que o ar. Isso, em uma casa, não constitui um problema … arejou, ele vai embora … contudo, em um veleiro, que tem por objetivo ser hermético e estanque, sem nenhum tipo de abertura para que o gás saia por baixo, qualquer gás que vaza fica armazenado no porão. Não tem como sair … motivo pelo qual se escuta a cada tanto relato de acidentes do tipo explosão ou morte por sufocamento.

Veja no vídeo abaixo o que acontece com um veleiro quando um vazamento de gás explode.

Instalação de gás, na minha opinião, é serviço para ser realizado por profissionais!

No canto superior esquerdo, ponta do tubo de gás sem mangueira. Reparem que no fundo do compartimento de gás existe um orifício, ligado a tubo ,que leva, em caso de vazamento, o gás para fora do veleiro. - Foto: Max Gorissen
No canto superior esquerdo, ponta do tubo de gás sem mangueira. Reparem que no fundo do compartimento de gás existe um orifício, ligado a uma mangueira, que leva, em caso de vazamento, o gás para fora do veleiro. – Foto: Max Gorissen
Ponta do tubo que sai no compartimento metálico onde o fogão é instalado. Veja que, em ambas fotos, o tudo de gás não possui o flangeado obrigatório para vedar ao ser parafusado o adaptador. - Foto: Max Gorissen
Ponta do tubo que sai no compartimento metálico onde o fogão é instalado. Veja que, em ambas fotos, o tubo de gás não possui o flangeado obrigatório para vedar ao ser parafusado o adaptador. – Foto: Max Gorissen

E aqui começa minha saga… primeiro no ICRJ, onde procurei sem sucesso algum prestador de serviço que saiba pelo menos alguma coisa sobre gás para realizar uma inspeção. É incrível imaginar que, com tantas embarcações que usam fogão a gás, não tenha ninguém que saiba e que possa prestar este serviço nas marinas. Ou será que ninguém nunca verificou sua instalação de gás? Pode ser …

Dois meses depois, viajamos do Rio de Janeiro até Santos sem usar o fogão, o que não foi um problema, conforme relato da viagem publicado na SailBrasil Vida de Cruzeiro.

Em Santos, procurei também um especialista em instalação de gás para fogão em embarcações, também sem sucesso. Pesquisei, conversai com marinheiros, prestadores de serviço de todo tipo, donos de embarcações, perguntei nas mídias sociais e nada de profissional especializado em gás para embarcações. Falei com dois instaladores residenciais indicados por amigos do Facebook, que me disseram que nunca instalaram gás em embarcações … então, na minha cabeça, sem experiência, não entra no meu veleiro!

Comecei a buscar informações em livros e encontrei como realizar a instalação no livro: Essential Boat Maintenance – A Comprehensive Guide to Boat Improvement, Reffiting and Repair dos autores Pat Manley e Rupert Holmes.

Neste livro, fica fácil entender todo o processo e os componentes necessários (ele usa muitas fotografias :)..) … então, cheio de confiança pensei; se não achei nenhum prestador de serviço para realizar a troca da tubulação de gás, farei eu mesmo!

Contudo, duas preocupações; 1) Garantir que a instalação seja segura e que não tenha

Passagem do tubo de cobre pelas anteparas. - Foto: Max Gorissen
Passagem do tubo de cobre pelas anteparas. – Foto: Max Gorissen

a mínima chance de vazamento (o que pode causar explosão ou sufocamento), e; 2) o tubo atual de cobre está fixado no casco com fibra de vidro a cada 30 cm (importantíssimo para evitar que o mesmo se dobre) … imaginei o trabalhão e a sujeira, sem contar o malabarismo de entrar no porão e nos locais restritos por onde passa a tubulação e ter de fazer as dobras do tubo sem quebrar ou obstruir o mesmo.

Mesmo assim, fui procurar um lugar para comprar os 10 metros contínuos de tubo de cobre que calculei precisaria para realizar a troca do tubo atual e os devidos conectores… foi ainda mais difícil que encontrar um prestador de serviço! Sem contar que, durante todo o processo, me lembrava do possível problema de segurança e do trabalhão que daria retirar o tubo atual e instalar o novo … só de pensar na suadeira, já desanimava!

Interruptor de passagem ao lado do fogão para caso de emergência. Lado de dentro. Do lado de fora somente uma manivela. - Foto: Max Gorissen
Interruptor de passagem ao lado do fogão para caso de emergência. Lado de dentro. Do lado de fora somente uma manivela. – Foto: Max Gorissen
Curva da tubulação de gás. - Foto: Max Gorissen
Curva da tubulação de gás. – Foto: Max Gorissen

 

 

Foi então que visitei uma empresa de instalação de gás residencial que me recomendaram, mostrei a instalação de gás atual, junto com fotos do tubo verde que parecia podre e, com toda a simplicidade da experiência, o proprietário, segunda geração de uma família com mais de 40 anos realizando instalação de gás em todo o Guarujá, me disse que a instalação parecia perfeita e que o zinabre, provavelmente, protegeu a tubulação da corrosão durante todos esses anos.

Após meses de preocupação e estudo de como realizar a troca da tubulação de gás, percebi que não analisei e estudei o básico: a característica do zinabre de criar uma camada que protege a tubulação de cobre da sua própria oxidação … contratei o Sr. Edelício Santana (Tel. 13-3386-4849), dono da empresa de conserto e instalação de fogões, venda de peças e instalação de gás, na hora!

Passagem da tubulação de gás por trás do compressor da geladeira. Tubo pintado de branco ao centro. - Foto: Max Gorissen
Passagem da tubulação de gás por trás do compressor da geladeira. Tubo pintado de branco ao centro. – Foto: Max Gorissen
Passagem do tubo de cobre com curva e laminação no casco. Dá para ver bem o zinabre. - Foto: Max Gorissen
Passagem do tubo de cobre com curva e laminação no casco. Dá para ver bem o zinabre. – Foto: Max Gorissen

No mesmo dia ele foi e fez o orçamento e, como é de se esperar no mercado náutico, minha tubulação, apesar de perfeita, tendo sido instalada na Argentina nos anos 80, tinha o diâmetro menor do que o padrão brasileiro de 3/8”, o que fez com que ele tivesse de adquirir os conectores para minha tubulação … no problem … só demorou outra semana para, de pose das peças, conseguir realizar a instalação.

Lembram que estava preocupado durante a inspeção de que a instalação não tinha válvula? Explicado. Diferença na tubulação e nas peças originais argentinas verso as atuais brasileiras… o dono anterior usava o veleiro para regatas e não se preocupou em ir atrás das peças no padrão argentino… até nisso Brasil e a Argentina não coincidem!

Conexão com flangeado, terminais e tubulação flexível de cobre que conecta ao fogão. - Foto: Max Gorissen
Conexão com flangeado, terminais e tubulação flexível de cobre que conecta ao fogão. – Foto: Max Gorissen
É o mesmo da foto anterior visto de frente com reflexo no fogão de inox a direita e da parede de proteção de metal com enamel a esquerda. - Foto: Max Gorissen
É o mesmo da foto anterior visto de frente com reflexo no fogão de inox a direita e da parede de proteção de metal com enamel a esquerda. – Foto: Max Gorissen

Tudo foi revisado e os terminais adequados prensados, instalamos mangueiras flexíveis revestidas de cobre, com a válvula reguladora de pressão de gás instalada na horizontal para permitir usar botijões de 5 litros com “pé” (alguns botijões tem um anel soldado na parte inferior o que faz com que o botijão fique alto e se a válvula estiver na vertical, não fecha a tampa do reservatório do gás). Trabalho profissional!

Nova instalação com botijão de gás e medidor na horizontal. - Foto: Max Gorissen
Nova instalação para o botijão de gás com a válvula reguladora de pressão na horizontal. – Foto: Max Gorissen
Outro ângulo da mesma instalação mostrando todos os componentes que fazem com que esta instalação seja segura. - Foto: Max Gorissen
Outro ângulo da mesma instalação mostrando todos os componentes que fazem com que esta instalação seja segura. – Foto: Max Gorissen

Então, no mesmo dia, saímos para velejar e, às 13:00 hs, ancorados em frente à praia no Sangava (frente ao Clube de Pesca de Santos), fizemos nosso primeiro almoço; duas lasanhas ao forno!

Cafezinho saindo! - Foto: Max Gorissen
Cafezinho saindo! – Foto: Max Gorissen

Então, para finalizar, um dos maiores prazeres daqueles que apreciam um bom almoço; um cafezinho… simples, fácil e acessível.

Bons ventos!

Max Gorissen


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