O que fazer para armazenar e voltar a conduzir carros clássicos parados por longos períodos.

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Por: Max Gorissen

Quem possui sabe que armazenar um carro clássico pode ser complicado.

O fato é que, a paixão e a vontade de possuir carros clássicos nunca condizem, salvo raras exceções, com a quantidade de vagas de garagem que temos para guardá-los.

Por isso, vivemos o eterno dilema de “onde guardá-los” que consequentemente gera um segundo dilema; “quando dirigi-los”.

Este último, como bem sabem, tem feito com que muitos clássicos passem longos períodos parados, em muitos casos abandonados, o que prejudica vários componentes mecânicos fazendo com que fiquem mais tempo parados…

Uma das soluções é encontrar uma garagem de carros especializada. Notem que me refiro a “garagem” e não a “estacionamento” de carros, desses que abundam nas cidades Brasileiras e que, na maioria das vezes, são apenas terrenos baldios, de terra batida coberta com uma fina camada de pedra ou cimento, com algum tipo de cobertura imprópria para tal, cuidado na maioria das vezes por um ignorante, que também é o manobrista.

Desculpem a “cruel descrição” de onde a maioria das pessoas é obrigada a guardar seu clássico, contudo, ainda tenho a acrescentar que, infelizmente, no Brasil, parece que as pessoas ainda não entenderam a importância de termos garagens especializadas e, por esse motivo, existem poucas. Mesmo nos Estados Unidos, são raras, contudo, na Europa, não há nenhuma dificuldade em encontrar instalações adequadas para armazenar um carro clássico. Faça uma pesquisa na internet com as palavras “Classic Car Storage” e vai entender o que digo.

Apenas para esclarecer, “Garagens Especializadas” são aquelas que possuem a maioria destas características: um espaço claro, limpo e arejado, construído de forma a não permitir que a umidade do solo/ambiente chegue aos carros, coberto com um teto adequado que não permita entrada de água e excesso de calor ou pó/poluição, onde os carros são estacionados em vagas grandes o suficiente para um não bater um no outro, cobertos com capas de tecido e não de plástico, onde a temperatura e umidade ambiente são monitoradas, onde existe um sistema de monitoramento e segurança 24 horas, área e ferramentas para realizar pequenos reparos, armário guarda “tralhas” (onde podem ser guardadas as peças e componentes de extrema utilidade que acumulamos e nunca usamos), onde os automóveis são conservados impecavelmente limpos, os pneus são calibrados periodicamente, os motores são colocados em funcionamento, as baterias são mantidas carregadas e, aí já é demais, com entrega e retirada programada de veículos…

Agora, de volta a nossa realidade; como é raro ter no Brasil um lugar tão completo assim, devemos tomar algumas ações para armazenar nossos clássicos com um mínimo de cuidado, evitando com isso, problemas quando quisermos sair para um passeio.

Não tenho a pretensão de descrever todas as medidas possíveis, apenas algumas que identifiquei serem as mais importantes ao estudar opções de armazenagem para meu Jaguar XJ6 1974. Por sorte, não precisei me preocupar muito com elas já que possuo uma garagem adequada e consigo sair com meu carro praticamente todos os dias. Esta talvez seja uma das vantagens de ter apenas um clássico.

Contudo, se você é obrigado a deixar seu clássico parado por um período de mais de 60 dias, siga estas dicas:

 

Dicas para preparar seu clássico para ser armazenado por longos períodos:

 

  1. Encha o tanque de combustível: Tenha certeza de que seu tanque de combustível está cheio. Se fizer isso, reduzirá a quantidade de água na gasolina produzida pela condensação. Use um aditivo para gasolina e assegure que este esteja bem misturado. Ligue o carro durante alguns minutos para ter certeza que o aditivo passou por todo o sistema de combustível.

 

  1. Use aditivo na água do radiador: No Brasil, não temos o problema de invernos gelados como em muitos países, contudo, mesmo assim, é importante adicionar um aditivo a água do radiador já que possuem na sua fórmula, inibidores de corrosão que ajudam a proteger e lubrificar o sistema de refrigeração do motor. Uma mistura composta por 50% de aditivo e 50% de água é suficiente. Novamente, tenha certeza de ligar seu carro para permitir que o aditivo/ água se misturem e percorram todo o sistema. Cuidado para não misturar aditivos de fabricantes ou de características diferentes o que pode provocar uma reação química indesejada.

 

  1. Troque o óleo do motor: O óleo “sujo” é normalmente contaminado com ácidos, resíduos e, algumas vezes, até água que podem causar falhas e ferrugem dentro do motor. Se o carro ficar parado por um longo período de tempo, remova as velas e injete pela abertura das velas um pouco de óleo lubrificante nos cilindros. Isto ajudará a evitar que os anéis do pistão enferrujem e fiquem aderidos às paredes do cilindro. Ao final, coloque as velas novamente. Troque também o óleo do câmbio.

 

  1. Cheque o reservatório de fluido do freio: Tenha certeza de que o reservatório do óleo do freio esta cheio de fluido de freio. Se necessário, complete e sangre o freio. De qualquer maneira, é recomendado purgar o sistema anualmente trocando o fluido que possivelmente está contaminado por impurezas. Faça o mesmo, se disponível, com o óleo da direção hidráulica.

 

  1. Borrife lubrificante no compartimento do motor: Para inibir a ferrugem nas peças que estão localizadas dentro do compartimento do motor, use um spray lubrificante do tipo WD40 para cobrir todas as superfícies de metal exposto. O óleo lubrificante borrifado, logo irá evaporar, deixando um filme protetor nas abraçadeiras, parafusos e peças de metal em geral.

 

  1. Lave o carro e aplique uma boa cera: Não se esqueça de limpar o interior e de passar algum produto que evite a criação de mofo nos bancos e forrações, principalmente se forem de couro.

 

  1. Deixe a capota conversível aberta: Se seu carro for conversível e tiver uma capota de vinil ou outro material, deixe a capota aberta e as janelas fechadas. As capotas de vinil podem desenvolver manchas e odores horríveis quando dobrados e guardados por longos períodos. Trate o Vinil com Silicone ou produto semelhante. As janelas fechadas evitam que pequenas “criaturas”, sujeira e pó entrem no carro. Você pode também utilizar um produto desumidificador, contudo, lembre-se de trocá-lo regularmente, pois, apesar de que sua função seja a de absorver a água do ambiente, este também a acumula no seu reservatório.

 

  1. Assegure-se de que o porta-malas e o interior estejam limpos e secos: Todos que tem carro clássico sabem que a vedação das portas e do porta-malas nunca funciona 100%, permitindo a entrada de alguma umidade (para não dizer uma enxurrada de água) que, se não for secado regularmente, com a falta de arejamento, irá formar mofo, bolor e cheiros desagradáveis. Novamente, você pode utilizar um produto desumidificador e seguir as recomendações acima.

 

  1. Dirija seu clássico por pelo menos 30 minutos antes de armazenar: Isto serve para evaporar toda a umidade do escapamento e do motor, sem contar daqueles lugares impossíveis de se ver. Encher os pneus acima do recomendado pode ajudar a evitar danificar a banda dos pneus. Desconecte a bateria.

 

  1. Visite seu clássico regularmente: A melhor coisa a se fazer com um clássico que está armazenado é visitá-lo pelo menos uma vez por mês e, se possível, fazer um pequeno passeio. Isto o manterá em boa forma, prevenindo as peças de corroer e as juntas de secar. No mínimo, peça para alguém dar uma atenção periódica. Se você cobrir o carro com uma capa ou lona, certifique-se de que esta seja de um material adequado e não plástico, pois este último, não permite a condensação e segura à umidade. Se você achar que o chão de concreto “transpira”, coloque um plástico em baixo do carro para evitar que a condensação alcance o assoalho e o compartimento do motor.

 

Dicas para sair com um Carro Clássico armazenado por longo período:

Se você está na fase do “Finalmente vou dirigir meu clássico novamente!”, é bom que antes de ligar o carro, tome algumas medidas para assegurar que ele não vai quebrar na esquina.

1- Drene e troque a gasolina do tanque, do carburador e das mangueiras de combustível: Sei que pode parecer um terrível desperdício, principalmente se você tem dois tanques de 45 litros como no meu Jaguar, mas, como diz o ditado, gasolina ruim é que nem cachaça barata, só dá dor de cabeça. Se isso não é suficiente para convencê-lo, pense no seguinte, se por alguma razão o carro não ligar de primeira, quanto mais causas potenciais você já tiver eliminado, mais rápido pode achar a verdadeira causa do problema e sair para curtir o passeio!

2- Drene e troque a água e o aditivo do sistema de arrefecimento do motor: Se você seguiu as “dicas” para armazenar descritas anteriormente, deve ter trocado a água e o aditivo ao armazenar seu clássico, há apenas uns meses, contudo, da mesma maneira que o aditivo contém inibidores de corrosão para proteger o sistema contra ferrugem, estes inibidores também consomem a ferrugem deixando partículas em suspensão que podem causar um entupimento e, com isso, aumento da temperatura do motor. Na troca, use novamente a mistura composta por 50% de aditivo e 50% de água.

3- Troque o óleo do motor: O óleo que fica dentro de um motor por um longo período, pode estar contaminado com ácidos, resíduos e, algumas vezes, até água que podem provocar ferrugem. Aja preventivamente e já que vai trocar o óleo, troque também o filtro.

4-  Instale uma nova bateria ou recarregue a velha: Este é um procedimento básico que não requer maiores explicações.

5-  Injete óleo lubrificante nos cilindros antes de dar a partida: Se o carro ficar parado por um longo período de tempo, remova as velas e injete pela abertura das velas um pouco de óleo lubrificante direto nos cilindros. Isto ajudará a evitar que os anéis do pistão, que podem estar enferrujados e aderiram às paredes do cilindro, causem problemas mais graves.

6- Sangre o óleo dos freios: Verifique se há vazamento. Se possível, troque o fluido dos freios. Certifique-se de que o reservatório do óleo do freio está cheio. Verifique também o freio de mão; você não vai querer que seu clássico acabe numa árvore!

7-  Ligue o motor sem as velas: Com as velas de ignição removidas, ligue o motor fazendo com que o mesmo gire algumas vezes. O objetivo é permitir que aquele óleo que você pôs nos cilindros lubrifique as paredes do cilindro, evitando arranhar as camisas. Além disso, você quer que a bomba de óleo e de combustível faça seu serviço e lubrifiquem todo o sistema antes de o motor ligar por primeira vez.

8- Coloque um pouco de combustível direto nos carburadores: Após instalar novamente as velas de ignição e colocar os cabos na sequência correta, remova a tampa do filtro de ar e coloque um pouco de combustível direto no(s) carburador. Isso irá aumentar a probabilidade do carro dar partida na primeira tentativa.

 

9-  Sente-se ao volante e garanta que está tudo em ordem: Certifique-se que a marcha não esteja engatada, que a embreagem e o acelerador não estejam emperradas, verifique os indicadores de gasolina, óleo e temperatura e ligue o carro. Com muita sorte, muita mesmo, você terá seu trabalho retribuído com o ronco do motor!

10-  Não acelere em excesso: Deixe o motor aquecer em baixa rotação. Evite fortes aceleradas. Enquanto aquece, verifique se não existem vazamentos debaixo do carro, verifique se os freios funcionam e se os indicadores do painel mostram que está tudo em ordem.  Dirija pelo bairro por uns 15 minutos e volte a checar se existem vazamentos.

 

Espero que tudo dê certo e que possa aproveitar o passeio.


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