Jaguar XJ6 Série 2 – elegante e esportivo ao mesmo tempo.

Jaguar Max

Por: Max Gorissen

Lembro até hoje do dia, lá pelos anos 70, em que, ainda moleque, vi passar um Jaguar XJ6 pela Rua Augusta, nos Jardins em São Paulo.

O impacto foi tão grande que, daquele dia em diante, passei a buscar por todo canto o modelo. Perguntava ao meu pai, que foi engenheiro da Cadillac entre 1956-1960 e da GM nos USA, na Austrália e na Argentina até vir parar na Chrysler no Brasil (O Esplanada que ele preparou para uso próprio viria a se tornar o famoso Esplanada GTX), tudo a respeito desse carro. O único que me lembro, dentre todos os termos técnicos que deve ter me dito, foi que existia o XJ6 e o XJ12 e, a partir desse dia, sempre que via um Jaguar tentava adivinhar qual era o modelo.

Muitos anos se passaram e um dia, passeando com minha esposa por uma das conhecidas lojas de carros antigos de São Paulo, nos deparamos com um lindo Jaguar XJ6 Série 2, ano 1974, na cor vinho, escondido num canto da loja e, ao olhar para minha esposa ela apenas disse, compra.

Não foi necessário mais do que isso. Sonho de todo homem ter uma mulher que o apoia e o instiga a comprar um carro antigo. Pesadelo de toda mulher ter um marido que compra um carro antigo… Se ela soubesse…

De qualquer maneira, naquela hora, toda a “sabedoria” acumulada através da experiência e da leitura de diversos artigos que explicam para nunca comprar um carro sem experimentar, levar ao mecânico, funileiro, etc. e nunca acreditar na lábia de vendedor que sempre vem com: O carro está em perfeito estado de conservação!; Carro de colecionador! Pouco rodado! Ferrugem, nãããão, isso é marca de originalidade! Cheiro de mofo… imagina! Você logo vai aprender que isso é cheiro de carro antigo! Neste não entra uma gota de água! … Pois é… Todo bom senso vai por água abaixo e dá lugar a paixão incondicional, ou melhor, irracional.

Comprei e uma semana depois o carro já se encontrava em manutenção.

Manutenção é uma forma carinhosa de chamar a retífica completa do motor, incluindo cabeçote, válvulas e molas de admissão, bronzinas, algumas das partes internas móveis; restauro da bomba d água, todos os cabos elétricos incluindo cabos das velas, reparos dos carburadores, troca de todas as mangueiras de água, reparo do distribuidor, rolamentos de roda, escapamento, reforma do radiador, terminais de direção, pivôs superiores e inferiores, caixa de direção, retífica do câmbio automático, restauro do motor de arranque, rolamento e coxim do cardã, cabos de freio e acelerador, troca de todas as buchas da suspensão, troca dos amortecedores e das pastilhas de freio e até uma miríade de peças que se aprende quando se tem um Jaguar, entre elas o Viscuos Coupling (um tipo de embreagem do hélice do radiador). Isso sem contar que, para ficar perfeito, falta ainda fazer a funilaria e pintura…. O estofamento é novo… Ufa!

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Como vocês sabem muito bem, no final das contas, tudo isso não importa. Hoje o carro possui chapa preta (95 pontos em 100) e, para minha felicidade, saio para almoçar com ele praticamente todos os dias.

Por este motivo, gostaria de apresentar meu Jaguar XJ6 – Série 2, na minha opinião, o mais elegante e esportivo de todas as variantes de quatro portas (Série 1, 2 e 3).

O XJ Série 2 foi o último Jaguar a reter os para-choques e as calotas cromadas e ao mesmo tempo, se beneficiar de avanços modernos como ar-condicionado com controle de temperatura, freios a disco e iluminação por fibra óptica.

Também é, para minha felicidade, quase completamente livre de eletrônica!

 

História do Jaguar XJ6

Quando lançado em 1968 o XJ possuía um design de extrema elegância, excesso de luxo e aprimoramentos na dirigibilidade que dão a este modelo um conforto e uma agilidade notável, até para os dias de hoje.

Ao mesmo tempo, com este modelo a Jaguar introduziu no mercado a política de um único modelo, eficazmente substituindo todos os outros modelos de quatro portas produzidos pela Jaguar naquela época, basicamente o 240/340/V8 250, o 420/Sovereign, e o 420G. Esta política podia ter sido catastrófica para a companhia, contudo, provou ser um sucesso incrível, copiado até hoje pela indústria automotiva.

Os Jaguares da Série XJ são considerados um tributo, não só ao Sir. William Lyons, fundador da Jaguar, que acompanhou o desenvolvimento e lançamento do carro até o fim de sua produção em 1986, mas também por ter recuperado a marca Jaguar nos anos 1980.

Até hoje, o XJ é considerado um dos projetos clássicos da companhia e serve de base para o desenvolvimento dos Jaguares modernos (É só reparar no novo XJ e no X-Type para reconhecer o mesmo design, apenas atualizado).

Com 403.723 carros produzidos entre os anos de 1968 e 1992, deixou um legado que até hoje destaca a Jaguar como sinônimo de marca de luxo e esportividade.

Da Série 1 foram produzidos 98.527 carros entre 1968 e 1973 quando, devido às contínuas exigências tanto por segurança quanto por restrições ambientais nos mercados fora da Inglaterra, em especial os Estados Unidos, principal mercado de exportação do XJ, o carro evoluiu para a Serie 2.

As três Séries 1, 2 e 3, podiam sair com motores de 6 cilindros ou de 12 cilindros em V (motor para o qual o XJ foi originalmente desenvolvido). Para se ter uma ideia, quando a versão V12 apareceu em 1972, estabeleceu o recorde de carro de produção de quatro portas mais rápido no mundo, fazendo 147 mph. e 0-60 mph. em 7.8 segundos. Isso em um carro com 1.700 kg de peso…

O Serie 2 foi substancialmente alterado com a introdução de melhorias na carroceria, que utilizam barras de impacto laterais, uma antepara dianteira que virtualmente isolava o compartimento de passageiros e novas tecnologias como iluminação por fibra óptica e conexões por plugs de pinos múltiplos. Externamente, o carro se beneficiou de um “make-over”, não por causa de razões estéticas, mas como mencionei, por causa de novas regulamentações de segurança nos Estados Unidos, como por exemplo, a altura dos para-choques.

Os modelos da Serie 2 são facilmente identificáveis por sua grade de radiador mais rasa e pela maior altura de seu para-choque frontal. O layout interno também foi revisado e redesenhado e um sistema de ar-condicionado adequado, ou seja, que funciona, foi introduzido pela primeira vez.

Ao total, 127.961 Jaguar Séries 2 foram construídos (considerando os diversos modelos), entre 1973 e 1979, em Coventry, o coração  da indústria automotiva britânica, e muitos foram na época, exportados para o Brasil.

A frente do Serie 2 faz o carro parecer mais baixo, mais largo e mais esportivo, diferente do Série 1 que tem uma aparência mais austera e do Série 3 que ficou com cara de carro de família americana e não de carro esportivo europeu.

Falando da Série 3, quando este foi introduzido em 1978 (177.244 produzidos entre 1979 e 1992), suas características externas como, teto mais alto, áreas envidraçadas maiores, maçanetas incorporadas ás portas e barras de borracha largas nos para choques, entre outros, desenvolvidas para atender ao mercado Norte Americano, já não eram mais tão distintas quanto os XJs anteriores, tendo ficado muito americanizado. Este novo modelo, foi o primeiro carro da história da Jaguar a ser desenvolvido por uma empresa externa, os estúdios Pininfarina.

De qualquer maneira, independente da Série, os XJ inspiram as pessoas, principalmente quando você os dirige.

São carros rápidos, seguros, refinados, confortáveis, ágeis e muitas vezes, superiores aos modelos atuais.

Não existe uma pessoa que, ao ver um Jaguar XJ estacionado ou passando na rua, com seu design elegante e esportivo, não pára para dar uma olhada.

Ainda bem que, nestes casos, todo bom senso vai por água abaixo e dá lugar a paixão incondicional, ou melhor, irracional.


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