Jaguar XJ12C by Broadspeed

Broadspeed Jaguar XJ12C small

Por: Max Gorissen

Em 1957, após vários anos de vitórias nas pistas de corridas com carros que vão do Jaguar SS100, XK120, C-Type, Mark II ao D-Type, a Jaguar precisava de um novo carro para continuar competitiva nas corridas e decidiu retirar-se das competições durante todo o ano de 1957 para projetar e construir um novo carro para a temporada de 1958.

Contudo, em 12 de fevereiro de 1957, um incêndio destruiu a fábrica da Jaguar em Browns Lane e todos os esforços e investimentos tiveram de ser canalizados para a reconstrução e a retomada da produção o mais rápido possível.

Por este motivo, a Jaguar ficou fora das competições de 1957 até 1973, quando, após ser incorporada com outras marcas de carros Ingleses (que também passavam por problemas financeiros) como parte da British Leyland Cars Company, a Jaguar e a Leyland chegaram à conclusão de que uma volta triunfal às corridas de automóveis iria criar uma melhora na imagem dos seus carros e, como consequência, aumentar as vendas.

Como a British Leyland estava no comando, contrário ao desejo de Sir. William Lyons (fundador da Jaguar), esta optou por terceirizar o gerenciamento da sua equipe de corridas.

Ralph Broad, da Broadspeed foi escolhido para assumir o desenvolvimento da nova equipe de corridas (ele já era responsável por outro carro de corrida da Leyland, o Triumph Dolomite). Ralph tinha a certeza de que podia desenvolver o Jaguar XJ, carro de luxo da Jaguar, em vez do recém lançado esportivo XJS que viria a substituir o E-Type, para atuar como um carro de corrida e vencer o European Touring Car Championship. Para isso, pretendia utilizar o poderoso motor da Jaguar de 12 cilindros (aumentado a capacidade de 5.343 cc para 5.416cc) junto com o chassi do modelo XJC, sendo o C de Coupé, a versão esportiva de duas portas do Jaguar XJ6/12 introduzido em 1974.

Desta maneira, o desenvolvimento do carro, que iniciou em 1975, foi somente apresentado em março de 1976 com o nome de XJ12C Broadspeed.

Para atender ao regulamento estabelecido pela FIA para o European Touring Car Championship, os carros foram substancialmente modificados por Ralph Broad.

Apesar de a British Leyland ter prometido a estreia do XJ12C em uma corrida do campeonato que ocorreria na páscoa de 1976 (Abril), durante os testes do carro, houve vários problemas grave entre eles, três motores destruídos e um dos carros batido durante testes devido a uma roda que simplesmente “quebrou”.

A primeira corrida do XJ12C somente viria a ocorrer em setembro de 1976, na rodada do Tourist Trophy em Silverstone. O carro foi dirigido por Derek Bell (o outro piloto da temporada era David Hobbs) que já na qualificação ficou na primeira posição com o tempo de 1 minuto e 36,72 segundos (mais rápido que as BMWs) e durante a corrida se manteve em primeiro lugar durante as primeiras 9 voltas quando as condições de dirigibilidade começaram a se deteriorar devido a problemas de pneus (foram misturados por engano pneus de diferentes lotes). Em determinado momento, um pneu estourou e o carro em reparos perdeu 5 voltas. Apesar de ter voltado à corrida, os problemas com pneus continuaram e, vinte voltas depois, teve de parar devido a perda de uma roda. Apesar destes problemas, o Jaguar XJ12C Broadspeed conseguiu bater o recorde da volta mais rápida do circuito completando o mesmo em 1 minuto e 38,50 segundos.

Infelizmente, a primeira corrida deu o tom do que ocorreria nas seguintes e, apesar de sempre ser um carro muito rápido, que realizava corridas espetaculares, normalmente abandonava por motivos mecânicos.

Mesmo quando não abandonava devido a problemas mecânicos, não conseguia um bom resultado. Seu melhor resultado foi um segundo lugar em Nürburgring, em 1977, com o carro dirigido por Derek Bell and Andy Rouse (os outros pilotos da temporada de 1977 eram John Fitzpatrick e Tim Schenken).

Estes resultados pífios levaram a British Leyland a cancelar o projeto para a temporada de 1978, apesar da convicção de Ralph Broad de que com um pouco mais de desenvolvimento, o carro certamente seria campeão.

Realisticamente, os carros precisavam ainda de “muito” desenvolvimento, eram muito pesados e seu consumo era pouco eficiente.

Relatos atestam que os XJ12C Broadspeed nas corridas sempre deram um grande espetáculo e acrescentaram uma pitada de “emoção” aos eventos em que participaram. O público presente nas corridas, fanático pela marca, ansiava por vitórias que infelizmente nunca ocorreram.

Broadspeed na curva

Destaco algumas curiosidades:

  • Inicialmente, foi utilizado o sistema de lubrificação através de wet-sump, contudo este foi trocado praticamente no final da temporada de 1977 pelo sistema de lubrificação tipo dry-sump. Menciono isto, pois, além de pequenos problemas de transmissão, freios, suspenção e caixa de cambio entre outros, o maior problema registrado neste carro sempre foi a quebra dos motores por falta de óleo. Quando trocaram por dry-sump, já era muito tarde e, por este motivo, muitos acreditam até hoje que o carro teria sido um sucesso se não tivessem encerrado o programa.
  • Outra peculiaridade deste projeto foi ter os carros foram totalmente preparados pela Broadspeed, sem participação alguma da fábrica/pessoal da Jaguar, o que causou certas controvérsias.
  • A suspenção, extremamente complexa, é considerada uma obra de arte é muito difícil de recriar (por este motivo, até mesmo as réplicas dos XJ12C Broadspeed são feitas com a suspenção do carro de produção).
  • Devido á frente do carro ser fabricada com uma estrutura tubular, as rodas foram feitas de alumínio (inovação na época).
  • Os freios, que originalmente deveriam ser refrigerados a água, somente foram testados, mas nunca chegaram a ser utilizados em corridas já que a FIA nunca autorizou o uso dos mesmos. Este foi mais um dos problemas encontrados pela equipe que tinha um carro muito potente e pesado, motivos pelo qual os freios eram praticamente “destruídos” tentando parar o carro nas duras condições de corrida.
  • Todos os carros originais eram considerados “heavyweight body”, ou seja, não eram mergulhados em ácido para reduzir seu peso.
  • O modelo utilizado, o Jaguar XJ12 Coupê de 2 portas sem coluna, foi desenvolvido sobre o modelo 4 portas do XJ e correspondia á série que viria a ser chamada de Série II, introduzida em 1974.
  • Depois da temporada de 1977 os carros desapareceram. Dizem que foram construídos 4 chassis/carrocerias, apesar de que, “aparentemente”, existiram 6 carros.

Os carros:

Troquei informações na web com pessoas que, como eu, apreciam o XJ12C Broadspeed e descobri o seguinte a respeito dos carros e seu atual paradeiro (fim de 2008):

BELJC001 é o carro que correu em 1976 dirigido por Bell e Hobbs em Silverstone. Este carro foi doado ao museu de Coventry onde esteve até o ano de 2001, ano em que foi vendido. Este não possuía o motor e estava pintado com as cores e o kit de carroceria do carro do ano de 1977. Após uma reforma completa pelo seu novo proprietário, o carro que se encontrava na Alemanha, tinha como objetivo participar de eventos de carros de corrida antigos. Contudo, a última informação que obtive deste carro era de que se encontrava a venda na Inglaterra por aproximadamente €185.000,00.

BELJC002: seu paradeiro é um mistério. Existe um carro que foi construído por um senhor chamado Bob Kerr que comprou um chassi de coupê (acreditasse que o número do chassi é o número BELJC002, contudo isto nunca foi confirmado) e que, depois da compra da carroceria, o Sr. Kerr achou e comprou uma série de peças originais da velha Broadspeed que faliu e construiu o carro praticamente dentro das especificações originais. Este carro possui um sistema de injeção diferente (com menor força) e, pelos motivos acima, existem dúvidas da sua originalidade (Original ou Réplica?). Depois que Bob Kerr vendeu o carro, este já foi revendido algumas vezes e, aparentemente, hoje pertence ao Sr. Alan Lloyd da Lloyds Chemists.

BELJC003 / BELJS004 são dois dos carros fabricados para a temporada de 1977 e eram de propriedade da Jaguar/Daimler Heritage Trust (JDHT) até pouco tempo atrás. Ambos foram examinados e confirmados como originais pelo próprio JDHT, que manteve BELJC003 na coleção e vendeu BELJC004. Este último encontrasse na Austrália e é conhecido como o Broadspeed Coupê Australiano sendo de propriedade do Sr. Peter Sloss. O interessante é que na web site da JDHT, a foto do XJ12C Broadspeed que aparece, é do carro vendido (BELJC004) e não do que ainda está na coleção (BELJC003).

BELJC005: Existe um carro que acreditasse seja BELJC005. Este foi um carro utilizado apenas para apresentações em concessionárias e em sessões de fotografia, nunca tendo participado de uma corrida. Pelo que pude apurar, atualmente encontrasse em Cannes (França). Ele foi comprado pelo atual proprietário, há alguns anos atrás, com o motor e a suspenção desmontados, de uma respeitável casa de leilões que achava que o carro era apenas mais um velho XJ 12 Coupê que tinha apenas “algumas” modificações mecânicas e visuais. Hoje, após 7 anos de restauro, o carro encontrasse praticamente original, com a correta suspenção dianteira e traseira, motor V12 com Lucas Fuel Injection mecânico e cambio de 4 marchas. Este carro não possui o sistema de refrigeração nos freios a água, mas isso não é de se surpreender já que haviam sido banidos desde o início.

BELJC006: Existe outro carro que se acredita ser o número BELJC006, um carro construído para um senhor chamado Andy Roush para compor sua coleção pessoal. É apenas especulação.

Outro carro famoso por ter tido seu design baseado nos XJ12C Broadspeed e participado de um seriado de TV na Inglaterra é o “Avengers car”, um carro com motor V12, kit de carroceria Broadspeed e mecânica padrão do carro de produção. Pelo que pude levantar, o carro encontrasse semiabandonado e em péssimas condições.

 

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Avengers car

 

Jaguar XJ – 12C – Especificação Técnica:

Os carros, desenvolvidos com base nos regulamentos da FIA para o European Touring Car Championship, foram montados com motores 5.416 cc fuel-injected V-12 que desenvolviam mais de 530 hp.

  • Chassis e carroceria modificados do XJ12 Coupê, modelo da Série II
  • Motor: Jaguar V12 de 5.4 litros com Lucas fuel injection mecânico
  • Capacidade: 5.416cc Cilindros: V12 em 60 deg, duas valvulas por cilindro, water cooled Single front located serck water radiator
  • Single front located serck oil radiator
  • Tanque de combustível de 27 galões instalado no porta malas
  • Tanque de óleo de 2 galões instalado no porta malas
  • Potencia: mais de 600 PS a 7.500 rpm
  • Max bhp: 560
  • Max rpm: 8.000
  • 1976: Wet sump engine
  • 1977: Wet sump e Dry sump engine
  • Transmissão: caixa de cambio de 4 marchas
  • Velocidade máxima: mais de 320 km/h
  • Freios: Lockheed cast iron brake disks- front outboard, rear inboard
  • Amortecedores: Armstrong – Single rear calipers, twin front – ap four pot
  • Pneus: Dunlop Pneus dianteiros: 300/650-19″ Pneus traseiros: 330/700-19″
  • Wheelbase 113″ front and rear track 58”
  • Peso: 1540 kg

O Kit da carroceria do carro utilizado em 1977 é diferente da utilizada em 1976, sendo que os arcos das rodas se mantiveram as mesmas, mas o spoiler dianteiro tem formato diferente e o traseiro foi pintado com as cores da Leyland em vez das cores da Jaguar que possuía o logo do “Leaper”.

Em 1977 a suspenção sofreu algumas modificações e os freios, estes sim, estavam em constante desenvolvimento desde o seu início em 1976.


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